O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenou o ato tornado público na véspera, através das redes sociais, de um soldado israelita a destruir uma estátua de Jesus Cristo com um maço numa aldeia no sul do Líbano. Em Israel, a violência contra cristãos, minoria que totaliza 1,9% da população, tem aumentado.“Como a esmagadora maioria dos israelitas, fiquei estupefacto e entristecido ao saber que um soldado das Forças de Defesa de Israel danificou um ícone religioso católico no sul do Líbano”, escreveu Netanyahu no X. E prosseguiu, defendendo o seu país como farol de liberdade religiosa: “Enquanto os cristãos estão a ser massacrados na Síria e no Líbano por muçulmanos, a população cristã em Israel prospera, ao contrário de outros lugares no Médio Oriente. Israel é o único país na região em que a população cristã e o nível de vida estão a crescer”, afirmou. .Apesar de a população cristã estar a crescer, a discriminação que sente é tal que um em dois cristãos com menos de 30 anos pensa emigrar..É verdade que a população cristã (cuja larga maioria é árabe) está a crescer. No entanto, as ações das autoridades militares e civis israelitas em relação aos cristãos preocupam. Em julho passado, a única igreja católica na Faixa de Gaza foi atingida por um bombardeamento que, além do mais, feriu o pároco local, Gabriel Romanelli. Noutro registo, em 2024, uma unidade de elite entrou numa igreja no sul do Líbano e simulou um casamento entre soldados, tendo filmado e partilhado o mesmo nas redes sociais. No Domingo de Ramos, as autoridades israelitas interromperam uma tradição de séculos ao impedirem o acesso do patriarca latino Pierbattista Pizzaballa à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, tendo alegado o cumprimento de medidas de segurança decorrentes da guerra contra o Irão..Domingo de Ramos. Líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa na Igreja do Santo Sepulcro.Estes casos não são exceções. Os cristãos sentem na pele a discriminação a que estão sujeitos. O Rossing Center for Education and Dialogue, com sede em Jerusalém, elabora desde 2024 um relatório anual sobre o tema, e em cada ano registaram mais casos de violência: 89 em 2023, 111 em 2024 e 155 em 2025. No último ano, os atos atribuídos em geral aos judeus ultraortodoxos dividiram-se em 61 ataques físicos — a maioria dos quais a padres, frades e freiras —, 52 ataques ao património da Igreja, 28 casos de assédio e 14 casos de vandalismo contra sinais públicos. O mal-estar entre cristãos é tal que, como indica uma sondagem realizada para o relatório do ano anterior, um em cada três cristãos considera sair do país, número que sobe para quase um em dois entre os cristãos com menos de 30 anos.