Aulas na TV e no Youtube. O que esperar da nova telescola?

O primeiro-ministro e o ministro da educação estiveram esta quarta-feira nos estúdios da RTP, em Lisboa, para apresentar oficialmente o #EstudoEmCasa. A iniciativa prevê a transmissão de aulas na TV já a partir da próxima segunda-feira para alunos até ao 9.º ano.

"Qual destas imagens corresponde a um recurso natural renovável?" - aguarda-se em silêncio pela resposta que estará a correr na cabeça dos alunos. "Parabéns. É isso mesmo", congratula a professora de Ciências que grava a sua aula nos estúdios da RTP, como demonstrado esta quarta-feira de manhã. É uma amostra do que esperar da nova telescola, agora designada #EstudoEmCasa e em moldes distintos àqueles que o país conheceu entre 1965 e 2000.

O final do 2.º período denunciou a falta de preparação das escolas para enfrentar os atuais desafios, com cerca de 50 mil alunos sem recursos (computador ou internet) e professores sem formação para aplicar o ensino à distância. Por isso, o governo anunciou na semana passada que todo o ensino até ao 9.º ano será agora reforçado com o apoio televisivo de conteúdos pedagógicos.

"A vida não pode parar. Tem é de seguir de outra forma", frisou o primeiro-ministro, esta quarta-feira, em visita aos estúdios da RTP, onde decorreu a apresentação oficial da iniciativa. Esta alernativa cedida aos alunos e professores "é muito importante sobretudo nas zonas onde os recursos digitais não são acessíveis", permitindo "acesso direto pela televisão" e sem "sequer ser preciso voltar a sintonizar os canais", acrescentou em declarações à RTP.

A transmissão terá início a partir de 20 de abril, na próxima segunda-feira. E só servirá do 1.º ao 9.º ano de escolaridade. No ensino secundário, "é tal a diversidade de disciplinas" que não será possível recorrer ao meio televisivo para apoiar as aulas.

"Mais do que aulas, são blocos pedagógicos", disse o ministro da Educação também esta quarta-feira, que seguiu ao lado de António Costa. O restante e principal trabalho, como lembrou o primeiro-ministro, continuará ao encargo dos professores, que voltou a elogiar. A "capacidade extraordinária de a escola se reinventar" de um dia para o outro, disse. E o ministro Tiago Brandão Rodrigues avança mesmo que estes profissionais têm agido como "verdadeiros heróis".

A iniciativa resulta de uma parceria entre a RTP, a Fundação Gulbenkian e o Ministério da Educação.

Onde e quando ver?

Os conteúdos da nova telescola serão transmitidos diariamente (em dias úteis), no canal RTP Memória - acessível por cabo, satélite e também através da televisão digital terrestre. "Teremos atividades letivas por blocos de dois anos, começando com o 1.º ano até chegar ao 9.º, mais ao fim da tarde", explicou o primeiro-ministro, já na semana passada.

A grelha com os horários das aulas já se encontra disponível. Trata-se de "uma grelha continuada para que todos possam assitir", considerando famílias com um ou mais filhos em anos diferentes de escolaridade", lembrou o ministro da Educação, esta quarta-feira.

Uma equipa de vários professores de diversas disciplinas terá ao seu encargo aulas de meia hora. E Gonçalo Madaíl, coordenador deste projeto da RTP, admite que houve uma preocupação em para que "os professores possam sentir que a sua aula não é apenas uma missão oratória". "Foi importate criar uma dinâmica de emissão", disse durante a apresentação oficial do #EstudoEmCasa.

O cenário, que tem lugar no estúdio do programa Preço Certo, será versátil, adaptado aos vários conteúdos.

Para o pré-escolar, a iniciativa é outra. Também na RTP 2 haverá uma programação especial de manhã para crianças dos 3 aos 6 anos.

Além disso, o Ministério da Educação desafiou os professores a disponibilizarem aulas em vídeo através de cinco novos canais criados na plataforma Youtube, permitindo que fiquem acessíveis à comunidade educativa alargada. Na quinta e sexta-feira desta semana, estes docentes poderão participar numa sessão online, cujo objetivo é capacitá-los com as metodologias que melhor se adequam à plataforma. Para isso, contarão com o apoio de técnicos das entidades parceiras. Nestes canais será ainda possível rever os conteúdos transmitidos ao longo do dia na RTP Memória.

Mas ainda faltam dados para tranquilizar a comunidade educativa. Os professores exigem mais informações sobre o conteúdo a ser lecionado nas aulas na TV, para poderem articular com aquele que preparam lecionar no último semestre do ano letivo à distância. Em resposta às preocupações, o ministro da Educação disse esta manhã que ser "impossível que o professor acerte no local exato" em que as turmas se encontram a nível pedagógico.

O primeiro-ministro reforçou esta quarta-feira o compromisso de garantir que no próximo ano letivo o acesso ao digital será assegurado a todos os alunos. "Para que todos, estejam onde estejam, vivam onde vivam, possam ter acesso aos meios digitais."

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