Milhares participaram nas cerimónias de homenagem a Mladic em Belgrado, antes do funeral.
Milhares participaram nas cerimónias de homenagem a Mladic em Belgrado, antes do funeral.FOTO:EPA/ANDREJ CUKIC

UE critica glorificação de criminosos de guerra após milhares assistirem ao funeral do "carniceiro da Bósnia"

Ratko Mladic morreu a 27 de agosto no no hospital do centro de detenção de Haia, onde cumpria pena perpétua por genocídio. Tinha 84 anos. Foi enterrado esta segunda-feira (7 de setembro) em Belgrado.
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A União Europeia (UE) criticou esta segunda-feira (7 de setembro) a "glorificação de um criminoso de guerra", depois de milhares de pessoas terem participado, em Belgrado, na última homenagem ao "carniceiro da Bósnia" Ratko Mladic.

"Qualquer glorificação dos criminosos de guerra, negação do genocídio e revisionismo contradizem os valores europeus mais fundamentais e não têm lugar na União Europeia nem nos países candidatos à adesão", disse num comunicado partilhado no X o porta-voz da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança.

"A reconciliação e as boas relações de vizinhança nos Balcãs Ocidentais continuam a ser essenciais para a construção de um futuro comum", acrescentou Christian Wigand.

A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, cancelou uma visita oficial a Belgrado prevista para esta semana devido aos atos de "glorificação" do antigo general.

O antigo comandante dos sérvios da Bósnia morreu no dia 27 de agosto, aos 84 anos, no hospital do centro de detenção de Haia. Estava a cumprir prisão perpétua por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos durante a guerra de 1992-1995.

Foi condenado em 2017 (e viu a pena confirmada em 2021) pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, que descreveu os seus crimes como "alguns dos mais hediondos conhecidos pela humanidade", lembrou Wigand no comunicado.

Em julho de 1995, as tropas sob o seu comando tomaram o enclave muçulmano de Srebrenica, então protegido pela ONU. Nos dias seguintes, mais de oito mil homens e rapazes bósnios muçulmanos foram assassinados, num crime que os tribunais internacionais classificaram como genocídio.

A última homenagem a Mladic reuniu milhares de pessoas na capital sérvia, com as televisões locais a transmitir em direto imagens da Igreja Ortodoxa de São Lucas, com o caixão no altar ladeado por seis membros do Exército Sérvio.

O funeral foi no cemitério de Topcider, na capital sérvia, onde o caixão será colocado junto dos restos mortais da sua filha Ana, que se suicidou em 1994, durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

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