Ratko Mladic durante o processo de recurso em tribunal, em 2021.
Ratko Mladic durante o processo de recurso em tribunal, em 2021.FOTO:EPA/JERRY LAMPEN

Morreu Ratko Mladic, o "carniceiro da Bósnia" condenado por genocídio

O antigo comandante militar dos sérvios da Bósnia morreu no hospital do centro de detenção de Haia, onde cumpria pena perpétua. Tinha 84 anos.
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Ratko Mladic, o comandante militar dos sérvios da Bósnia durante a guerra de 1992-1995, morreu esta quinta-feira (27 de agosto) no hospital do centro de detenção das Nações Unidas em Haia, onde cumpria pena. Tinha 84 anos.

O "carniceiro da Bósnia", como era conhecido pelas atrocidades cometidas durante a guerra em que morreram cerca de 100 mil pessoas, tinha sido condenado a prisão perpétua por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

A notícia foi avançada por meios de comunicação sérvios e confirmada por um responsável das Nações Unidas à agência Reuters.

Enquanto comandante do Exército da República Srpska, liderou as forças sérvio-bósnias entre 1992 e 1995, período em que ocorreu o cerco de Sarajevo e o massacre de Srebrenica, considerado o pior crime cometido em solo europeu desde a II Guerra Mundial.

Nascido em 1942 na atual Bósnia-Herzegovina, então parte da Jugoslávia, Mladic esteve no Exército Popular Jugoslavo antes de assumir o comando das forças sérvias da Bósnia no início da guerra.

Em julho de 1995, as tropas sob o seu comando tomaram o enclave muçulmano de Srebrenica, então protegido pela ONU. Nos dias seguintes, mais de oito mil homens e rapazes bósnios muçulmanos foram assassinados, num crime que os tribunais internacionais classificaram como genocídio.

O Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia acusou-o formalmente em 1995, mas Mladic conseguiu permanecer em fuga durante quase 16 anos. Foi detido em maio de 2011 numa aldeia do norte da Sérvia.

Julgado em Haia, foi condenado em 2017 por genocídio, perseguição, extermínio, assassinato, deportação, terror contra a população civil de Sarajevo e tomada de reféns entre os capacetes-azuis da ONU. Em junho de 2021, um tribunal de recurso confirmou a pena de prisão perpétua.

Mladic tinha vários problemas de saúde devido a problemas cardíacos e tinha sofrido múltiplos acidentes vasculares cerebrais. As autoridades sérvias e a sua defesa tinham tentado, em várias ocasiões, pedir a sua libertação por motivos humanitários e transferência para a Sérvia. Um desses pedidos foi recusado ainda na semana passada.

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