Pressionado pelos EUA, cujo presidente Donald Trump quer pôr um fim à guerra na Ucrânia o mais rapidamente possível, Volodymyr Zelensky estará a planear convocar eleições presidenciais para 15 de maio. Segundo o Financial Times (FT), que avançou a notícia em exclusivo, o presidente ucraniano deveria anunciar o escrutínio no próximo dia 24, quarto aniversário da invasão russa, e aproveitaria a ida às urnas para realizar também um referendo a um eventual plano de paz com a Rússia. A confirmar-se, esta decisão seria uma viragem de 180 graus em relação a tudo o que Zelensky sempre disse. O presidente ucraniano, cujo mandato devia ter terminado em maio de 2024, tem repetido que é impossível a Ucrânia ter condições para organizar eleições enquanto estiver sob lei marcial, enquanto houver milhões de ucranianos deslocados e enquanto cerca de 20% do território estiver sob ocupação russa. Segundo autoridades ucranianas e ocidentais e outras pessoas familiarizadas com o assunto, citadas pelo FT, Zelensky terá contudo mudado de posição, pressionado pela Casa Branca que pretende concluir as negociações de paz entre a Ucrânia e a Rússia na primavera. O próprio Zelensky não confirmou nem desmentiu esta intenção nas intervenções que fez ontem. Questionado pela agência Ukrinform, o gabinete do presidente ucraniano não se comprometeu, afirmando apenas que não se opõe à realização de eleições, desde que as condições de segurança sejam garantidas. Outra fonte do mesmo gabinete, ouvida pelo Kyiv Independent garantiu que Zelensky não planeia anunciar nem eleições nem um referendo no próximo dia 24. “Quando não há segurança, não há nada mais”, disse a mesma fonte.A Ucrânia está sob lei marcial desde a invasão russa, o que impede legalmente a realização de eleições ou referendos. As últimas presidenciais tiveram lugar em 2019, com o escrutínio previsto para 2024 a ter sido adiado devido à guerra. Zelensky tem prolongado a lei marcial a cada três meses - a última extensão termina a 4 de maio. No dia em que o Parlamento Europeu aprovou um empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, Zelensky escreveu no X que os recentes ataques da Rússia à Ucrânia demonstram que a segurança é a principal preocupação de Kiev e que todas as outras questões devem ser abordadas em paralelo. “Enquanto a Rússia continuar a matar pessoas e a destruir as nossas infraestruturas, não haverá confiança pública suficiente, mesmo numa diplomacia ativa”, escreveu o presidente ucraniano.Em declarações à Bloomberg, Zelensky anunciou ainda que a próxima ronda de negociações entre Ucrânia, Rússia e EUA se vai focar na questão delicada das concessões territoriais exigidas por Moscovo. Avançando que poderão acontecer na próxima semana, o chefe do Estado ucraniano admitiu no entanto ainda não ser certo que os russos concordem que os encontros se realizem nos EUA.Entretanto, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, que falou aos jornalistas antes de um encontro dos ministros da Defesa da Aliança, lembrou o que viu quando esteve em Kiev há dias. “O presidente Putin está a tentar vergar o povo da Ucrânia, na esperança de enfraquecer a sua determinação. Mas a Ucrânia e o povo ucraniano têm demonstrado repetidamente que não se irão vergar”, afirmou o neerlandês que, sobre a possibilidade de Zelensky convocar eleições optou por não comentar, afirmando antes que “cabe aos ucranianos decidir o que podem aceitar em termos de acordo de paz”..Junho é o prazo dado por Washington para acordo entre Kiev e Moscovo, afirma Zelensky