Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky
Presidente ucraniano, Volodymyr ZelenskyGIAN EHRENZELLER/EPA

Zelensky vê fim da guerra como uma vitória para Donald Trump. Novas negociações na próxima semana em Genebra

Presidente ucraniano admitiu a possibilidade de um referendo sobre o plano de paz que incluiria a perda de territórios ocupados por Moscovo, além da realização de eleições presidenciais.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse esta sexta-feira, 13 de fevereiro, que a maior vitória para o homólogo norte-americano, Donald Trump, seria "parar a guerra" que começou em 2022 com a invasão da Rússia. Entretanto, do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov anunciou que as negociações entre a Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos para pôr fim à guerra vão deslocar-se para Genebra na próxima semana.

"Acredito que não haveria maior vitória para (Donald) Trump do que travar a guerra entre a Rússia e a Ucrânia", disse Zelensky em entrevista à publicação norte-americana The Atlantic.

Segundo Zelensky, a situação mais vantajosa para Donald Trump seria alcançar o fim da guerra na Ucrânia antes das eleições intercalares norte-americanas que se realizam em novembro.

"Sim, ele quer menos mortes. Mas, falando como adultos, seria uma vitória para ele, uma vitória política", argumentou, referindo-se ao que disse ser impacto positivo para Trump e para o Partido Republicano caso seja alcançado um acordo entre Kiev e Moscovo para pôr fim ao conflito.

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Mais 2600 edifícios em Kiev ficaram sem aquecimento após "ataques maciços" russos

O chefe de Estado ucraniano explicou que a tática das autoridades de Kiev é impedir que os norte-americanos pensem que a Ucrânia quer continuar a guerra.

Zelensky referiu-se também à possibilidade de realização do referendo sobre o plano de paz que incluiria a perda de territórios ocupados por Moscovo, além da realização de eleições presidenciais na Ucrânia, as primeiras desde 2019.

O presidente da Ucrânia indicou que concordaria com esta possibilidade, pois ajudaria, afirmou, a aumentar a participação eleitoral e dificultaria a contestação dos resultados por parte de Moscovo.

Por outro lado, Zelensky reconheceu que a possibilidade de transformar algumas zonas de Donetsk numa zona de comércio livre é algo que "não entusiasma" Kiev.

As negociações entre a Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos para pôr fim à guerra na Ucrânia vão deslocar-se para Genebra na segunda e terça-feira da próxima semana, e o conselheiro do Kremlin, Vladimir Medinsky, vai liderar a delegação russa, segundo avançou esta sexta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

De acordo com a Reuters, o regresso de Medinsky, que liderou a equipa russa em negociações anteriores na Turquia em 2022 e novamente no ano passado, pode sinalizar que a Rússia espera que o foco se desloque para além das questões de segurança para pontos de discórdia mais amplos entre os lados em conflito.

Estas negociações seguem-se a duas rondas anteriores em Abu Dhabi, nas quais a equipa russa foi liderada por Igor Kostyukov, chefe dos serviços de informação militar.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014 anexando a Península da Crimeia e lançou uma ofensiva de grande escala contra todo o território ucraniano em fevereiro de 2022.

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Zelensky pressionado a convocar eleições e referendo a plano de paz

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