O golo de João Neves frente à RD Congo.
O golo de João Neves frente à RD Congo.MIGUEL A. LOPES/LUSA

“Peso” e “medo “ no jogo de arranque congelam quinas

Nos sete arranques deste século, Portugal só venceu duas vezes e o próprio selecionador reconheceu receio coletivo por estar a ganhar.
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Está identificada a dificuldade de Portugal convencer em arranques em Mundiais e o empate com a República Democrática do Congo voltou a mostrar que a pressão do favoritismo afeta no começo dos grandes certames. Pela quinta vez neste século, Portugal não foi capaz de ganhar o primeiro encontro. Depois do triunfo por 1-0 face a Angola, na Alemanha, em 2006, em que a equipa também sentiu dificuldades e ouviu críticas pelo curto resultado depois de ser finalista no Europeu de 2004, Portugal só venceu o primeiro jogo na edição de 2022, no Qatar, também com sofrimento, num 3-2 contra o Gana.

Há pressão acrescida notória no começo das fases finais. Depois do bom Europeu de 2000, com chegada às meias-finais, as Quinas perderam com os Estados Unidos por 3-2, com três golos encaixados em 30 minutos na Coreia do Sul. Em 2010, Portugal empatou 0-0 com a Costa do Marfim na África do Sul, foi goleado por 4-0 pela Alemanha, em 2014, no Brasil, e igualou com a Espanha a três golos, em 2018, o único empate que pode ser considerado um resultado positivo por ser contra um adversário direto ao apuramento.

Na estreia em Mundiais, como António Simões disse ao DN na antevisão a este certame, em 1966 não havia pressão porque a Hungria era favorita e Portugal venceu por 3-1, iniciando a caminhada, ainda hoje recorde nacional, para o terceiro lugar. 20 anos depois desse jogo em Inglaterra, Portugal derrotou por 1-0 os britânicos no México, mas perdeu os dois seguintes, caindo na fase de grupos.

No fim do jogo contra a República Democrática do Congo, Roberto Martínez reconheceu que a equipa teve dificuldade em lidar com o favoritismo. Falou em “medo de perder a vantagem no marcador”, identificando que, depois do 1-0, houve “emoção de querer ganhar o Mundial”. A pressão é para rechaçar. “Não precisamos do peso nas costas de querer ganhar o Mundial”, advertiu Martínez. Em entradas em falso, foi a segunda vez que Portugal marcou primeiro e não conseguiu vencer. O empate, porém, não compromete ainda. Tanto em 2010 e 2018 seguiu em frente após igualdades nos arranques.

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