Covid-19. Novas cadeias de transmissão em Portugal "estão a ser investigadas"

Depois da confirmação de dois doentes internados no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, as autoridades de saúde estão ainda a investigar a forma de contaminação e deixam em aberto a possibilidade de existirem mais três ou quatro casos em que não é conhecida a ligação epidemiológica.

Há seis cadeias de transmissão pelo covid-19 no país, no entanto, os novos casos confirmados de doentes internados no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, não integram nenhuma destas ligações epidemiológicas, estando agora a "ser investigada" a associação a uma nova cadeia de transmissão, segundo afirmou a diretora-geral da saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa, no ministério da Saúde, esta quarta-feira à noite.

Durante o ponto de situação diário​​​​​ foram apresentados 59 casos de infeção pelo novo coronavírus, embora tenha sido admitido por Graça Freitas que ao longo do dia de hoje foram identificados mais casos de infeção, que só serão divulgados no boletim da manhã de quinta-feira. Deste número não fazem parte os dois casos confirmados no Hospital de Santa Maria. A diretora-geral referiu ainda que há possibilidade de existirem "mais três a quatro casos" em que também não foi identificada a história epidemiológica para se apurar onde estes doentes poderão ter sido infetados. O que pode significar um aumento do número de infetados e de cadeias de transmissão.

"Não podemos desfocar o nosso foco da epidemia para outras áreas. Temos de nos concentrar na deteção de mais casos, na abertura à tomada de mais medidas e no bom senso de cada um", apelou Graça Freitas.

Tanto a diretora-geral da saúde como a ministra Marta Temido referiram que a evolução da doença em Portugal está a seguir um percurso idêntico ao de outros países: começámos por ter casos infetados e provavelmente iremos ter vitimas mortais, mas quando existirem serão reveladas. A ministra pediu mesmo que confiança nas informações divulgadas pelas autoridades de saúde para não se gerar situações de boatos alarmistas. Graça Freitas referiu que temos de combater a pandemia do coronavírus e não permitir que entre na sociedade a "epidemia do medo".

"Estamos numa epidemia e numa epidemia os casos estarão sempre a aumentar, como nos outros países. A que ritmo, não sei", assumiu Graça Freitas.

Neste momento, Portugal encontra-se a "adotar medidas mistas" das fases de contenção e de mitigação. "A epidemia não nos permite separar nitidamente o que é a fase de contenção e o que é a fase de mitigação. Estamos a aprender e a melhorar todos os dias", diz a diretora-geral. Esta quarta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aumentou o nível de emergência internacional de epidemia para pandemia. Embora esta designação não altere as medidas que os países já tinham assumido. "A OMS limitou-se a formalizar uma situação que já existia", disse Graça Freitas.

Fecho das escolas só com aval das autoridades de saúde

O encerramento das escolas era um dos assuntos mais esperados desta conferência, depois de o Conselho Nacional de Saúde Pública ter estado reunido com vários membros do governo, durante mais de cinco horas, esta tarde. Mas as dúvidas irão subsistir por mais um dia. A decisão será tomada esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, anunciou o primeiro-ministro. António Costa garantiu a disponibilidade do governo para tomar uma atitude conforme a recomendação deste órgão, cujo parecer passa por só encerrar "com autorização expressa das autoridades de saúde".

"Só se justifica o encerramento total ou parcial de estabelecimento de ensino público ou privado com autorização expressa das autoridades de saúde", disse Jorge Torgal, membro do Conselho Nacional de Saúde Pública, na conferência de imprensa desta quarta-feira à noite. Se o Conselho Ministros decidir seguir a recomendação, a situação continuará a ser analisada caso a caso, como tem acontecido até então.

A Direção-Geral de Saúde mostrou estar de acordo com esta decisão. "Nesta fase, com esta realidade, o que faz sentido é as autoridades de saúde em cada local. E em cada região analisarão a situação e poderão determinar o encerramento de escolas na área", afirmou.

Isolamento é para ser cumprido

Nas declarações aos jornalistas, a diretora-geral e a ministra da saúde - questionadas sobre o facto das universidades e de algumas escolas terem já suspendido o normal funcionamento das aulas e de haver muitos estudantes nas praias e noutros locais de convívios - disseram que o isolamento é para ser cumprido. É uma medida profilática, de prevenção e contenção, e se é assumida é para respeitar.

"É evidente que as pessoas que estão em isolamento devem permanecer em casa. Isto não significa férias escolares. A situação em que nos movemos é de muita incerteza e só como um todo conseguiremos vencer o vírus", sublinhou Marta Temido.

Reforço da LAM

Questionadas sobre o contributos dos mil profissionais que responderam ao apelo da Ordem dos Médicos para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no combate ao novo coronavírus, Graça Freitas declarou que estes vão - pelo menos numa primeira fase - reforçar a Linha de Apoio ao Médico (LAM). Esta linha telefónica serve para apoiar os profissionais em caso de duvida e para validar os casos positivos e encaminhá-los para as unidades de saúde e nas últimas semanas têm recebido inúmeras queixas por falta de resposta.

Os últimos dados disponíveis relativos à propagação do covid-19 no mundo apontam para 126 mil infetados, 4616 mortos e 67057 recuperados.

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