O atrelado contendo precursores de droga que foi filmado nas instalações da Construbarcelos, a empresa de construção do empreiteiro amigo do ministro Luís Neves, afinal nunca terá estado formalmente desaparecido das autoridades. Segundo informação avançada esta noite pela RTP, os primeiros dados recolhidos pela Polícia Judiciária (PJ) indicam que a movimentação do veículo — que se encontrava sob a sua guarda após ter sido apreendido numa operação de combate ao tráfico de estupefacientes — terá sido expressamente autorizada pelo atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, que à data dos factos exercia as funções de diretor nacional daquela polícia criminal.De acordo com o canal público de televisão, a deslocação do atrelado terá ocorrido na sequência de uma suposta disponibilidade demonstrada pelo empresário proprietário da Construbarcelos para proceder à destruição de parte do material que se encontrava apreendido no interior da viatura. Contudo, a RTP ressalva que tal eliminação de substâncias não terá chegado a concretizar-se até ao momento. Permanecem também por esclarecer as circunstâncias e a via pelas quais o empreiteiro terá tido conhecimento da necessidade da PJ em eliminar o referido material.Apreensão ocorrida em 2024O veículo em causa tinha sido originalmente apreendido em 2024, no decurso de uma investigação contra o tráfico de droga, transportando no seu interior vários bidões selados com produtos destinados ao fabrico de estupefacientes. As primeiras notícias sobre a localização do atrelado em Barcelos, inserido nas propriedades de João Carvalho, tinham sido inicialmente avançadas pela TVI/CNN Portugal e pelo jornal Nascer do Sol, que reportaram que a estrutura se encontrava atracada a um camião da referida empresa de construção.Essas mesmas notícias davam conta que o atrelado estava dado como desaparecido. Em reação oficial, a Polícia Judiciária confirmou a abertura de um inquérito interno para o apuramento integral da situação, tendo a matéria sido simultaneamente comunicada ao Ministério Público.Em esclarecimento enviado às redações, esta polícia frisou que, “trata-se de um bem apreendido, o mesmo foi removido do local e ficou novamente à guarda da Polícia Judiciária, bem como os produtos que a mesma carregava”. A PJ adiantou ainda que as análises laboratoriais determinaram que as substâncias encontradas no interior do veículo “não têm natureza estupefaciente”.Também a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou ao DN a instauração de um inquérito focado especificamente nos bens apreendidos no âmbito da designada “Operação Pacoba” — um processo principal que já se encontra na fase de julgamento a decorrer no Juízo Central Criminal de Lisboa.A ligação entre as partes tem suscitado particular escrutínio público, uma vez que João Carvalho mantém uma relação de proximidade com Luís Neves e a sua empresa, a Construbarcelos que celebrou 17 contratos públicos com a Polícia Judiciária entre os anos de 2019 e 2024, tendo o empresário realizado obras a título pessoal num monte alentejano pertencente ao agora ex-diretor da PJ -- trabalhos esses que se encontram alegadamente ainda em curso. Isto apesar de a Construbarcelos, como noticiado esta sexta-feira pelo Observador, se encontrar sem certificação legal válida para exercer a atividade de construção desde o passado mês de março..PJ apreende atrelado de rede de cocaína desaparecido em empresa de empreiteiro amigo de Luís Neves.Ventura apela a ministro Luís Neves para que saia do Governo "pelo próprio pé".Conselho de Ministros não discutiu polémicas que envolvem Luís Neves, garante Leitão Amaro.Luís Neves desagradado com comunicado da PJ. Ministro vai alegar que entrega do atrelado está documentada.Caso Luís Neves. PGR confirma inquérito sobre "bens apreendidos" na Operação Pacoba