Covid-19. OMS declara pandemia. "A contenção tem que continuar a ser o pilar mais forte" do combate

Organização Mundial de Saúde faz questão de sublinhar que nova declaração não muda em praticamente nada os procedimentos até agora adotados.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, esta tarde, que o surto do novo coronavírus atingiu o nível de pandemia. Em conferência de imprensa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, indicou que esta medida está relacionada com a expectativa de que nos próximos tempos o número de infetados e de mortos pelo novo coronavírus continue a aumentar. Mas que esta caracterização "não muda nada aquilo que a OMS está a fazer e as medidas que devem ser implementadas pelos países", explicou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O diretor-geral da OMS relembrou que "a contenção tem que continuar a ser o pilar mais forte" do combate ao coronavírus. Até porque nem todos os países atingiram a fase de mitigação (quando há contágio instalado na comunidade). 90% dos casos de infeção concentram-se em quatro países (China, Itália, Coreia do Sul e Irão). Os últimos dados apontam para mais de 118 mil contagiados distribuídos por 114 países e 4291 mortos. "A OMS está a avaliar o surto 24 horas por dia e estamos profundamente preocupados com os níveis alarmantes de disseminação e de inação".

"Do ponto de vista médico, já era um risco pandémico, já usávamos palavras como zonas endémicas, e [o covid-19] estava a ser tratado como tal", explicou, ao DN, Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).

Para o médico, a declaração de pandemia pela OMS não é uma surpresa. No entanto, considera que do ponto de vista económico e social pode haver alterações das decisões políticas, nomeadamente, ao nível dos apoios laborais e às empresas.

Na segunda-feira, a OMS já tinha admitido que a ameaça de pandemia se tinha tornado "muito real", depois do número do número de doentes ter ultrapassado os cem mil contágios. "Mas esta pode ser a primeira pandemia na história que seremos capazes de controlar", dizia, Tedros Ghebreyesus.

"Pandemia não é para ser usada de forma leve"

"A descrição da situação como uma pandemia não altera a avaliação da OMS da ameaça representada por esse coronavírus. Não muda o que a OMS está a fazer, nem o que os países devem fazer", disse o responsável da OMS.

"Pandemia não é uma palavra para ser usada de forma leve ou descuidada. É uma palavra que, se mal utilizada, pode causar medo irracional ou aceitação injustificada de que a luta acabou, levando a sofrimento e morte desnecessários", acrescentou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Nos últimos dez anos, a OMS só avançou com um alerta pandémico uma vez. Foi com a gripe das aves H1N1 - conhecida como Gripe A -, em 2009. Depois disso, apenas usaram a designação de emergência internacional, com o vírus Ébola, em 2013, com o ressurgimento da Polio, em 2014, e com o Zika, em 2016.

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