André Ventura, líder do Chega
André Ventura, líder do ChegaFOTO: MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Ventura apela a ministro Luís Neves para que saia do Governo "pelo próprio pé"

Líder do Chega pediu “autoridade política” ao primeiro-ministro tendo em conta as “suspeitas graves” que considera haver sobre Luís Neves.
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O presidente do Chega apelou esta sexta-feira, 18 de julho, ao ministro da Administração Interna para que se demita e saia “pelo seu próprio pé”, e pediu “autoridade política” ao primeiro-ministro tendo em conta as “suspeitas graves” que considera haver sobre Luís Neves.

“Mais do que uma nota de demissão, é um apelo ao próprio. É um apelo ao próprio para que saia pelo seu próprio pé nestas condições ou falta delas e também ao primeiro-ministro para que assuma essa autoridade política neste contexto que seria a melhor saída para todos e para o país”, disse André Ventura aos jornalistas, no parlamento, sobre o ministro da Administração Interna.

Para o Chega, Luís Neves “não tem condições de permanecer” no Governo tendo em conta “estas suspeitas graves que estão a ocorrer no espaço público sobre ele”.

“Parece-nos efetivamente que, face às suspeitas existentes no cenário público, sem explicação e sem sustentação, o senhor ministro da Administração Interna, em nome da sua própria autoridade política e da sua própria credibilização política, não deve continuar em funções”, reiterou.

André Ventura disse que acreditava nas “instituições em Portugal”, mesmo “nestes momentos mais desafiantes e duros”.

“Por muito poderosos que sejam esses poderes, por muito instalados que estejam, por muito enraizados que estejam nas instituições políticas, policiais, judiciais ou outras, nós temos uma democracia e temos de acreditar que a nossa democracia funciona”, disse.

O presidente do Chega acusou Luís Neves de, nas últimas semanas, “não ter dado explicações sobre aquilo que toda a vida exigiu aos outros”, considerando que o cargo que ocupa no Governo obriga a “estar disponível para esse escrutínio e para essa transparência”.

“As notícias desta noite, da ligação de uma investigação do tráfico de droga a obras realizadas pela empresa com a qual está a atuar na sua vida privada, são absolutamente insustentáveis. A existência de materiais de infraestruturas públicas nessa obra do senhor ministro é absolutamente insustentável se não for explicado”, disse, referindo-se à investigação TVI/Nascer do Sol.

Sobre a mesma notícia, Ventura considerou que “a suspeita de desaparecimento de material numa investigação da Polícia Judiciária” sobre tráfico de droga, “cujos materiais acabam afetos à empresa que está a fazer obras na casa do ministro, parece um ‘trailer’ de intensidade dramática e criminosa”.

O presidente do Chega exigiu assim que seja dada “cabalmente uma explicação que seja minimamente credível e sustentável para o que aconteceu”.

“O senhor ministro sabe, porque não desconhece, nem pode desconhecer, que o teor das suspeitas que estão a ser colocadas no espaço público não são nem coisas menores, nem minudências, nem sequer deslizes. Independentemente de culpas finais, o que está em cima da mesa neste momento são crimes de grande gravidade, que exigiriam, pelo menos, uma explicação sobre a sua ocorrência”, apontou.

A Polícia Judiciária anunciou esta sexta-feira que abriu inquérito sobre o reboque apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.

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A Direção Nacional da PJ explicou em comunicado que “teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos”.

Com esta informação, foi instaurado um inquérito “para apurar as circunstâncias da alegada movimentação, que poderia confirmar a prática de ilícitos criminosos”, acrescentou a PJ, depois da notícia do semanário Nascer do Sol, que avançou esta informação na sua edição desta sexta-feira.

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