Governo diz que já fiscalizou 261 lares no Alentejo

Secretário de Estado da Saúde afirma que leu relatório da Ordem dos Médicos sobre lar de Reguengos, mas recusa comentar porque o caso está a ser investigado pelo Ministério Público. Nas últimas 24 horas, Portugal registou mais 132 casos e um óbito devido à covid-19. Surto de Mora "é complexo" e estará na origem de outro foco em Montemor-o-Novo.

O secretário de Estado da Saúde chegou nesta segunda-feira à conferência de imprensa para apresentar o boletim epidemiológico sobre a evolução da covid -19 em Portugal preparado para responder à polémica gerada pela entrevista da ministra da Segurança Social ao Expresso que considerou que a dimensão da pandemia nos lares de idosos "não é demasiado grande" e disse não ter lido o relatório da Ordem dos Médicos sobre o lar de Reguengos, onde morreram 18 pessoas, por entender que é uma valência da saúde.

António Lacerda Sales, ainda antes da fase de perguntas, adiantou que equipas compostas por elementos da Segurança Social, da Saúde e da Proteção Civil já visitaram 261 dos 283 lares de idosos na região do Alentejo e que foram elaborados relatórios com as anormalidades detetadas. Porque, frisou, o objetivo é proteger a faixa mais vulnerável ao novo coronavírus, os idosos.

Já quando respondia a uma pergunta direta sobre se tinha lido o relatório da Ordem dos Médicos que levou à abertura de um inquérito na justiça para perceber o que se passou no lar de Reguengos, Lacerda Sales afirmou que o Ministério da Saúde "analisa todos os relatórios e documentos, mas não comenta matéria em investigação pelo Ministério Público." "Quer documentos quer relatório são sempre bem-vindos para apurar responsabilidades para ajudar o governo a melhorar e a proteger as faixas mais vulneráveis", acrescentou.

A ministra da Segurança Social, Ana Mendes Godinho, disse que na entrevista que não faz sentido falar de casos concretos de surtos de covid em lares, nomeadamente a situação ocorrida em Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas, porque está a decorrer um inquérito por parte do Ministério Público e que, por isso, é preciso esperar pelas conclusões.

Mais: a ministra da Segurança Social quis mostrar que a pandemia nos lares tem evoluído no sentido positivo. "Tivemos 365 surtos [em abril] e temos 69 agora. Claramente, temos menos incidência. Temos 3% do total dos lares e temos 0,5% das pessoas internadas em lares que estão afetadas pela doença! A dimensão dos surtos não é demasiado grande em termos de proporção. Mas, claro, isto não significa que não devamos estar preocupados."

"Essa é uma valência da Saúde. E sobre as condições de saúde das pessoas não falo", disse ao semanário. Ana Mendes Godinho considera que o seu papel é o de apoiar e não o de procurar culpados. Lembrou que está a decorrer uma investigação pelo Ministério Público.

"Surto complexo" em Mora. E surto em Ciborro

No Alentejo há um surto de covid-19 que está a preocupar as autoridades - no foco de Mora já fora identificados 42 infetados, mas a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse que este "surto complexo" envolve mais de 300 pessoas, que já foram quase todas testadas.

Graça Freitas respondia ao facto de o presidente da Câmara de Mora, Luís Simão, ter afirmado que este é "um caso de polícia", uma vez que o surto pode ter origem em pessoas contaminadas com o novo coronavírus que visitaram a terra. Segundo a imprensa local, trata-se de um casal que veio de Espanha, o que - a confirmar-se - poderia constituir um crime de propagação da doença.

A diretora-geral da Saúde esclareceu que quer a origem quer a cadeia de transmissão estão ainda a ser investigados. "É precoce fazer afirmações sobre a origem e as cadeias subsequentes."

Graça Freitas adiantou que há um outro surto com 24 casos identificados em Ciborro, no concelho de Montemor-o-Novo, que poderá estar relacionado com o caso de Mora. Neste segundo foco já foram realizados 225 testes.

Segundo o boletim epidemiológico desta segunda-feira, 17 de agosto, nas últimas 24 horas registaram-se mais 132 casos de covid-19 e morreu mais uma pessoa. Ao todo, Portugal regista 54 234 infetados, 39 800 recuperados (mais 103) e​ 1779 vítimas mortais no país.

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