A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros elogiou esta terça-feira, 31 de março, “a coragem e resiliência” dos ucranianos e garantiu que “a Europa está ao vosso lado. Continuaremos a prestar apoio militar, financeiro, energético e humanitário”. Numa visita a Kiev e a Bucha acompanhada por vários ministros dos Negócios Estrangeiros europeus para marcar o quarto aniversário do massacre russo naquela segunda cidade ucraniana, Kaja Kallas afirmou que Bruxelas fará “tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir a total responsabilização pelos crimes da Rússia”. “Quatro anos depois destes massacres, lembramo-nos das vítimas. O que aconteceu aqui não pode ser negado”, sublinhou.Já o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, lembrou os julgamentos de Nuremberga contra os líderes nazis, apelando para a necessidade do Tribunal Especial para o Crime de Agressão de forma a “impedir que crimes tão horríveis se repitam no futuro”.“A escala das atrocidades russas durante a sua agressão não foi vista em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. O crime de agressão é a raiz de tudo isto. Deve haver responsabilização e não haverá amnistia para os criminosos russos, incluindo a mais alta cúpula política e militar da Federação Russa”, notou Sybiha.Após uma reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, realizada na Ucrânia, foi divulgada uma declaração conjunta onde é reafirmado “o nosso compromisso em garantir a plena responsabilização pelos crimes de guerra e pelos restantes crimes gravíssimos cometidos no âmbito da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia”. “Neste contexto, saudamos os recentes progressos alcançados no âmbito do Conselho da Europa, com o apoio da União Europeia, no sentido da operacionalização do Tribunal Especial para o Crime de Agressão contra a Ucrânia e da criação da Comissão Internacional de Reclamações para a Ucrânia”, prossegue a declaração. “Manifestamos também o nosso apoio às investigações do Tribunal Penal Internacional sobre a situação na Ucrânia e apelamos à plena cooperação de todos os Estados Partes”.Sem surpresa, esta declaração foi assinada pela líder da diplomacia da UE, pela Ucrânia e por apenas 26 países do bloco, tendo a Hungria ficado mais uma vez de fora de qualquer manifestação de apoio a Kiev. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, um aliado do Kremlin que poderá ver os seus 16 anos no poder chegarem ao fim nas eleições de 12 de abril, tem apostado num discurso anti-Ucrânia (que chama de “inimiga” da Hungria) e vetado pacotes de sanções contra a Rússia, bem como o empréstimo de 90 mil milhões de euros para Kiev. Esta terça-feira também surgiram novidades sobre as comunicações entre o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, e o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, com uma investigação do The Insider e de quatro meios de comunicação regionais (VSquare, DelfiEE, FrontStory e o Centro de Investigação de Ján Kuciak) a noticiar que Szijjártó discutia planos confidenciais da UE sobre sanções com Moscovo, procurando formas de alterar as listas ou influenciar a sua adoção. “Há quatro anos que dizemos que as sanções são um fracasso, causando mais danos à UE do que à Rússia. A Hungria nunca concordará em sancionar indivíduos ou empresas essenciais para a nossa segurança energética, para a conquista da paz, ou aqueles que não têm qualquer motivo para constar de uma lista de sanções”, respondeu, através do X, o líder da diplomacia húngara, acrescentando que estas notícias “provaram que digo a mesma coisa publicamente e ao telefone”.Uma porta-voz da Comissão disse ontem que Kaja Kallas falou com Szijjártó no início da semana, “reiterando, mais uma vez, a importância da confidencialidade das discussões à porta fechada”. Vários líderes mostraram indignação face a mais estas revelações, como o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, que disse que são “uma confirmação da dependência política profundamente perturbadora” de Budapeste em relação a Moscovo. “Devemos reavaliar a nossa relação com a Hungria com base nisto, especificamente em relação ao que partilhamos e ao que não partilhamos com eles, porque, obviamente, é simplesmente errado um membro da NATO comprometer a nossa segurança desta forma”, disse, por seu turno, o presidente checo, Petr Pavel..Ministro húngaro admite falar com russos (e não só) antes e após reuniões da União Europeia.Hungria não cede e Europa falha aprovação de empréstimo a Kiev