Autoridades continuam à procura de vítimas na academia militar de Poltava. Já são 55 os mortos.
Autoridades continuam à procura de vítimas na academia militar de Poltava. Já são 55 os mortos.AFP/Serviços de emergência ucranianos

Zelensky em Ramstein para pedir mísseis de longo alcance e luz verde para os usar contra a Rússia

Presidente ucraniano viaja para a Alemanha após remodelação governamental. Putin diz que o “principal” objetivo russo é conquistar o Donbass e diz-se disposto a dialogar com Kiev.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, estará esta sexta-feira na base aérea norte-americana de Ramstein, na Alemanha, com o objetivo de pedir aos aliados mais mísseis de longo alcance e luz verde para os poder usar contra alvos no interior da Rússia. A presença na reunião do Grupo de Contacto de Defesa da Ucrânia surge depois de ter concluído uma remodelação governamental - cuja mudança mais visível é a substituição do chefe da diplomacia Dmytro Kuleba por Andriy Sybiga. E depois de a Rússia intensificar os ataques contra a Ucrânia. 

Desde a invasão russa, em fevereiro de 2022, que 50 aliados de Kiev se reúnem em Ramstein para analisar as necessidades ucranianas. Zelensky há muito que pede mais defesas aéreas e mísseis de longo alcance, além de autorização para usar estas últimas contra alvos no interior da Rússia.

Segundo a Reuters, que cita fontes anónimas, os EUA estarão contudo próximo de autorizar o fornecimento de mísseis cruzeiro de longo alcance - os JASSM, que são disparados dos caças. Isso poderia dar uma vantagem estratégica, permitindo atingir os arsenais russos mais longe da fronteira. Ainda assim, de acordo com a mesma fonte, a entrega deste armamento pode demorar ainda vários meses.

O fornecimento destes mísseis obrigaria também a deixar cair as restrições sobre o uso das armas fornecidas pelos EUA, já que os seus efeitos seriam limitados se não fosse possível usá-las contra alvos no interior da Rússia. Washington tem fornecido mísseis de longo alcance, mas com restrições em relação à forma como podem ser usadas para evitar eventual retaliação russa que possa levar a NATO para a guerra.

Segundo a revista Der Spiegel, Zelensky quererá também sublinhar a “gravidade da situação” atual. Na terça-feira, 55 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas num bombardeamento que atingiu a academia militar em Poltava. O número de mortos pode não ser definitivo, com as autoridades a dizer que ainda há pessoas sob os escombros. 

O líder ucraniano irá ainda encontrar-se com o chanceler alemão, Olaf Scholz, que tem estado sob pressão para cortar no apoio a Kiev. “O apoio da Alemanha à Ucrânia não cessará. Fizemos provisões, fechámos acordos de Defesa e garantimos o financiamento em tempo útil para que a Ucrânia possa continuar a confiar plenamente em nós no futuro”, disse Scholz na quarta-feira.

Putin fala em diálogo

O presidente russo, Vladimir Putin, disse esta quinta-feira que o objetivo “principal” do seu exército é capturar a região do Donbass, no leste da Ucrânia, alegando que a ofensiva ucraniana em Kursk (iniciada em agosto) tornou esse objetivo mais fácil.

“O objetivo do inimigo era forçar-nos a preocuparmo-nos, a apressar-nos, a desviar tropas e a parar a nossa ofensiva em áreas-chave, em especial no Donbass, cuja libertação é o nosso principal objetivo principal” , disse Putin num fórum económico em Vladivostok, explicando que isso não evitou os avanços russos.

Ao mesmo tempo, Putin disse que está disposto a negociar com Kiev. “Nunca recusámos fazê-lo, mas não com base em algumas exigências efémeras, mas com base nos documentos que foram acordados e realmente rubricados em Istambul”, disse o presidente, falando no diálogo que houve logo na primavera de 2022 na capital turca. Antes, Moscovo tinha dito que a incursão de Kiev na região de Kursk tinha tornado as negociações impossíveis.

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