A defesa de transparência nos donativos aos partidos políticos feita pelo Presidente da República, António José Seguro, que acabaria por merecer elogios até do seu adversário na segunda volta, André Ventura, foi um dos pontos mais marcantes de uma sessão solene comemorativo do 25 de Abril que foi muito mais pacífica do que a do 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa. .Discurso de Seguro elogiado por... Ventura. Esquerda aproveita para criticar pacote laboral . Na sua primeira sessão solene do 25 de Abril enquanto Presidente da República, Seguro também se dirigiu diretamente aos jovens que nasceram muito depois da queda da ditadura, admitindo que não se lhes pode pedir que "amem por decreto" a data histórica, pelo que enumerou consequências práticas para as suas vidas do fim da ditadura. Mas também deixou alertas quanto ao risco de "perder em silêncio" a democracia.Também o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, disse que "os remédios populistas fecham ainda mais a política", lamentando que a presunção de culpabilidade e a desconfiança generalizada em relação aos políticos acentuou as dificuldades de atrair os melhores. "Tornámos tantas vezes a política um reality show", lamentou quem teve palavras que desagradaram ao deputado socialista Pedro Delgado Alves, que se levantou e saiu do hemiciclo durante a sua intervenção. . Outro discurso que marcou a sessão, mas desta vez não provocou tumultos ou saídas de convidados da galeria, foi o de André Ventura. O líder do Chega, que subiu à tribuna com um cravo verde que disse simbolizar os portugueses forçados a emigrar, insurgiu-se contra os elogios aos guerrilheiros dos movimentos de libertação "que matavam soldados portugueses", e defendeu que o 25 de Abril "não é o dia dos capitães de Abril", mas sim "o dia dos capitães de Janeiro, de Fevereiro, de Março".Também contra os "donos de Abril" falaram Mariana Leitão (Iniciativa Liberal) e João Almeida (CDS-PP), enquanto o líder parlamentar do PSD fez o elogio do "democrata pleno" que "combate o radicalismo, mas aceita o veredito do povo", identificando-se com a moderação já enunciada pelo "bloco do centro" apresentado pelo primeiro-ministro no penúltimo debate quinzenal.Numa sessão com menos referências diretas ao Pacote Laboral do que seria expectável, o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, denunciou as "desigualdades que persistem", o coporta-voz do Livre, Rui Tavares, lançou uma petição para que o Governo faça avançar o Centro Interpretativo do 25 de Abril no Terreiro do Paço, o comunista Alfredo Maia mencionou o "trajeto de retrocesso" das "políticas de direita" e o bloquista Fabian Figueiredo atacou quem tenta "sequestrar a liberdade". Também deputados únicos, Inês de Sousa Real (PAN) apontou para um próximo 25 de Abril "com menos insultos e mais diálogo" e Filipe Sousa (Juntos pelo Povo) defendeu a "construção de um Portugal da Madeira aos Açores, do Minho ao Algarve, e não só das grandes cidades"..Do "medo de questionar verdades oficiais" aos "saudosistas da ditadura"- pequenos partidos expõem diferenças.Chega levou cravos verdes. Abril "não é dos cravos verdes ou dos cravos vermelhos", mas de Portugal, diz PSD