O discurso de António José Seguro na sessão solene do 52.º aniversário do 25 de Abril foi elogiado por André Ventura, líder do Chega e adversário do atual Presidente da República nas presidenciais do início deste ano."O Presidente da República foi meu adversário, debatemos o tema da corrupção, e ele hoje trouxe esse tema, em pleno discurso do 25 de Abril. Teve coragem. Ser dito pelo Presidente da República foi um momento importante. Também sobre a transparência e o financiamento dos partidos teve uma mensagem importante. Aplaudimos. Discordamos noutras matérias, nomeadamente no que deve ser feito nos próximos meses em termos de governação, mas ele é Presidente da República e não líder partidário", afirmou Ventura, que justificou os cravos verdes com uma referência "às famílias esquecidas" e "aos retornados" e afirmou que "o país deve estar preparado para democracia mais ampla, sem limitações de natureza ideológica"..Chega levou cravos verdes. Abril "não é dos cravos verdes ou dos cravos vermelhos", mas de Portugal, diz PSD. À esquerda, PS, PCP e Bloco de Esquerda aproveitaram a ocasião para criticar o pacote laboral que o Governo se prepara para propor na Assembleia da República."Os jovens são a geração mais precária. São os que têm os salários mais baixos e mais dificuldades no acesso à habitação. São os que enfrentam pressões muito intensas na vida. É preciso que as portas que se abriram e direitos que se conquistaram em Abril tinham consequências práticas na vida. Em vez de nos aproximarmos desse rumo e desses direitos, estamos a afastar-nos. É preciso que direito à habitação, à estabilidade e aos salários sejam uma realidade na vida dos jovens. É preciso que os jovens assumam a concretização deste Abril que está por cumprir. O pacote laboral vem aumenta mais a precariedade. Não serve aos trabalhadores nem ao país", comentou o líder comunista, Paulo Raimundo.Já Eurico Brilhante Dias reconheceu que o pacote laboral é uma medida "democrática", porque será discutida na Assembleia da República, mas que "retira direitos fundamentais aos trabalhadores". O deputado socialista elogiou a "grande intervenção" de Seguro, considerando-a "motivadora" e realçando que "a transparência na vida pública e no combate à corrupção foram temas invocados de forma muito acertada".Também o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, disse que o "discurso do Presidente da República visa casar democracia e liberdade com capacidade material e desenvolvimento económico", mas que em breve o chefe de Estado "terá nas mãos um pacote laboral que prejudicará quem trabalha e eternizar a precariedade". Sobre o tema da transparência no financiamento dos partidos, Pureza frisou que "liberdade e democracia sem escrutínio ficam apodrecidas". "A política e os políticos são para a sociedade, não a sociedade para a política e para os políticos", acrescentou..Apenas 10% das declarações de políticos de 2024 e 2025 foram verificadas pela Entidade para a Transparência . O outro partido de Esquerda, o Livre, preferiu focar-se na mudança do Centro Interpretativo do 25 de Abril do Terreiro do Paço para a Pontinha. "Foi um excelente discurso, que tocou em problemas reais da vida dos portugueses. O 25 de Abril substituiu 48 anos de ditadura. É preciso ter a noção como começaram esses 48 anos de ditadura. Foram massacradas pessoas e os mentirosos aproveitam-se para distorcer a história. Choca-me que o Governo tenha mudado, por mudar, o Centro Interpretativo do 25 de Abril. O 25 de Abril é popular e é para ser relembrado no Terreiro do Paço", afirmou Rui Tavares. Já Inês Sousa Real, do PAN, salienta que "a liberdade deve ser tida com compaixão" e que "Abril não pode ser compatível com violência doméstica, pobreza infantil e alterações climáticas", pelo que ainda há "um longo caminho a percorrer".Mais à direita, João Almeida, do CDS-PP, considerou o discurso de Seguro "interessante" e apontou às reformas. "Do ponto de vista do CDS, é importante que saia uma reflexão sobre o momento que o país vive. É preciso olhar para a revisão constitucional e para as reformas sem qualquer complexo", aditou.Por seu lado, Mariana Leitão, líder da Iniciativa Liberal, vincou que "o 25 de Abril não tem donos" e "é de todos os portugueses", reforçando a necessidade de os portugueses se reverem nos seus representantes..Apelo à transparência nos donativos aos partidos e ataques aos "donos de Abril" marcam sessão solene