Volodymyr Zelensky fez ao final do dia um balanço do mais recente ataque russo em massa que atingiu esta terça-feira, 2 de junho, a Ucrânia e que classificou como “brutal”, enumerando que “mais de 70 mísseis, muitos balísticos, mais de 650 drones durante a noite. Durante o dia, os russos continuaram os ataques, com cerca de cem drones adicionais”. Os principais alvos foram Kiev, mas também cidades como Dnipro, Poltava, Kharkiv e Zaporíjia, havendo a registar a morte de, pelo menos, 22 pessoas, incluindo duas crianças, e 130 feridos. “Mais uma vez, Putin e a sua loucura venceram a vida de crianças comuns, edifícios residenciais, uma clínica em Kiev. Os Shahed foram contra edifícios de vários andares em Dnipro e, por alguma razão, também contra um concessionário de automóveis chineses em Kiev. Os Zircon contra sete edifícios. Os Shahed contra edifícios em Kharkiv, Zaporíjia, Poltava. Ataques em Chernihiv, Sumy, Kherson. Shahed contra a região de Khmelnytskyi”, enumerou o presidente ucraniano, referindo-se aos drones e mísseis usados no ataque de ontem, sublinhando que “cada um destes drones, todos os tipos de mísseis russos em geral, não podem ser produzidos sem componentes importados de outros países”.Para Zelensky, “em cada um destes ataques, há, talvez, uma participação inconsciente, mas ainda assim, aqueles que trabalham para a Rússia, que lhe fornecem dinheiro, que ajudam a contornar as avaliações e a não procurar apenas um ou dois, mas milhares de componentes, sem os quais a produção militar russa simplesmente pararia”. “E esta é uma cumplicidade absolutamente real nos assassinatos” de ucranianos, reforçou ainda.Por outro lado, o presidente ucraniano lamentou que “o nível de fornecimento para a nossa defesa aérea atual não permite derrubar uma grande parte dos mísseis” russos, em mais um recado dirigido aos Estados Unidos. Horas antes, Zelensky já havia reforça a importância da ajuda norte-americana, dizendo que “a Europa precisa da sua própria defesa antibalística para que esta guerra possa finalmente chegar ao fim. E a assistência dos Estados Unidos no fornecimento de mísseis para os sistemas Patriot é absolutamente necessária. Contamos com o apoio dos nossos parceiros e com respostas eficazes ao ataque de hoje”. NATO envia mensagem à RússiaOs Estados Unidos e vários outros países da NATO vão dar início na quinta-feira ao BALTOPS, o maior exercício naval no Mar Báltico marcado para este ano, mas a sua escala será menor do que a do ano passado, já que atualmente alguns navios e recursos militares da Aliança estão posicionados noutras áreas de importância estratégica, nomeadamente no Estreito de Ormuz e no Ártico.Mesmo assim, para o contra-almirante alemão Stephan Haisch, comandante da Task Force do Báltico, o exercício enviará uma mensagem à Rússia e o momento do mesmo sublinha a sua relevância política. “Neste período, é um sinal da força da Aliança que esteja a ser conduzido um grande exercício, sob a liderança dos EUA, com uma ampla participação da NATO”, disse o militar alemão, citado pela Reuters. “É um sinal da unidade e da força da Aliança, e estou a falar de todos os aliados aqui”.O BALTOPS, que se prolonga até dia 20, vai contar com a participação de cerca de 20 navios e cerca de 6000 pessoas de 15 países da NATO e começará com manobras no oeste do Mar Báltico, deslocando-se depois para leste para simular o reabastecimento e a proteção das rotas marítimas livres em torno da ilha sueca de Gotland. “Linhas de comunicação marítimas livres são fundamentais”, prosseguiu Haisch, sublinhando a importância de salvaguardar a logística militar e a navegação comercial. Algo que ganha especial importância quando se fala dos países do Báltico - Estónia, Letónia e Lituânia - que estão ligados ao resto da Europa (e da NATO) por um estreito corredor terrestre.Ao mesmo tempo que os Estados Unidos mostram o seu compromisso com a NATO com a participação no BALTOPS, o ministro da Defesa da Lituânia revelou esta terça-feira que a presença futura de tropas norte-americanas neste país do Báltico está “em análise”, embora Washington lhe tenha garantido que novas rotações chegariam, não adiantando quando e em que número. “[A próxima] rotação está atualmente em revisão porque o número de tropas americanas na Europa está a mudar, o que leva naturalmente a uma revisão da posição regional”, declarou Robertas Kaunas aos jornalistas. Com a saída da atual rotação, que está a acontecer agora, a Lituânia ficará sem um batalhão blindado dos EUA de cerca de mil soldados no seu território pela primeira vez nos últimos seis anos.Kaunas disse ainda ter discutido o assunto com o seu homólogo norte-americano, Pete Hegseth, à margem de uma conferência na semana passada em Singapura. “Foi-nos garantido que a região do Báltico é de importância crucial para a NATO e os EUA, que vêem o nosso investimento e as nossas despesas de defesa como um exemplo para outros aliados”, acrescentou.Hungria abre caminho da UEA Hungria, agora liderada por Péter Magyar, sinalizou que irá abandonar a oposição dos tempos de Viktor Orbán à candidatura da Ucrânia para aderir à União Europeia, noticiou esta terça-feira o Politico, citando quatro diplomatas. Esta mudança de Budapeste irá também abrir caminho à adesão da Moldávia, que apresentou a sua candidatura em simultâneo com a Ucrânia, o que significa que Chisinau só avança se Kiev o fizer. A abertura do primeiro cluster de negociação - para a qual é precisa uma unanimidade dos 27 - está prevista para uma conferência intergovernamental no Luxemburgo, no próximo dia 15, avança ainda o Politico. Este sinal de uma nova postura de Budapeste em relação a Kiev já vinha a ser dado por Magyar mesmo antes da sua tomada de posse, que aconteceu a 9 de maio. E esta terça-feira foi dado mais um passo, com o primeiro-ministro húngaro a afirmar que está disponível para se encontrar com Zelensky na próxima semana, caso as negociações técnicas bilaterais que estão a decorrer sobre os direitos da minoria húngara na Ucrânia terminem esta semana. “Até agora, as negociações estão a progredir de forma muito encorajadora, e esperamos que possam mesmo ser concluídas a nível técnico esta semana”, disse Péter Magyar. “(...) E posso repetir que estou pronto para me reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no início da próxima semana, desde que cheguemos de facto a um acordo sobre estes direitos humanos fundamentais.”.Europa em alerta após ameaças russas sobre Kiev e aos países do Báltico.Aumenta a pressão para a Ucrânia se juntar à NATO e à União Europeia