Presidente chinês diz que luta contra a corrupção é ainda “grave e complexa”.
Presidente chinês diz que luta contra a corrupção é ainda “grave e complexa”.EPA/XINHUA / JU PENG

Xi pede reformas no partido e mais combate à corrupção

Nos primeiros nove meses de 2023 foram abertas investigações a 45 funcionários do Comité Central do PCC por suspeitas de corrupção.
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O presidente chinês instou ontem o Partido Comunista da China (PCC) a reformar-se e a intensificar a luta contra a corrupção, durante a sessão plenária do poderoso órgão anticorrupção do partido. Numa análise dos resultados da luta contra a corrupção na última década, Xi Jinping destacou uma “vitória esmagadora”, mas alertou para o facto de a situação ser ainda “grave e complexa”, de acordo com a agência noticiosa oficial Xinhua.

Xi sublinhou a importância de 2023 como o primeiro ano de implementação dos princípios estabelecidos no 20.º Congresso do PCC, durante o qual foi eleito para um terceiro mandato sem precedentes, e sublinhou que a reforma do partido é essencial para escapar ao “ciclo histórico de expansão e recessão”.

De acordo com a Xinhua, cerca de 470 000 casos de corrupção foram apresentados pelas agências de supervisão e disciplina nos primeiros nove meses do ano passado. Isto resultou na abertura de investigações a 45 funcionários do Comité Central do PCC, a liderança máxima do Partido, o número mais elevado dos últimos dez anos.

Estas declarações de Xi foram feitas depois de a Comissão Central de Supervisão e Disciplina, o braço anticorrupção do Partido Comunista da China ter anunciado, na segunda-feira, que vai intensificar a pressão e as punições contra casos de corrupção em setores como as finanças, tabaco ou desporto, como parte da sua estratégia para prevenir e resolver “riscos sistémicos de corrupção”.

Após ascender ao poder, Xi Jinping, lançou uma campanha anticorrupção, considerada a mais ampla na história da China, e que levou à punição de milhões de funcionários e revelou grandes casos de corrupção, mas alguns críticos sugeriram que está a ser usada para destruir rivais políticos de Xi.

Novo padrão nas relações internacionais

Ontem também, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, afirmou que Pequim quer criar um “novo padrão” de relações internacionais e defender a paz e o multilateralismo face aos desafios globais.

Segundo Wang, a China escolheu um caminho “cooperativo” e “justo” em vez de uma “política de poder” confrontacional e que o país deve guiar-se pela filosofia de Xi “para abrir um novo domínio da teoria e da prática diplomática chinesa e para moldar um novo padrão de relações [entre Pequim] e o mundo, visando elevar a influência internacional, o carisma e o poder de moldar [os acontecimentos] pela China”.

Wang afirmou também que Pequim vai continuar a “explorar a forma correta de se dar bem” com os Estados Unidos e que não vai haver “nenhum confronto entre blocos ou uma nova Guerra Fria” se “a China e a Europa derem as mãos”, mas, ao mesmo tempo, a aprofundar a confiança estratégica e a parceria com a Rússia.

O ministro fez ainda notar que a determinação da China em “salvaguardar a Justiça” também inclui a sua integridade territorial. “Ninguém ou qualquer força deve tentar desafiar a vontade férrea do povo chinês ou tentar prejudicar os interesses fundamentais da China”, realçou Wang  Yi na sua intervenção.  

com Lusa

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