Luís Montenegro entregou documento na sede nacional do PSD.
Luís Montenegro entregou documento na sede nacional do PSD.Gerardo Santos

Moção de Luís Montenegro garante que PSD exclui acordos de governação com o Chega e com o PS

Documento estratégico com que o primeiro-ministro irá ser reeleito para a liderança social-democrata promete "coragem reformista e ambição responsável". E deixa de fora tema da revisão constitucional.
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A moção "Trabalhar - Fazer Portugal Maior", com a qual Luís Montenegro se candidata a um terceiro mandato enquanto líder do PSD, nas eleições diretas de 30 de maio, promete a "resolução dos problemas concretos das pessoas" e a transformação de Portugal, "a olhar para as gerações vindouras", mas também deixa clara a recusa de qualquer acordo de governação com o Chega ou com o PS.

"O PSD será fiel ao seu compromisso de não ter uma solução de governo nem com o Chega nem com o PS. O sentido do 'não é não' ao Chega é o mesmo do 'não ao bloco central' com o PS", lê-se no início da moção, que foi entregue na tarde desta segunda-feira pelo primeiro-ministro, e atual líder partidário, na sede nacional do PSD, em Lisboa.

Apesar disso, Montenegro ressalva que "não estabelecer um acordo de governação não pode nem deve significa rejeição de diálogo e negociação política". Com toda a oposição parlamentar ao Governo da AD, "e de forma particular com os dois partidos que na oposição têm representação suficiente para viabilizar iniciativas".

A moção também inclui um reparo à "óbvia demonstração do absurdo que se reveste falar de cercas sanitárias" na Assembleia da República quando os dois maiores partidos da oposição "também não têm excluído dialogar entre si e coligarem-se pontualmente contra os partidos que suportam o Governo".

Luís Montenegro entregou documento na sede nacional do PSD.
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Realçando que, "sem eleições no horizonte, é-nos exigida coragem reformista e ambição responsável", a moção com que Luís Montenegro se apresenta aos militantes sociais-democratas, sem que se perfile qualquer adversário, afirma que "os portugueses estão manifestamente cansados de eleições intercalares e querem que todos mostrem o que valem". De modo a que, no final da legislatura - sendo que nenhuma chegou ao fim desde 2019, quando terminou a 'Geringonça' -, Governo e oposições "sejam julgados pelo seu desempenho".

Revisão constitucional não consta

No primeiro dos cinco capítulos da moção "Trabalhar - Fazer Portugal Maior", Montenegro começa por falar de "um país mais justo e competitivo", que não pode desperdiçar a oportunidade histórica de "transformar estabilidade política em ambição, ambição em reformas e reformas em resultados reais na vida dos portugueses".

De fora fica a revisão constitucional, prioritária para o Chega, a Iniciativa Liberal e agora também para os parceiros de coligação do CDS-PP. Não se encontra uma única menção ao tema ao longo das 27 páginas do documento, reforçando a perceção de ausência de vontade do PSD em tirar partido da maioria qualificada de dois terços existente na Assembleia da República, somando os deputados dos partidos à direita do PS, para alterar de forma profunda a Constituição da República Portuguesa.

Pelo contrário, a moção de Luís Montenegro dá ênfase à ideia de potenciar Portugal, assegurando igualdade de oportunidades na Educação, considerada "o principal elevador social da democracia". Algo que passa pelo investimento no pré-escolar, na requalificação de escolas e no acesso ao Ensino Superior, assegurando que "ninguém fique de fora por falta de condições económicas". Mas também por colocar "no currículo e no coração da política educativa" tanto o digital como a inteligência artificial.

Quanto à Saúde e apoios sociais, defende-se que Portugal "precisa de sair de uma cultura excessivamente centrada na urgência e avançar para uma cultura de acompanhamento, prevenção e gestão integrada da doença". E faz-se referência a um Estado Social "que apoia, mas espera responsabilidade".

