Marques Mendes foi recebido em Fátima pelo presidente da Câmara de Ourém, Luís Miguel Albuquerque.
Marques Mendes foi recebido em Fátima pelo presidente da Câmara de Ourém, Luís Miguel Albuquerque.Leonardo Negrão

Marques Mendes aponta "desilusão" a quem votou antecipado em Cotrim de Figueiredo nas eleições presidenciais

Antigo líder social-democrata foi a Fátima empenhado em tentar recuperar os eleitores da AD que se arrisca a perder para o eurodeputado da Iniciativa Liberal.
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O candidato presidencial Marques Mendes dedicou a manhã de terça-feira a reforçar os ataques a João Cotrim de Figueiredo, defendendo que os eleitores que votaram antecipado na "candidatura da Iniciativa Liberal" terão sentido "uma desilusão" ao ouvir o seu rival admitir a hipótese de apoiar André Ventura na segunda volta caso não venha a ser um dos dois mais votados neste domingo.

Definindo-se como "o candidato da estabilidade", o antigo líder social-democrata, que começou o dia de campanha em Fátima, defendeu que a declaração de Cotrim de Figueiredo na véspera - apesar de o eurodeputado da Iniciativa Liberal ter feito vários esclarecimentos ao longo da segunda-feira, vincando que não querer Ventura na Presidência da República -, reforça a ideia de que a sua candidatura "é a única que pode evitar o populismo, o radicalismo e o experimentalismo".

Mais tarde, durante uma pequena arruada, com diversas paragens em lojas de artigos religiosos, na qual foi acompanhado pelo presidente da Câmara de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, e por figuras nacionais do PSD, como o eurodeputado Sebastião Bugalho ou o ex-ministro da Economia Pedro Reis, Marques Mendes tocou a rebate contra Cotrim de Figueiredo, que tem aparecido com uma vantagem entre quatro e sete pontos percentuais na tracking poll da Pitagórica. Nesta segunda-feira, o atual conselheiro de Estado deixou mesmo de estar em empate técnico, descendo para 14,5%, atrás de António José Seguro (21,4%), Cotrim de Figueiredo (21,1%), André Ventura (19,7%) e Gouveia e Melo (17%).

Família juntou-se ao candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS na passagem por Fátima.
Família juntou-se ao candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS na passagem por Fátima.Leonardo Negrão

"No momento em que o candidato da Iniciativa Liberal resolveu associar-se ao Chega, com as declarações que fez, acho que os portugueses que no domingo decidiram votar antecipadamente na Iniciativa Liberal neste momento sentem-se enganados. Provavelmente fariam um voto diferente. Mas isto também é uma chamada de atenção para o próximo domingo, em que as pessoas não se podem enganar", disse o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS, partidos cujos eleitores estará disputar com Cotrim de Figueiredo.

Marques Mendes defendeu que "se tornou ainda mais importante concentrar votos da área do centro" na sua candidatura, assumindo-a como "a mais necessára para a defesa da democracia e para a defesa da estabilidades". Prevendo que "a maior parte dos portugueses" que irão votar nas presidenciais "estão fartos de eleições", eivindicou ser o único candidato "que se propõe defender com toda a força a estabilidade". E que, nesse sentido, tudo fará para evitar moções de censura e moções de censura, incentivando os partidos a negociar o Orçamento do Estado.

"Um risco para a democracia existe no momento em que os liberais e as pessoas do Chega se associam", disse o antigo líder social-democrata, para quem o populismo e o radicalismo são os maiores riscos que o regime democrático enfrenta, seja dentro e fora de Portugal.

Marques Mendes foi recebido em Fátima pelo presidente da Câmara de Ourém, Luís Miguel Albuquerque.
André Ventura faz tudo para exorcizar os fantasmas de uma segunda volta futura

Recordando que só poderá ser o próximo Presidente da República caso passe à segunda volta, Mendes foi mais abrangente nas referências ao voto útil. "O apelo que eu faço aos portugueses, sejam do centro-direita ou do centro-esquerda, é que concentrem os votos na candidatura que representa a estabilidade, a moderaçao e a previsivilidade".

Menos disposto a responder a perguntas acerca dos problemas que têm afetado o Serviço Nacional de Saúde, com três mortes associadas a atrasos no INEM, o candidato que se define como "uma pessoa com grande sensibilidade humana e social" também não respondeu a uma pergunta do DN sobre o que faria caso André Ventura e António José Seguro passassem à segunda volta. "Só se eu não percebesse nada de política é que responderia a isso. E reconhecerão que de política ainda percebo alguma coisa."

Depois de Fátima, o candidato rumou a Leiria, onde está a fazer um almoço com meia centena de empresários da região. Numa intervenção inicial, o antigo ministro da Economia, Pedro Reis apresentou Marques Mendes como um candidato ao Palácio de Belém que responde aos anseios das empresas por "estabilidade política" e "reformismo". Também o líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, marca presença neste almoço.

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