O número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos na Venezuela subiu para 71, havendo ainda 71 desaparecidos, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), nesta quarta-feira (1 de julho).De acordo com o MNE, entre os 71 mortos, 61 dos quais tinham também nacionalidade venezuelana, estão 11 crianças e 60 adultos.O anterior balanço dava conta de 68 portugueses e lusodescendentes entre as vítimas mortais do duplo sismo que atingiu a Venezuela no dia 24.A situação em La Guaira apresenta-se bastante caótica, com portugueses e luso-venezuelanos a tentar saber o paradeiro de familiares daquela cidade que sobreviveram ao duplo sismo na Venezuela, mas que entretanto foram levados para centros de acolhimento locais e em Caracas.“Sim foram resgatados. Há uma grande desorganização aqui. Estão a levá-los para um sítio, depois transferem-nos para outro e não se conseguem localizar os familiares”, disse à Lusa um membro da direção do Centro Luso-Venezuelano de Cátia La Mar (CLVCM).Freddy de Quintal, tesoureiro do CLVCM, explicou ainda que ele próprio tem um sobrinho que sobreviveu, precisando que este estava na igreja, porque faria a primeira-comunhão.“Tenho um sobrinho cuja mãe morreu; o edifício ruiu e ele estava na igreja porque ia fazer a comunhão. Temos andado à procura dele, tinham-no enviado para o campo de golfe em Caribe, esteve lá porque aparece no registo, mas não sabem para onde o enviaram”, disse.Freddy de Quintal explicou ainda que soube através da Internet que o sobrinho estaria no Centro Desportivo de La Guaira, para onde se dirigiu para o encontrar, mas sem sucesso.“Chegamos lá e não estava. Está desaparecido, não o encontramos em lado nenhum. Estamos muito angustiados porque o pai está na Madeira e a mãe estava aqui. Eles já tinham comprado os bilhetes para regressarem de uma vez por todas para lá viver (…). A esposa faleceu e não conseguimos encontrar o filho. Estamos à procura aqui na Guaira, em Caracas, por todo o lado”, frisou.O dirigente do CLVCM lamentou que as autoridades tenham encerrado a autoestrada que liga a cidade de Caracas àquele estado.“É um problema, a autoestrada está bloqueada neste momento, não deixam ninguém passar, exceto quem tenha um salvo-conduto. É duro, é mesmo duro o que estamos a viver aqui”, disse.Explicou ainda que esteve na localidade de Playa Grande, uma das áreas afetadas de La Guaira, e que está irreconhecível, a tal ponto que as pessoas se desorientam.“Conheço bem Playa Grande, e de repente estando lá não sabia onde estava. Porque, por todo o lado, tudo desabou, grandes edifícios desabaram (...) completamente. Tive de perguntar às pessoas onde estava porque não sabia, de tão irreconhecível que está Playa Grande”, frisou.Este luso-venezuelano explicou à Lusa que o duplo sismo foi ainda mais devastador que as enxurradas de 1999, que provocaram muitas vítimas, entre elas portugueses.“Isto foi pior do que essa tragédia, porque durou apenas um segundo e tudo desabou. A tragédia [enxurradas] durou uma noite inteira e, quando acordámos de manhã, estava tudo destruído. Mas isto durou apenas um segundo, foi horrível, horrível”, disse.Sobre o Centro Luso-venezuelano de Cátia La Mar, explicou que sofreu danos estruturais consideráveis.“Na parte de cima, tínhamos a sala onde se davam aulas de português. As suas salas desabaram, tudo caiu. Na parte de baixo, o restaurante onde os portugueses passam o tempo, está tudo rachado, praticamente (...) destruído”, disse.Explicou ainda que não houve vítimas porque o sismo duplo decorreu num dia feriado.No entanto, disse, em La Guaira ainda não há números totais, mas morreram milhares de pessoas, entre elas mais de 20 associados do CLVCM, incluindo o vice-presidente. Governo venezuelano agradece solidariedade de PortugalA Venezuela agradeceu esta quarta-feira a solidariedade e rápida resposta de Portugal, que enviou ajuda humanitária e uma equipa de salvamento, parte da qual trabalha, desde as 11:00 de segunda-feira (locais), no resgate de um sobrevivente em La Guaira.“Nestas horas, precisamente no meio de um processo de resgate de uma pessoa que ainda se encontra viva, (…) agradecer especialmente o apoio de Portugal nestes momentos difíceis para o povo venezuelano”, disse à Lusa o vice-ministro das Relações Exteriores para a Europa e América do Norte.Oliver Blanco explicou que, assim que aconteceu o duplo sismo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal contactou o Governo "para manifestar o interesse em enviar um grupo de quase 70 pessoas que têm estado lado a lado com as autoridades venezuelanas responsáveis pela resposta a esta situação e com as do resto do mundo, juntamente com já 30 países, para gerar fé e esperança e prestar assistência ao povo venezuelano nestes momentos de tanto sofrimento e de tantas dificuldades”.“Portugal também enviou ajuda humanitária, aproximadamente 17 toneladas e, mais uma vez, não podemos deixar de agradecer ao Governo de Portugal, à equipa de resgate de Lisboa e a todos os grupos de intervenção que se deslocaram à Venezuela de forma praticamente imediata, o que reafirma, além disso, os laços de fraternidade e solidariedade entre os nossos países”, disse.O vice-ministro venezuelano sublinhou que as autoridades locais estão conscientes também da solidariedade da comunidade lusa local.“Em horas difíceis para os nossos povos, sabemos que também a comunidade portuguesa está muito integrada na Venezuela. Historicamente, tem feito parte da construção do país e, hoje, está connosco a recolher os escombros e a estender-nos as mãos num momento comovente e difícil para todos os venezuelanos”, acrescentou.Sete operacionais portugueses estão envolvidos, desde segunda-feira, no resgate de um segurança de um estabelecimento comercial em Playa Grande, La Guaira.O duplo sismo que atingiu a Venezuela na passada quarta-feira provocou 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o último balanço oficial divulgado pelas autoridades venezuelanas.Os dados oficiais indicam também acima de 15 mil desalojados, informou o presidente do parlamento, Jorge Rodríguez, atualizando o último balanço de vítimas, que era de 1.719 mortos e 5.034 feridos.De acordo com as autoridades, 6.461 pessoas foram resgatadas desde o início das operações de socorro..Equipa portuguesa trabalha "sem pausas" para resgatar sobrevivente na Venezuela. Já lhe deram água através de um tubo e "está bem".Sismos na Venezuela. 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