Morrer de covid-19 com menos de 30 anos. Porque são raros os casos

A vítima mais jovem do covid-19 em Portugal é uma exceção à regra. Os grupos de risco do novo coronavírus são pessoas com mais de 80 anos e outras patologias associadas.

Um cidadão do Bangladesh, de 29 anos, que estava internado num hospital em Lisboa., é a primeira vítima mortal abaixo dos 30 anos em Portugal. O comerciante, que residia em Lisboa, tinha outras duas patologias associadas, uma das quais era a hipertensão.

Tratava-se de um pequeno empresário, proprietário de um restaurante, hostels e de uma loja de artesanato no centro de Lisboa. Estava internado no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, há um mês.

A morte aconteceu na segunda-feira e o enterro foi esta terça-feira à tarde, no Lumiar, em Lisboa. O resto da família estava bem de saúde.

Antes deste óbito, a faixa etária mais baixa a registar a ocorrência de vítimas mortais tinha sido entre os 40 e os 49 anos de idade (10 mortes).

O relatório da DGS desta terça-feira verifica um óbito na faixa etária entre os 20 e os 29 anos, o que nunca tinha acontecido em Portugal. O subdiretor-geral da Saúde, Diogo Cruz, lamentou todas as mortes - que são no total 1074 -, não adiantando mais pormenores sobre esta situação quando foi questionado pelos jornalistas na habitual conferência diária sobre a epidemia do novo coronavírus que em Portugal já infetou mais de 25 mil pessoas.

O boletim epidemiológico da DGS desta terça-feira refere ainda que das vítimas mortais registadas em Portugal, 721 tinham mais de 80 anos, 216 tinham entre os 70 e os 79 anos, 93 entre os 60 e 69 anos, 33 entre 50 e 59, e 10 entre os 40 e os 49.

Maioria das mortes é de maiores de 80 anos com doenças associadas

A taxa de mortalidade por covid-19 em crianças e jovens é muito baixa em todo o mundo. A maioria das vítimas mortais pertence a camadas da população mais vulneráveis, logo mais expostas à doença.

Como indica a Direção-Geral da Saúde (DGS), os grupos de risco são as pessoas com idade avançada, com mais de 65 anos, com patologias preexistentes, como os imunodeprimidos ou com doenças crónicas, tais como as respiratórias, cardiovasculares, diabetes ou hipertensão. No entanto, apesar de raro, Portugal registou esta terça-feira o primeiro caso de uma vítima abaixo dos 30 anos.

Os boletins epidemiológicos da DGS mostram que o novo coronavírus afeta, sobretudo, os mais idosos. Os dados recentes indicam que em Portugal mais de 80% dos óbitos ocorrem em pessoas com mais de 70 anos. Mas a diretora-geral da Saúde já fez questão de afirmar que "não é nenhuma fatalidade ter doenças e ser idoso". Graça Freitas disse, aliás, que há muitos casos de recuperados nas idades mais avançadas e com comorbilidades.

Na mesma ocasião, no início de abril, Graça Freitas reportou que a maioria das vítimas de covid-19 em Portugal têm mais de 80 anos e apresentam doenças já existentes. A mediana das idades dos óbitos nas mulheres, detalhou a diretora-geral da Saúde, situa-se nos 85 anos e nos homens é de 80 anos,. "Isto está de acordo com a literatura", disse.

Os dados globais da pandemia mostram isso mesmo. Indicam que o risco de ocorrer uma morte por covid-19 tem maior incidência quanto mais elevada for a idade. Até aos 9 anos a incidência é nula, entre os 10 e os 39 anos atinge a taxa dos 0,2%, segundo os números mais recentes do surto do novo coronavírus, tendo como base informação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China (CCDC).

O risco de ocorrer uma fatalidade caso esteja infetado pelo novo coronavírus começa a aumentar a partir da faixa dos 40-49 anos, com uma taxa de 0,4%, indicam os dados do Worldometers.

Jovem de 16 anos morre em França

É raro haver óbitos relacionados com o novo coronavírus nas camadas mais jovens da população, mas França já reportou um caso, o de uma rapariga de 16 anos, que não resistiu à infeção respiratória provocada pela doença. Julie, de 16 anos, perdeu a batalha contra a covid-19, no passado mês de março.

O que tinha começado com uma aparente tosse normal agravou-se e, no espaço de uma semana, o estado de saúde da jovem deteriorou-se e o desfecho foi o pior possível.

O diretor-geral da Saúde francês, Jérôme Salomon, explicou que Julie sofreu uma forma grave do vírus, algo "extremamente raro" entre os jovens.

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