O ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero está a ser investigado por possível fraude fiscal e contrabando, depois de a polícia ter descoberto joias avaliadas em mais de 1,3 milhões de euros durante uma busca no cofre do seu escritório, a 19 de maio, no âmbito de uma investigação separada. A informação foi avançada esta sexta-feira, 12 de junho, pelos media espanhóis, que tiveram acesso ao auto do juiz da Audiência Nacional José Luis Calama. Uma avaliação pericial estimou o valor das joias, que incluem colares, pulseiras, anéis e relógios, em 1.323.915 euros.Zapatero está já a ser investigado por alegado tráfico de influências e outros crimes relacionados com o resgate estatal da companhia aérea espanhola Plus Ultra durante a pandemia. É ainda acusado de ter supervisionado “uma estrutura hierárquica de tráfico de influência”, cujo objetivo era “obter benefícios económicos através da intermediação e exercício de influência perante organismos públicos a favor de terceiros, principalmente a Plus Ultra”. O antigo líder socialista deverá comparecer perante o juiz na próxima semana no âmbito deste processo.“A posse de bens de luxo de elevado valor, aliada à falta de rastreabilidade fiscal relativa à sua aquisição, constitui um indício objetivo e racional da eventual existência de fraude fiscal significativa, uma vez que a aquisição de joias do valor indicado gera necessariamente obrigações fiscais, quer ao nível do IVA, do imposto sobre as transmissões onerosas de imóveis, do imposto sobre as sucessões e doações ou do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, consoante a natureza da transação jurídica”, é referido pelo juiz Calama no seu auto. O presidente do Ateneu de Madrid, Luis Arroyo, que tem atuado como porta-voz de Zapatero, assegurou no início deste escândalo que algumas das joias tinham sido herdadas pelo ex-primeiro-ministro e pela mulher, enquanto outras peças foram adquiridas em viagens, assegurando que estavam avaliadas entre 30 mil e 50 mil euros. Esta sexta-feira, Arroyo veio a público pedir desculpas por ter induzido as pessoas em erro de forma involuntária sobre o valor das joias, garantindo que ele e o ex-primeiro-ministro prestariam esclarecimentos ao juiz Calama.O PSOE, que tal como o primeiro-ministro Pedro Sánchez tem apoiado Zapatero, está confiante que o seu antigo líder será capaz de explicar na Audiência Nacional a origem das joias encontradas pela Guardia Civil no seu cofre, segundo disseram esta sexta-feira fontes socialistas à Europa Press. Já o Partido Popular, através da sua porta-voz no Congresso, Ester Muñoz, acusou esta sexta-feira José Luis Zapatero de "mentir" sobre as joias. "Nem são herança de uma avó, nem valem 30.000 euros. Temos de saber de onde vêm, que as deu, e porque não pagou impostos por elas", acrescentou a mesma fonte. .Acusação contra Zapatero é mais uma dor de cabeça para Sánchez.Espanha. Zapatero diz-se inocente, PP quer eleições antecipadas