A administração espacial norte-americana ainda parou a contagem decrescente para a partida da Artemis II quando faltavam 10 minutos para a hora prevista, 23h24 (hora de Lisboa). Mas foi uma precaução de última hora por causa de um problema numa das baterias da cápsula Orion.Após ter-se concluído tratar de um erro de um instrumento, concluíu-se que a descolagem decorreria como previsto. Nova verificação de sistemas e foi com notória emoção na voz que Charlie Blackwell-Thompson, a diretora de Lançamento -- a primeira mulher na História da NASA a cumprir este papel -- disse: "Temos luz verde. We are a go."Passados alguns minutos, a contagem decrescente foi retomada e o momento histórico aconteceu por fim: o SLS -- o foguetão mais potente que a NASA alguma vez construiu, rumou aos céus com a sua preciosa carga a bordo: quatro pessoas, que regressam à vizinhança do nosso satélite natural, 53 anos após uma ausência objetivamente difícil de explicar..Dez dias de viagem.Toda a viagem é um bailado tecnológico de precisão que se estenderá ao longo de dez dias. Ao contrário das futuras missões de desembarque, o objetivo desta tripulação não é tocar o solo lunar, mas sim provar que a humanidade pode, com a tecnologia preparada para esta e as missões seguintes, sobreviver e navegar com segurança para além da órbita baixa da Terra.As primeiras 24 horas da missão serão passadas "em casa". A cápsula Orion efetuará de seguida duas órbitas elípticas em redor da Terra. A segunda órbita será ambiciosa, levando os astronautas a uma altitude de 74.000 km. Este período inicial serve para testar a capacidade de manobra manual da nave e, acima de tudo, garantir que os sistemas de suporte de vida — responsáveis por reciclar o oxigénio e remover o dióxido de carbono — estão a funcionar na perfeição antes de a tripulação se despedir da gravidade terrestre.Uma vez confirmado o "luz verde" técnico, a Orion iniciará uma viagem de quatro dias em direção à Lua. Nesta missão, os astronautas não entrarão em órbita lunar; em vez disso, utilizarão uma trajetória de "regresso livre". A nave passará por trás do lado oculto da Lua, utilizando a gravidade do satélite como uma fisga natural para redirecionar a cápsula de volta à Terra.Neste ponto, a tripulação estará a cerca de 10.300 km da superfície lunar e a mais de 400.000 km de distância do nosso planeta — a maior distância alguma vez alcançada por seres humanos, superando o recorde histórico da Apollo 13.Durante o trajeto, a tripulação de Reid Wiseman realizará experiências críticas, incluindo testes de comunicação laser de alta velocidade e monitorização de radiação no espaço profundo. O momento de maior tensão, contudo, está reservado para o décimo dia. A Orion atingirá a atmosfera terrestre a uma velocidade vertiginosa de 40.000 km/h. O escudo térmico terá de suportar temperaturas de 2.800°C antes que os paraquedas se abram para o mergulho final no Oceano Pacífico, encerrando aquele que será o prólogo do regresso definitivo do Homem à superfície da Lua..Partida da 'Artemis II' para a Lua marcada para esta quarta-feira. A Humanidade volta a mergulhar no espaço profundo