O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou esta segunda-feira, 23 de março, a Rússia de preparar a colocação na Bielorrússia de estações de controlo de ‘drones’ de longo alcance, prometendo responder “em conformidade”. Após uma reunião com Oleh Ivashchenko, chefe da agência de inteligência militar da Ucrânia, Zelensky afirmou que Kiev dispõe de “informações claras de que a Rússia planeia implantar mais estações de controlo terrestre para ‘drones’ de longo alcance nos territórios da Ucrânia temporariamente ocupados, bem como quatro estações na Bielorrússia”. “Responderemos em conformidade. Instruí Oleh Ivashchenko a informar os parceiros e representantes dos meios de comunicação social sobre os dados que podemos divulgar", escreveu Zelensky. O Presidente ucraniano disse ainda que Kiev possui provas irrefutáveis de que a Rússia continua a fornecer informações de inteligência ao regime iraniano. "A Rússia está a utilizar as suas próprias capacidades de inteligência de sinais e de inteligência eletrónica, bem como parte dos dados obtidos através da cooperação com parceiros no Médio Oriente", afirmou na sua conta no Telegram. Também esta segunda-feira, na sua mensagem diária à população ucraniana, Zelensky lamentou que os norte-americanos estejam sobretudo concentrados na guerra no Irão, após dois dias de negociações entre enviados de Kiev e Washington na Florida para pôr fim ao conflito na Ucrânia. Embora saudando a realização destas negociações, Zelensky lamentou que "a situação em torno do Irão" tenha sido "o principal foco de atenção da parte norte-americana". Por seu lado, o enviado norte-americano, Steve Witkoff, considerou que as conversações de sábado e hoje na Florida foram "construtivas", numa mensagem publicada na rede social X. A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente. A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado, em ofensivas com drones, alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014. No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental). Estas condições - constantes do plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para solucionar o conflito - são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo incondicional de 30 dias antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus forneçam-lhe garantias sólidas de que não voltará a ser alvo de ataque.