China e Espanha devem trabalhar em estreita colaboração para resistir à “lei da selva” e defender o multilateralismo num mundo em que a ordem internacional está a “desmoronar-se”, defendeu esta terça-feira (14 de abril) o presidente chinês, Xi Jinping, num encontro com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Linguagem semelhante à que usou quando recebeu o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, quando propôs um plano de quatro pontos para a paz.“O mundo de hoje está em turbulência, preso numa disputa entre justiça e poder”, disse Xi a Sánchez, citado pela emissora estatal CCTV e pelo jornal South China Morning Post. “A forma como um país lida com o direito internacional e a ordem internacional reflete a sua visão do mundo, a sua conceção de ordem, os seus valores e o seu sentido de responsabilidade”, acrescentou. O presidente chinês defendeu que China e Espanha são ambas “nações com princípios que defendem a justiça e estão dispostas a ficar do lado certo da história”, elogiando o país ibérico como um país que atua “com retidão moral” (em pleno choque com os EUA por causa da guerra no Irão). Na conferência de imprensa após a reunião, Sánchez reiterou que Espanha quer “contribuir ativamente para a criação de uma nova ordem global que traga definitivamente a paz ao mundo”. E explicou que falou com Xi sobre a “grave situação” no Médio Oriente e na Ucrânia, encorajando Pequim a “continuar a contribuir ativamente para a reforma” do sistema de governação multilateral.No encontro com o príncipe herdeiro, o líder chinês terá ido mais longe, falando num plano de quatro pontos para a paz. Xi defendeu aderir ao princípio da “coexistência pacífica”, lembrando que os países do Médio Oriente e do Golfo são “vizinhos interdependentes e indissociáveis”, pelo que devem ser desenvolvidos esforços para melhorar as relações. É “imperativo promover a construção de uma arquitetura de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável”, disse, segundo a agência Xinhua. O segundo ponto passa pela adesão ao princípio da soberania nacional. “A soberania, a segurança e a integridade territorial dos países do Médio Oriente e da região do Golfo devem ser plenamente respeitadas, e a segurança do pessoal, das instalações e das instituições de todos os países deve ser eficazmente salvaguardada”, disse. O terceiro passo é a defesa do direito internacional, rejeitando “aplicações seletivas para evitar que o mundo regresse à lei da selva”. A expressão que já tinha usado com Sánchez. Por último, o presidente chinês defendeu que deve haver coordenação entre segurança e desenvolvimento, alegando que “a segurança torna o desenvolvimento possível, e o desenvolvimento ajuda a manter a segurança”, com Pequim disponível para ajudar..Por que a China rejeita esferas de influência