Para "desbloquear Portugal", a moção defende uma nova cultura na Administração Pública, "com menos controlo prévio cego e mais responsabilidade posterior", tal como o Governo pretende com as alterações legislativas no Tribunal de Contas. E identifica a necessidade de "funcionários públicos valorizados, com a sua qualificação reconhecuda e com lideranças competentes", ao mesmo tempo que assinala que "continuam a existir demasiadas estruturas e entidades com missões redundantes".

Sobre a contratação pública, Montenegro aborda o tema do derrapar de prazos e ausência de execução. "É necessário sermos mais rápidos e eficazes, reforçando a transparência, para podermos executar em tempo útil as obras e prestarmos os serviços que a sociedade espera do Estado", lê-se na moção.

Luís Montenegro foi eleito presidente do PSD pela primeira vez em 2022.
Luís Montenegro foi eleito presidente do PSD pela primeira vez em 2022.Gerardo Santos

Tão ausente quanto a revisão constitucional está a regionalização, com o líder social-democrata em vias de reeleição a dizer que "a descentralização e a desconcentração devem ser aprofundadas para garantir uma implementação mais ágil e flexível das políticas nacionais".

No dossier da Imigração, sem grandes novidades, Montenegro defende que "um Portugal Maior deve ser um país aberto e humanista, mas também um país com regras claras de entrada de imigrantes e capacidade administrativa para decidir". E com uma política migratória que "deve assentar num equilíbrio firme" de garantir que a imigração "é fator de desenvolvimento, coesão e renovação demográfica, e não resultado de abandono administrativo".

Para o reforço da coesão, competitivade e inovação, a moção propõe "uma visão agregada e de conjunto" na coesão territorial. Sem esquecer a vocação marítima de Portugal, a importância estratégica da agricultura para a soberania alimentar e valorização do território, a existência das universidades e politécnicos como motores de desenvolvimento, o incremento da atratividade para o investimento direto estrangeiro e o papel das infraestruturas.

Apontando a construção do novo aeroporto de Lisboa como "um passo indispensável para o desenvolvimento", durante muito tempo "adiado sistematicamente", Luís Montenegro também considera urgente o reforço da capacidade dos aeroportos do Porto, de Faro e das regiões autónomas. E realça os investimentos urgentes na ferrovia, "também adiados demasiado tempo por anos de governação socialista". Em particular, na alta velocidade, que "irá aproximar territórios e abrir novas possibilidades de desenvolvimento".

Também se fala de autonomia energética, em conjunto com a mitigação das alterações climáticas a que Portugal é um dos países europeus mais expostos, com a moção a centrar-se na necessidade de garantir energia mais acessível. "A aposta nas renováveis tem de resultar em energia mais barata para as empresas, um dos principais fatores de competitividade. E em energia mais barata para as famílias, decisiva para o seu bem-estar", defende-se, sem esquecer que os combates na Ucrânia e no Médio Oriente demonstram que "depender de combustíveis fósseis importados fragiliza economias, expõe sociedades a choques externos e limita a liberdade de ação das democracias".

O último ponto da moção dedica-se a "Ampliar Portugal", reforçando a influência na Europa e no Mundo. Através da valorização da língua portuguesa, "um dos maiores ativos geopolíticos de Portugal", do aproveitamento das relações transatlânticas, "liderando e faclitando negociações com regiões estratégicas", ou do objetivo de ser "um hub de energias renováveis, de cabos submarinos, de logística atlântica e de investigação oceânica".

Para o fim é deixada a União Europeia, "espaço natural da nossa ambição global", na qual a moção defende que Portugal "tem de assumir uma postura ativa e ambiciosa na construção da Europa do futuro, reforçando a sua presença nas instituições europeias e tendo um papel cada vez mais relevante nos grandes debates estratégicos".

Luís Montenegro entregou documento na sede nacional do PSD.
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