Assembleia da República volta a receber sessão solene do 25 de Abril.
Assembleia da República volta a receber sessão solene do 25 de Abril.Foto: Leonardo Negrão

Chega levou cravos verdes. Abril "não é dos cravos verdes ou dos cravos vermelhos", mas de Portugal, diz PSD

Ventura falou nos "esquecidos de Abril". "A coragem está em enfrentar os extremismos", disse Hugo Soares. Líder do PS quer que a Constituição seja estudada na disciplina escolar de Cidanania.
Publicado a
Atualizado a

Tal como seria de esperar, o momento mais aceso da sessão solene foi protagonizado por André Ventura, com o líder do Chega a começar por dizer que o 25 de Abril "não é o dia dos capitães de Abril" e sim "o dia dos capitães de Janeiro, de Fevereiro, de Março".

"É um dia de todos. Nunca aceitaremos que o valor da liberdade seja reduzido", disse Ventura, atacando os deputados que elogiaram os movimentos de libertação dos países africanos, mencionando os guerrilheiros "que matavam soldados portugueses".

"Esta enorme nação não começou numa madrugada de Abril. Começou há muitos séculos", continuou o líder do Chega, apontando para a flor que trazia à lapela. "Este cravo verde é o símbolo da nossa comunidade emigrante no mundo inteiro", disse, sendo aplaudido de pé por toda a sua bancada parlamentar.

Sobre a reforma laboral e reforma do Estado que estão em curso, Ventura disse que "há duas coisas que nunca poderemos aceitar". E enunciou uma reforma que "seja facilitadora da corrupção" ou que "aumente a precariedade dos trabalhadores" como inaceitáveis pelo seu partido.

André Ventura disse que o cravo verde que trouxe é lapela era uma homenagem aos portugueses que emigraram.
André Ventura disse que o cravo verde que trouxe é lapela era uma homenagem aos portugueses que emigraram.Foto: Leonardo Negrão

Referindo-se à "mãe a quem dizem que não pode meter os filhos na creche porque os imigrantes têm prioridade" ou "o casal que quer casa, mas lhe dizem que a câmara só construiu para ciganos", Ventura disse que "há esquecidos de Abril", para os quais "temos que dar resposta", pois "não querem cravos e mais flores", mas sim "ter voz de abril, maio, junho, julho e agosto, porque Portugal é de todos os dias".

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, respondeu a André Ventura, dizendo que Abril "não é dos cravos verdes ou dos cravos vermelhos", sendo, em vez disso, de Portugal.

"Hoje, a coragem está em enfrentar os extremismos, a demagogia e os divisionismos", disse o social-democrata, defendendo que, em tempos de "menos paciência para o diálogo e de mais tentação para o conflito", é preciso coragem para cumprir Portugal.

Referindo-se a questões de atualidade, Hugo Soares disse que "dizer não ao imobilismo é cumprir Abril", ainda que "vencer o marasmo" também implique dizer sim ao aumento de salários e pensões, baixa de impostos sobre trabalhadores e empresas, segurança de pessoas e bens, imigração moderada e diálogo.

Líder parlamentar social-democrata disparou críticas à esquerda e à direita, contrapondo-lhes a moderação.
Líder parlamentar social-democrata disparou críticas à esquerda e à direita, contrapondo-lhes a moderação.Foto: Leonardo Negrão

Para Hugo Soares, "o democrata pleno combate o radicalismo, mas aceita o veredito do povo", definindo-o cmo "o moderado, que não polariza, e antes agrega".

Num discurso terminado com citações de cantores conotados com a esquerda, como Zeca Afonso e Jorge Palma, Hugo Soares rematou com palavras de Ruy de Carvalho, que será homenageado neste sábado pelo primeiro-ministro: "A democracia e a liberdade são as coisas mais belas que um homem pode ter. Por isso é que não entendo possível não ser democrata".

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, recordou as "famílias que choraram as partidas" daqueles que saíram de Portugal durante os tempos da ditadura e a "guia de marcha para combater numa Guerra Colonial perdida, injusta e sem sentido".

"A teimosia colonialista levou o país para 13 anos de guerra responsável por milhares de mortos e de feridos, e para sequelas que ainda hoje persistem", disse Carneiro, referindo-se às vítimas de "um regime anacrónico".

Secretário-geral do PS referiu-se às "desigualdades que persistem" na sociedade portuguesa.
Secretário-geral do PS referiu-se às "desigualdades que persistem" na sociedade portuguesa. Foto: Leonardo Negrão

Por entre referências ao papel de socialistas como Mário Soares, Jaime Gama e António Guterres na integração europeia e na criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, José Luís Carneiro referiu-se ao empenho no "multilateralismo" e à sua convicção de que "sempre que damos uma mão à guerra também faremos parte das suas vítimas".

O secretário-geral do PS apelou a que a Constituição seja estudada na disciplina escolar de Cidanania. "Só assim poderemos combater a demagogia e o populismo que minam a democracia portuguesa", defendeu.

Sobre as "desigualdades que persistem", o "crescimento débil" ou "as instabilidades no acesso à Saúde", Carneiro disse que "Abril continua atual nos desafios de hoje". Em particular, referiu-se ao Pacote Laboral e aos ataques aos imigrantes, que considerou essenciais para a economia portuguesa.

Assembleia da República volta a receber sessão solene do 25 de Abril.
Do "medo de questionar verdades oficiais" aos "saudosistas da ditadura"- pequenos partidos expõem diferenças
Assembleia da República volta a receber sessão solene do 25 de Abril.
Sessão solene do 25 de Abril promete manhã de combate ideológico em São Bento

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt