Os eventos do 25 d’Abril no Mali, são inéditos na dimensão, mas cópia do erro cometido em 2013, quando o MNLA, Movimento Nacional de Libertação de Azawad, se aliou aos islamistas do Ansar Eddine, na ânsia da independência do Azawad, a província de maioria tuaregue, no Norte.Em 2026 o mesmo movimento de libertação, coordenou-se com o JNIM, Grupo de Apoio aos Muçulmanos e ao Islão, afiliado do AQMI, a Al Qaeda do Magrebe Islâmico, com uma divisão, mais ou menos organizada, cujos objectivos do norte, focados na independência, são objectivos exclusivos dos Ifoghas de Kidal. Diferentes, portanto, dos objectivos islamistas. No entanto, era o JNIM que negociava a rendição dos russos, baseados em Kidal, domingo à tarde.O JNIM, concentrou os seus ataques na capital Bamako e no aquartelamento de Kati, onde fica a Academia Militar e o PR interino dorme. O ministro da Defesa, Sadio Camara, perdeu a vida num ataque a sua casa, precisamente neste perímetro exclusivo.Esta aliança contra-natura, teve o alcance operacional desde o estratégico eixo Bamako-Kati, até Kidal, passando por Gao, Mopti e Sévaré. De momento, o Mali encontra-se em suspenso, tal qual Ormuz!E agora?Ao nível interno, no seio da “aliança povo-MFA”, o povo deverá reconhecer que foi enganado. Os militares não fizeram melhor que os civis, que substituíram, e os russos não são mais tecnológicos que os franceses! A grande conclusão é: a expulsão dos franceses, obliterou todo um sistema de recolha e circulação de informações, que deixou os malianos às escuras, no que toca ao principiis obsta, que deve guiar todos/as que trabalham a prospectiva e já trabalham no 25 d’Abril de 2027, desde o ano passado! O vazio deixado pelos sorrisos e maços de notas franceses é total e o Mali confronta-se agora com a partição efectiva, para quem, a partir de Bamako, nunca quis discutir a solução federal.Ainda internamente, veremos como as diversas confederações tuaregues, responderão perante este ascendente Ifoghas, em aliança com um grupo terrorista que todos os tuaregues combateram! Por outro lado, veremos também como reagirão fulas e songhais, principais fatias étnicas e sociais, no caldeirão maliano.Externamente, aqui está a oportunidade argelina, para regressar ao Sahel enquanto elemento musculado, que possa impor um mínimo de seriedade e objectividade nesta salada. É imperativo que o Azawad, não fique sob orbita islamista, mas também é imperativo que Bamako, também não fique refém dos mesmos. É este o jogo, que abrirá por sua vez, uma disputa entre Rabat, em Bamako, e Argel, em Kidal. Só os islamistas não podem ganhar! Escreve de acordo com a antiga ortografia