A primeira-ministra Yuliia Svyrydenko confirmou esta terça-feira, 23 de junho, que será ela e não Volodymyr Zelensky a liderar a delegação de Kiev na próxima Conferência de Recuperação da Ucrânia, que se realiza quinta e sexta-feira na cidade polaca de Gdansk. O anúncio surge na sequência de especulações sobre se Zelensky viajaria para a Polónia devido às atuais tensões diplomáticas entre os dois países. Na segunda-feira também já tinha sido anunciado que o presidente polaco, Karol Nawrocki, não iria comparecer neste evento anual, lançado em 2017, por falta de convite. Bruxelas mostrou-se ontem preocupada com este escalar de tensões, alertando que tal só beneficia a Rússia. As tensões entre Kiev e Varsóvia começaram a 26 de maio, quando Volodymyr Zelensky assinou o decreto que dá o nome do Exército Insurgente Ucraniano (UPA) - grupo que lutou pela independência da Ucrânia durante e após a Segunda Guerra Mundial - a uma unidade das forças especiais ucranianas. No entanto, na Polónia, os combatentes do UPA são vistos como assassinos de dezenas de milhares polacos na região da atual Ucrânia Ocidental, então sob ocupação nazi, e as críticas à ação de Zelensky foram transversais a toda a sociedade - por exemplo, o antigo presidente Lech Walesa, um apoiante de Kiev, retirou o seu alfinete com a bandeira ucraniana em protesto. Na última sexta-feira, Karol Nawrocki decidiu retirar ao seu homólogo ucraniano a mais alta condecoração da Polónia, a Ordem da Águia Branca, que Zelensky tinha recebido há três anos do então chefe de Estado Andrzej Duda. No dia seguinte, o líder ucraniano anunciou a devolução da condecoração, agradecendo ao povo polaco o seu contínuo apoio à Ucrânia durante a invasão da Rússia.Até o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, que tem em Nawrocki um rival político, disse, num primeiro momento, perceber a decisão do presidente, mas afirmando que talvez tivesse tomado uma atitude diferente, alertando ainda para possibilidade de Moscovo se tentar aproveitar desta divisão entre Polónia e Ucrânia. Mas no domingo, o seu discurso em relação a Nawrocki endureceu. “Envolver-se no conflito político entre os políticos da Polónia e da Ucrânia é um erro estratégico que custará caro a ambos os lados: nos negócios, na geopolítica e em termos de reputação”, escreveu Tusk nas redes sociais no domingo. “E em política, como se sabe, um erro é pior do que um crime”.Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, garantiu ao seu homólogo polaco que os soldados ucranianos que solicitaram o batismo da sua unidade como UPA “não tinham absolutamente nenhuma intenção anti-polaca”, mas sim “homenagear aqueles que, também há muitos anos, lutaram contra a Moscovo imperial, a ocupação bolchevique-comunista e a repressão”.A Comissão Europeia está a seguir com preocupação esta escalada de tensões, tendo alertado esta terça-feira que “só há um observador satisfeito neste tipo de situações, e esse é o agressor”, a porta-voz do executivo comunitário, numa referência à Rússia. “Se há algo que aprendemos nos últimos cinco anos a enfrentar esta guerra não provocada na Ucrânia é que a união é a nossa ferramenta mais poderosa e que tudo o que mina esta união, incluindo disputas, neste caso, entre um Estado-membro e a Ucrânia, não é útil”, acrescentou Paula Pinho..Líderes europeus em Kiev asseguram continuar o apoio, apesar das brechas abertas por Orbán