Seis mortos por covid-19 têm mais de 60 anos, mas maioria dos casos são jovens

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde regista, nas últimas 24 horas, mais seis mortes. Todas entre pessoas com mais de 60 anos. No entanto, a maioria dos novos infetados tem entre 30 e 39 anos e 20 e 29 anos.

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram mais seis pessoas e foram confirmados mais 345 casos de covid-19 (um aumento de 0,9% face ao dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta terça-feira (23 de junho), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 39737 infetados, 25829 recuperados (mais 281) e 1540 vítimas mortais no país.

Todos os seis novos óbitos dizem respeito a pessoas com mais de 60 anos, que vivem na região de Lisboa e Vale do Tejo. Duas tinham entre os 60 e os 69 anos; duas entre os 70 e os 79 e outras duas com mais de 80. No entanto, um olhar mais atento aos infetados nas últimas horas por idade mostra que os infetados concentram-se principalmente entre os adultos mais jovens.

A faixa etária em que existem mais contágios no boletim de hoje é a dos 30 aos 39 anos - registaram-se mais 69 casos. Segue-se os jovens entre os 20 e os 29 anos (mais 67 infeções) e os adultos ente os 40 e os 49 (mais 62).

Pelo contrário, entre os mais velhos confirmaram-se 21 casos entre pessoas com mais de 80 anos, 12 em cidadãos com 70 a 79 anos e 26 entre os 60 e os 69.

Em entrevista ao DN, esta terça-feira, o psiquiatra especialista em adolescência Daniel Sampaio, dizia a propósito dos ajuntamentos entre jovens dos últimos dias que podem potenciar o contágio: "É preciso falar com os jovens diretamente, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem tentado isso, mas é preciso que os organismos da saúde se reúnam com associações juvenis e vão onde os jovens estão para passar a mensagem que é: saiam, estejam com os amigos e os namorados ou namoradas, mas em grupos pequenos, mantendo o distanciamento e protegendo-se"

"A noção de risco para um adolescente é completamente diferente da de um adulto, mas temos que chamar a atenção para o risco usando o facto de infelizmente haver jovens com doença grave internados nos hospitais", acrescentou Daniel Sampaio.

87% dos novos casos na Grande Lisboa. Norte desce, Alentejo sobe

299 dos 345 novos infetados (87%) têm residência na região de Lisboa e Vale do Tejo. Tal como os seis óbitos registados nas últimas 24 horas. O que motivou medidas restritivas adicionais para a zona da Grande Lisboa (descritas abaixo).

Os restantes casos notificados distribuem-se pelo Alentejo (mais 21 infetados), pelo Norte (mais nove), pelo Centro (nove) e pelo Algarve (sete).

No dia anterior, a região do Norte tinha confirmado mais 71 pessoas infetadas com covid-19 e o Alentejo mais duas. Hoje a tendência inverteu-se.

As regiões que apresentaram sempre números menos significativos (o Alentejo e o Algarve) tiveram, nos últimos dias, um aumento da sua taxa de crescimento na sequência de surtos localizados. No caso do Alentejo, está ativo um foco num lar em Reguengos de Monsaraz, onde há cerca de 70 infetados. No Algarve, uma festa ilegal em Odiáxere (concelho de Lagos) causou, pelo menos, 111 novos casos na última semana.

Esta terça-feira, o número de hospitalizações voltou a subir. Estão internados 441 doentes (mais 17 que ontem), sendo que destes 72 encontram-se nos cuidados intensivos (exatamente o mesmo número que no dia anterior).

a taxa de letalidade global do país encontra-se hoje nos 3,9%, subindo aos 16,7% no caso das pessoas com mais de 70 anos - as principais vítimas mortais da pandemia.

O boletim da DGS indica ainda que aguardam resultados laboratoriais 1759 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 30 mil. Neste momento, há 12 368 doentes portugueses ativos. Sendo que o sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 38% dos doentes), seguida da febre (29%) e de dores musculares (21%).

Restrições na Grande Lisboa para travar surtos e crime de desobediência para quem desrespeitar o confinamento

Os municípios de Amadora e Odivelas manter-se-ão em situação da calamidade, mesmo que esta seja revista no resto do país durante a próxima semana, os ajuntamentos com mais de dez pessoas estão novamente proibidos na área da Grande Lisboa e quem violar a regra pode ser multado. Os estabelecimentos comerciais passam a ter de fechar às 20 horas (com exceção dos restaurantes, que podem ficar abertos, mas só para refeições), de acordo com o diploma aprovado esta segunda-feira em Conselho de Ministros, publicado em Diário da República já ao final da noite.

Horas antes o primeiro-ministro comunicou ao país que a região de Lisboa e Vale do Tejo iria aumentar as restrições para combater os surtos de covid-19 que se localizam essencialmente em 15 freguesias, segundo o governante. A decisão foi tomada numa reunião no Palácio de São Bento, em Lisboa, que juntou membros do Governo e autarcas dos concelhos mais afetados pela pandemia.

O desrespeito pelas regras que visam conter o surto de covid-19 é considerado, desde as 00.00 horas de hoje, como crime de desobediência. António Costa avisou que as forças policiais vão passar a estar mais presentes e a multar quem infringir as regras - o quadro de contraordenações será aprovado na próxima quinta-feira.

O Código Penal prevê que quem "faltar à obediência devida a ordem ou a mandado legítimos, regularmente comunicados e emanados de autoridade ou funcionário competente, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias".

474 mil mortes por covid no mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 9,2 milhões de pessoas no mundo inteiro, até esta terça-feira às 09:46, segundo dados oficiais. Há agora 4,9 milhões de recuperados e 474 799 mortes a registar.

No total, os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (2 388 225) e de mortes (122 611). Em termos de número de infetados, seguem-se o Brasil (1 111 348) e a Rússia (599 705). Portugal surge em 34.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (51 407). Seguem-se o Reino Unido (42 647) e a Itália (34 657).

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