Risco de guerra na Europa "nunca foi tão elevado", alerta MNE francês. Kremlin diz que Zelensky não quer a paz

Presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que a UE "está disposta a trabalhar com os parceiros europeus e outros aliados no plano de paz para a Ucrânia".
Risco de guerra na Europa "nunca foi tão elevado", alerta MNE francês. Kremlin diz que Zelensky não quer a paz
EPA/NEIL HALL/POOL

Zelensky: "Aqueles que querem negociar não atacam deliberadamente civis com mísseis balísticos"

O presidente ucraniano acusou esta segunda-feira a Rússia de não querer a paz e afirmou que o seu país "está a lutar pela vida normal e segura que merece, por uma paz justa e fiável".

"Aqueles que querem negociar não atacam deliberadamente civis com mísseis balísticos", afirmou Volodymyr Zelensky.

"Queremos que esta guerra termine, mas a Rússia não quer, e continua o seu terror aéreo", acusou.

"Na última semana, mais de 1050 drones de ataque, quase 1300 bombas aéreas e mais de 20 mísseis foram lançados contra a Ucrânia para destruir cidades e matar pessoas", exemplificou o presidente ucraniano na rede social X, onde divulgou um vídeo que mostra a destruição provocada pelos ataques de Moscovo dos últimos dias.

Zelensky declarou ainda que "para forçar a Rússia a parar com os ataques" à Ucrânia, é necessário "uma maior força coletiva do mundo".

E enumerou o que deve ser feito para acabar com a "agressão russa". "Reforçar a nossa defesa aérea, apoiar o nosso exército e assegurar garantias de segurança efetivas que tornem impossível o regresso da agressão russa - é nisto que nos devemos concentrar".

"O regime de Kiev e Zelensky não querem a paz", acusa o Kremlin

O Kremlin reagiu nesta segunda-feira à iniciativa europeia para a resolução do conflito na Ucrânia.

"Em Londres foram feitas declarações sobre a necessidade de garantir urgentemente um maior nível de financiamento para a Ucrânia. Isso claramente não é para um plano de paz, mas para a continuação das ações militares", disse Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin.

O representante russo afirmou ainda que as recentes declarações do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, na Casa Branca, mostram que Kiev não está disposta a negociar uma solução para o conflito.

"O regime de Kiev e Zelensky não querem a paz. Eles querem que a guerra continue. Nesse sentido, os esforços de Washington e a disposição de Moscovo não serão suficientes", prosseguiu, acrescentando: "O regime de Kiev rejeita qualquer tentativa de resolver o conflito através de negociações."

Risco de guerra na Europa "nunca foi tão elevado", alerta ministro dos Negócios Estrangeiros francês

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, alertou esta segunda-feira para o risco de guerra na Europa devido ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

"O risco de guerra no continente europeu, na União Europeia, nunca foi tão elevado porque, durante quase quinze anos, a ameaça continuou a aproximar-se de nós, a linha da frente continuou a aproximar-se de nós", disse o chefe da diplomacia francesa, referindo-se à guerra na Ucrânia, em declarações à rádio France Inter.

"Estamos gratos por todo o apoio que recebemos dos EUA", reitera Zelensky

Volodymyr Zelensky voltou a expressar gratidão pelo apoio dos EUA à Ucrânia no conflito com a Rússia, depois de ter sido acusado, na Casa Branca, onde esteve com Donald Trump e JD Vance, de não agradecer a ajuda de Washington a Kiev.

"Naturalmente, compreendemos a importância da América e estamos gratos por todo o apoio que recebemos dos Estados Unidos. Não houve um único dia em que não sentíssemos gratidão", destacou o presidente ucraniano na rede social X.

Zelensky afirmou "gratidão pela preservação" da independência do país. "A nossa resiliência na Ucrânia baseia-se no que os nossos parceiros estão a fazer por nós”, disse.

Após a cimeira de Londres, no domingo, Zelensky realçou o "apoio claro da Europa" à Ucrânia, tendo constatado "ainda mais unidade, ainda mais vontade de cooperar".

“Todos estão unidos na questão principal: para que a paz seja real, precisamos de garantias de segurança reais. E esta é a posição de toda a Europa, de todo o continente”, declarou.

"O que precisamos é de paz e não de uma guerra sem fim. E é por isso que dizemos que as garantias de segurança são a chave para isso”, sublinhou o presidente ucraniano.

Europa vai elaborar plano para a paz na Ucrânia

António Costa, presidente do Conselho Europeu, foi um dos líderes europeus que estiveram na cimeira de Londres, que ocorreu no domingo. À saída o ex-primeiro-ministro português revelou que irá continuar a trabalhar com todos os líderes europeus antes do Conselho Europeu, marcado para 6 de março.

"A União Europeia está disposta a trabalhar com todos os parceiros europeus e outros aliados no plano de paz para a Ucrânia, que garanta uma paz justa e duradoura para o povo ucraniano", começou por dizer Costa.

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Europa vai elaborar plano para fim da guerra. Zelensky está "pronto para assinar" acordo dos minerais com EUA

"Devemos aprender com o passado e, como tal, não podemos repetir a experiência de Minsk. Não podemos de forma alguma repetir a tragédia do Afeganistão e, para isso, precisamos que fortes garantias de segurança e de que a pacificação ande de mãos dadas com a manutenção da paz", sublinhou, garantindo que "irá prosseguir o trabalho no sentido para garantir uma paz duradoura".

Macron revela que Paris e Londres propõem trégua parcial de um mês na Ucrânia

A França e o Reino Unido propõem uma trégua de um mês na Ucrânia "no ar, nos mares e nas infraestruturas energéticas", como forma de ganhar tempo para o desescalar a guerra, divulgou o presidente francês, Emmanuel Macron, em entrevista ao jornal Le Figaro.

Antes da cimeira deste domingo, em Londres, sobre a Ucrânia e a segurança europeia, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, tinha anunciado que Paris e Londres estavam a trabalhar num "plano" para pôr fim ao conflito entre russos e ucranianos, que já completou três anos.

O presidente francês defendeu este cessar-fogo limitado porque seria “muito difícil” fiscalizar um cessar-fogo total, dada a extensão da linha de frente, que é "o equivalente à linha Paris-Budapeste".

Nesse sentido, defendeu que o eventual envio de tropas europeias para o terreno só ocorreria mais tarde, quando as duas partes negociassem os detalhes do acordo.

“Queremos paz. Mas não a queremos a qualquer preço, sem garantias”, afirmou.

Lusa

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