O líder do Chega explicou que também tinha a opção de avançar com uma moção de censura ao governo, mas defendeu que os portugueses não querem eleições antecipadas.
O líder do Chega explicou que também tinha a opção de avançar com uma moção de censura ao governo, mas defendeu que os portugueses não querem eleições antecipadas.Foto: Reinaldo Rodrigues

Chega vai avançar com Comissão de Inquérito a Luís Neves. PS acusa partido de querer fragilizar a PJ

O líder do partido, André Ventura, explicou que também tinha a opção de avançar com uma moção de censura ao governo, mas defendeu que os portugueses não querem eleições antecipadas.
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O Chega vai avançar com uma Comissão de Inquérito a Luís Neves, na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração de Interna e anterior diretor da Polícia Judiciária.

"Dei hoje indicações à liderança parlamentar para avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito potestativa a partir da próxima sessão legislativa aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária", anunciou esta sexta-feira, 24 de julho, André Ventura.

O líder do Chega explicou que também tinha a opção de avançar com uma moção de censura ao governo, mas defendeu que os portugueses não querem eleições antecipadas. "Creio que não devemos provocar um caso de crise política", disse.

A Comissão de Inquérito potestativa deverá avançar em setembro, após as férias. "Não foi uma decisão tomada de ânimo leve", disse Ventura, garantindo que "esta não é uma comissão contra a PJ ou qualquer orgão de investigaçao do Estado".

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O anúncio de André Ventura acontece pouco depois de Luís Neves ter voltado a garantir que no "momento próprio" irá prestar todos os esclarecimentos sobre as polémicas que envolvem a sua propriedade em Odemira e o atrelado, apreendido durante uma operação de combate ao tráfico de droga, encontrado nas instalações da empresa Construbarcelos, do amigo empreiteiro João Carvalho.

Mais tarde, Luís Neves reagiu ao anúncio de André Ventura de que iria avançar com a Comissão de Inquérito. "Ainda bem. Conforme já disse anteriormente, estou totalmente disponível para, em todos os fóruns, prestar todos os esclarecimentos. É uma boa altura para se saber e para se conhecer o meu legado à frente da Polícia Judiciária", disse.

PS afirma que Chega quer fragilizar a PJ 

Em reação, o PS acusou o Chega de pretender fragilizar a PJ com uma comissão e apontou as investigações feitas à extrema-direita armada. Esta posição foi assumida pelo líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, em conferência de imprensa.

“Não deixa de ser surpreendente que, estando a decorrer um processo que coloca em causa milhares e milhares de alunos, com impacto em milhares e milhares de famílias no país, o Chega apresenta antes uma comissão parlamentar de inquérito a um caso individual de integridade de um membro do Governo”, reagiu Eurico Brilhante Dias.

“O Chega quer fragilizar a PJ porquê? Quer fragilizar a PJ devido às investigações sobre as ligações do Movimento 1143 ao Chega? Quer fragilizar a PJ pelas ligações do Movimento Armilar (MAL), que tinha uma lista de alvos indesejáveis e que tem inequívocas ligações ao Chega?”, questionou. Eurico Brilhante Dias foi ainda mais longe: “O Chega está a atacar a PJ porque tem algum receio sobre as investigações que ligam alguns financiadores ao Chega e à extrema-direita?”

*Com Lusa

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