Zelensky e António Costa, presidente do Conselho Europeu
Zelensky e António Costa, presidente do Conselho EuropeuVolodymyr Zelensky/X

Zelensky alerta que plano de Trump para segurança europeia pode ser "perigoso"

A possibilidade de Washington discutir com Moscovo um novo quadro de segurança preocupa Kiev e as capitais europeias, que receiam ver a soberania dos países e o papel da NATO postos em causa.
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O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, avisou este sábado (7) que a intenção dos Estados Unidos de negociar com a Rússia uma nova arquitetura de segurança para a Europa é uma ideia “perigosa” porque Putin não está interessado em acabar com a guerra na Ucrânia, mas sim em redefinir os poderes de influência no continente.

“Os russos não querem pensar em como pôr fim a esta guerra, mas sim começar uma nova infraestrutura de segurança na Europa e isso é perigoso”, afirmou Zelensky, numa entrevista à CNN, citada pela agência EFE.

O Presidente ucraniano considera que esta abordagem representa uma ameaça mais relevante para a União Europeia, embora também tenha consequências para o seu país, lembrando que a Ucrânia não pertence à UE nem à NATO. “É mais perigoso para a União Europeia do que para nós. No entanto, todos vivemos na Europa”, sublinhou Zelensky, que rejeitou a possibilidade de um entendimento entre grandes potências que possa comprometer a soberania dos Estados europeus.

“Não queremos ter uma Ialta 2”, declarou, evocando a Conferência de Ialta, em 1945, que reuniu os dirigentes da União Soviética, dos Estados Unidos e do Reino Unido para discutir a organização da Europa no final da Segunda Guerra Mundial. “Não estamos preparados para esse formato. Não queremos ser divididos pela Rússia”, acrescentou o chefe de Estado ucraniano, sublinhando: “Se um país quer ser livre e democrático, precisa, no mínimo, que os seus vizinhos respeitem a sua soberania e integridade territorial.”

As palavras de Zelensky surgem em reação ao anúncio de Donald Trump, esta semana, sobre um “grande e belo acordo” que estaria a ser preparado sobre a Ucrânia e que poderia envolver também “toda a Europa”. Jared Kushner, genro do presidente norte-americano e um dos enviados nomeados para as negociações entre Kiev e Moscovo, confirmou que Washington está a discutir com vários dirigentes europeus uma “arquitetura de segurança mais abrangente”, destinada a “criar condições para uma paz duradoura”.

A iniciativa, segundo Kushner, contempla cinco objetivos: consultas permanentes em matéria de segurança, canais de comunicação para situações de crise, maior transparência militar, medidas recíprocas para reduzir os riscos de escalada e um quadro de estabilidade a longo prazo. Washington garante que qualquer acordo respeitará a soberania e a integridade territorial de cada país, sem conceder a qualquer Estado o direito de veto sobre as decisões de outro. E a NATO continuará, segundo Kushner, a ser “um pilar central” da defesa coletiva europeia.

Resistência europeia

A iniciativa de Washington procura enquadrar a segurança da Ucrânia após o conflito numa discussão mais abrangente sobre as relações entre a Rússia e o Ocidente. Mas a perspetiva de redefinir a arquitetura de segurança europeia voltou a suscitar receios quanto às intenções de Moscovo de alterar o equilíbrio estabelecido no continente após o fim da Guerra Fria, encontrando uma forte resistência entre os responsáveis europeus, que rejeitam que o futuro da segurança do continente seja decidido sem a participação dos países diretamente afetados.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, lembrou que “já temos uma arquitetura de segurança europeia em vigor”. “O problema continua a ser a Rússia estar sempre a violar os tratados que a sustentam”, acrescentou. “A NATO não constituía qualquer ameaça para a Rússia em 2021 e não representa uma ameaça para a Rússia neste momento. Putin não tem direito de veto sobre a segurança europeia”, sublinhou.

Após dez meses de interregno negocial, um encontro trilateral entre delegações norte-americana, russa e ucraniana arranca na próxima terça-feira (10) em Abu Dhabi e os governos europeus, sem lugar direto à mesa das conversações, querem garantias de que qualquer acordo respeitará a soberania ucraniana e não enfraquecerá a NATO nem os mecanismos de segurança existentes.

* com agências

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