José Luis Rodríguez Zapatero no III Fórum Mundial de Direitos Humanos, 20 de março de 2023, em Buenos Aires.
José Luis Rodríguez Zapatero no III Fórum Mundial de Direitos Humanos, 20 de março de 2023, em Buenos Aires.Ministerio de Cultura de la Nación

Zapatero investigado por fraude fiscal e contrabando por causa de joias avaliadas em 1,3 milhões de euros

Antigo primeiro-ministro espanhol já estava sob investigação por alegado tráfico de influências. Joias foram encontradas pelas autoridades no cofre do escritório do socialista.
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O ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero está a ser investigado por possível fraude fiscal e contrabando, depois de a polícia ter descoberto joias avaliadas em mais de 1,3 milhões de euros durante uma busca no cofre do seu escritório, a 19 de maio, no âmbito de uma investigação separada. A informação foi avançada esta sexta-feira, 12 de junho, pelos media espanhóis, que tiveram acesso ao auto do juiz da Audiência Nacional José Luis Calama.

Uma avaliação pericial estimou o valor das joias, que incluem colares, pulseiras, anéis e relógios, em 1.323.915 euros.

Zapatero está já a ser investigado por alegado tráfico de influências e outros crimes relacionados com o resgate estatal da companhia aérea espanhola Plus Ultra durante a pandemia. É ainda acusado de ter supervisionado “uma estrutura hierárquica de tráfico de influência”, cujo objetivo era “obter benefícios económicos através da intermediação e exercício de influência perante organismos públicos a favor de terceiros, principalmente a Plus Ultra”. O antigo líder socialista deverá comparecer perante o juiz na próxima semana no âmbito deste processo.

A posse de bens de luxo de elevado valor, aliada à falta de rastreabilidade fiscal relativa à sua aquisição, constitui um indício objetivo e racional da eventual existência de fraude fiscal significativa, uma vez que a aquisição de joias do valor indicado gera necessariamente obrigações fiscais, quer ao nível do IVA, do imposto sobre as transmissões onerosas de imóveis, do imposto sobre as sucessões e doações ou do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares, consoante a natureza da transação jurídica”, é referido pelo juiz Calama no seu auto.

O presidente do Ateneu de Madrid, Luis Arroyo, que tem atuado como porta-voz de Zapatero, assegurou no início deste escândalo que algumas das joias tinham sido herdadas pelo ex-primeiro-ministro e pela mulher, enquanto outras peças foram adquiridas em viagens, assegurando que estavam avaliadas entre 30 mil e 50 mil euros.

Esta sexta-feira, Arroyo veio a público pedir desculpas por ter induzido as pessoas em erro de forma involuntária sobre o valor das joias, garantindo que ele e o ex-primeiro-ministro prestariam esclarecimentos ao juiz Calama.

O PSOE, que tal como o primeiro-ministro Pedro Sánchez tem apoiado Zapatero, está confiante que o seu antigo líder será capaz de explicar na Audiência Nacional a origem das joias encontradas pela Guardia Civil no seu cofre, segundo disseram esta sexta-feira fontes socialistas à Europa Press.

Já o Partido Popular, através da sua porta-voz no Congresso, Ester Muñoz, acusou esta sexta-feira José Luis Zapatero de "mentir" sobre as joias. "Nem são herança de uma avó, nem valem 30.000 euros. Temos de saber de onde vêm, que as deu, e porque não pagou impostos por elas", acrescentou a mesma fonte.

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