O presidente do PSD e recandidato ao cargo admitiu esta segunda-feira (18 de maio) que ainda tem a maioria absoluta "na mira", mas apelou ao PS e ao Chega que assumam as responsabilidades de oposição e termine a conversa sobre "cercas sanitárias"."Eu assumo, o povo português não nos quis dar uma maioria absoluta, mas quis-nos dar uma maioria. Eu gostava muito que os outros assumissem que o povo não lhes quis dar a condução da governação, mas quis-lhes dar a possibilidade de contribuírem para uma boa governação do país. Se cada um cumprir a sua tarefa, o povo português, no fim, vai fazer o juízo do comportamento de cada um", apelou.Luís Montenegro apresentou hoje, em Sintra, a moção de estratégia global com que se recandidata à liderança no partido nas eleições diretas de 30 de maio, e salientou que, há exatamente um ano, a coligação PSD/CDS-PP obteve a "confiança maioritária" dos portugueses."Às vezes na linguagem política confunde-se maioria absoluta com maioria. Maioria em democracia é ter mais um voto que os outros, maioria absoluta é ter metade dos votos mais um. Nós ainda estamos com esse objetivo na nossa mira", admitiu, reiterando que tal só acontecerá através de eleições e não "na base de nenhum estratagema, conluio ou combinação feita atrás da vontade das pessoas".Numa intervenção de 45 minutos, Montenegro admitiu que seria "um auxílio muito grande" para a governação dispor dessa maioria, mas recordou que, na última campanha, também PS e Chega defenderam a estabilidade política."O povo disse à AD e ao PSD que cabe governar. E o povo disse aos outros que cabe terem uma representação no parlamento em que, nos dois maiores partidos da oposição, um deles, pelo menos, tem de viabilizar aquilo que são as propostas do governo. Ou dito de uma outra maneira, tem pelo menos um deles que não rejeitar a proposta do governo", recordou.No entanto, lamentou, PS e Chega têm "votado mais vezes um com o outro do que qualquer um deles com os partidos do governo".Por essa razão, e tal como escreveu na sua moção, o líder do PSD e também primeiro-ministro recusou que se possa fazer "uma cerca sanitária" a qualquer partido, recordando ter dito "não é não" ao Chega mas também "não a um Bloco Central"."O povo português não pediu a ninguém para fazer nenhuma cerca sanitária com ninguém. Nem ao Chega face ao PS, nem ao PS face ao Chega, porque se o tivesse feito, então, ambos estavam condenados, sem apelo nem agravo, no tribunal, que julgasse o comportamento face ao mandato que receberam do povo, porque eles são os primeiros a entenderem-se um com o outro", disse.Montenegro confessou até ficar "muito surpreendido" quando o PSD é criticado por "nem sempre" conseguir dialogar com PS e Chega em simultâneo."Vamos deixar essas conversas de cercas sanitárias, de quem é que respeita o não a este ou não àquele. Vamos deixar tudo em pratos limpos: nós todos, nomeadamente estes três, têm a liberdade e a possibilidade de se aproximarem uns com os outros. Sim, tema a tema. Sim, instrumento a instrumento", sinalizou.Para Montenegro, este foi "o contexto escolhido pelos portugueses","O que o povo português me pediu foi que eu tivesse convosco, o espírito de abertura, de diálogo e humildade suficiente para compreender os argumentos dos outros e para podermos fazer algumas aproximações", resumiu.PSD vai obrigar partidos a "revelarem-se" na hora de votar reformasMontenegro avisou que o PSD irá forçar os partidos a "revelarem-se" na hora de votar transformações no Estado, criticando os que pedem reformas, mas não na "sua casa ou no seu setor".Luís Montenegro apresentou, em Sintra, a moção de estratégia global com que se recandidata à liderança no partido nas eleições diretas de 30 de maio, horas após o líder do Chega, André Ventura, ter avisado que o seu partido vai votar contra a nova lei de organização do Tribunal de Contas, que vai a debate quarta-feira no parlamento."Eu sei que, por estes dias, tantos daqueles que clamam por esse Estado ágil, esse Estado eficiente, chegamos à conclusão que é apenas clamor para político ver, porque, quando chega à realidade das decisões, têm medo, metem a viola ao saco e fazem de conta que não é nada com eles", criticou.O também primeiro-ministro admitiu que o Governo está disponível para "aprofundar, densificar e discutir as opções", mas "não está disponível para deixar tudo na mesma"."Levantem-se as resistências corporativas que levantarem, levantem-se os políticos que não tenham coragem a não ser na conversa. Levantem-se aqueles que estão bem instalados a viver à conta do excesso de burocracia, do excesso de regras, da adulteração e da corrupção que aí está montada", desafiou.Montenegro ironizou que Portugal é um país "de grandes reformistas a conversar nas televisões, nos jornais e nas rádios"."Mas quando chega a hora da verdade, somos nós e pouco mais aqueles com que o país pode contar para fazer verdadeiras transformações. Depois olhamos para os outros partidos políticos e vemos que, sempre que se mexe, estão sempre mal. Reformar, sim, mas na porta ao lado. Reformar, sim, mas não no meu setor. Reformar, sim, mas não na minha casa. Reformar, sim, mas não coisa que cause reação", disse, acusando estes políticos de quererem "agradar a todos".Para esses, Montenegro deixou um aviso: "Isso vai ser até uma determinada altura, porque nós vamos forçar a decisão. Os partidos e os políticos vão ter de se revelar no momento de votar as transformações, porque não é por falta de oportunidade que vamos ficar sem esse debate", defendeu..Moção de Luís Montenegro garante que PSD exclui acordos de governação com o Chega e com o PS