Senadora atacou Kylian Mbappé após vitória francesa na sexta-feira
Senadora atacou Kylian Mbappé após vitória francesa na sexta-feiraFoto: SARAH YENESEL / EPA

"O mais instruído que ouvia eram os chimpanzés", diz senadora paraguaia. Mbappé a chama de "desprezível"

"Um camaronês colonizado, a fingir com toda a força que é francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio", lê-se em publicação de Celeste Amarilla na rede social X.
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O capitão da seleção francesa de futebol, Kylian Mbappé, acusou a senadora paraguaia Celeste Amarilla de racismo. A acusação aconteceu após a política ter chamado o jogador de "camaronês colonizado" e que "o mais instruído que ouvia eram os chimpanzés".

Após a derrota do Paraguai por 1-0 frente à França na passada sexta-feira, Amarilla partiu para a rede social X para atacar a estrela dos franceses. "O bruto nem sequer aprendeu a escrever, em vez do leite materno chupava cocos", lê-se numa publicação da política sobre o jogador que marcou o penalti da vitória da seleção francesa.

"Um camaronês colonizado, a fingir com toda a força que é francês, ressentido, novo-rico, arrogante e feio", escreveu noutra. "Esteve nervoso e a morrer de medo durante todo o jogo, tal como toda a sua equipa", acrescentou.

A resposta de Mbappé surgiu na mesma rede social, publicando uma foto de Celeste Amarilla. e dizendo que é "uma mulher desprezível e indigna do seu cargo" e que "não representa o Paraguai, este país que demonstrou paixão e honra ao longo de toda a competição".

O jogador deixou uma palavra de apoio à seleção do Paraguai."Devido à sua imprudência e ao seu racismo descarado, o mundo inteiro já esqueceu a trajetória e o esforço histórico que os seus jogadores realizaram durante este Mundial, dando lugar a uma senhora incompetente que transmite a pior imagem possível do seu país", acrescentou o avançado francês, deixando ainda uma mensagem para o futuro. "Nunca permitirei que pessoas como ela tenham a liberdade de propagar o seu ódio e o seu racismo pelo mundo", acrescentou.

Federação Francesa de Futebol vai levar caso à justiça

A Federação Francesa de Futebol (FFF) também se pronunciou sobre o caso envolvendo o seu jogador. Sublinhou que "as declarações racistas" de Celeste Amarilla são "totalmente abjetas e inaceitáveis".

"Como é possível proferir um discurso destes? Estas declarações são criminosas e condenáveis. Devem ser alvo de ação judicial, tanto aqui como noutros países", lê-se num comunicado publicado no site da federação, que promete ainda "apresentar uma queixa ao Ministério Público".

"A Federação dá todo o seu apoio ao seu capitão, aos seus jogadores e, de um modo mais geral, a todas as vítimas de tais comentários odiosos. Mais do que nunca, a FFF tenciona lutar contra o racismo e todas as formas de discriminação", sublinhou ainda a entidade, acrescentando que "estas declarações desonram quem as profere e quem as divulga". "Os jogadores da Seleção Francesa representam a França; é o nosso país que está a ser insultado", vincam.

Senadora acusa Mbappé de "violência de género"

A resposta de Amarilla fez-se num longo comunicado em formato de carta aberta em francês partilhada nas redes sociais. Dirigindo-se ao jogador, a senadora insiste que o problema é entre ela e ele e que "nunca disse nada contra a França".

Lembrando que estudou num colégio francês durante a sua escolaridade, a política disse que o problema era mesmo ele. "A tua arrogância e o teu desdém irritam-me imenso desde antes do jogo", continuou, lembrando as declarações de Mbappé que prometeu "meter as mãos na merda" em caso disso, referenciando a necessidade de jogar sujo caso seja preciso.

"Nós não somos estúpidos, compreendemos perfeitamente que a "merda" era a seleção paraguaia e que a seleção paraguaia somos todos nós", continuou. "Todo o Paraguai ficou em silêncio, incluindo eu. Nós aguentámos".

As críticas prolongaram-se ainda mais, incluindo sobre a falta de cumprimento do jogador ao guarda-redes paraguaio, Orlando Gill. "A mim, isso magoou-me, magoou todo o meu país, e muito. A França devia repreender-te por isso, porque é um país de cavaleiros, com séculos de história e de 'savoir-faire'", escreveu.

Apesar de admitir que os insultos dela possam ter incomodado, a política justifica com o "sangue mestiço" que lhe corre nas veias e arrependeu-se dos insultos. "Agora, exijo que também te retrates e que me peças desculpa. Eu também não vou tolerar a tua violência; não me conheces, não fazes ideia de quem sou e não tens qualquer direito de dizer que sou uma mulher desprezavel, indigna do cargo que exerço", continuou, perguntando quem é o jogador para lhe chamar de "indigna ou desprezível".

Por fim, acusou o francês de "violência de género" pela crítica. "Violência de género pura e simples!!! Violência política contra uma mulher que chegou até aqui graças ao voto popular do seu povo. Justamente, desprezas-me por causa do género, precisamente ofendes-me porque sou mulher", disse ainda.

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