Ucrânia vai retomar ataques contra instalações de energia russas
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou esta quinta-feira, 15 de outubro, que Kiev vai retomar os ataques contra refinarias russas, apesar da trégua nos ataques a infraestruturas energéticas defendida pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump.
Apesar do anúncio do presidente norte-americano no domingo, a trégua não foi confirmada nem pela Rússia nem pela Ucrânia.
Numa entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada esta quinta-feira, Zelensky afirmou que a Ucrânia se comprometeu apenas a uma pausa de três dias, desde domingo. O presidente ucraniano, que se deslocou esta semana a Londres, acrescentou que Moscovo, nos últimos dias realizou pelo menos uma centena de ataques contra infraestruturas da Ucrânia.
Segundo o Financial Times, o chefe de Estado ucraniano "não escondeu irritação" com os Estados Unidos, devido ao distanciamento que o presidente Donald Trump adotou em relação a Kiev.
Na notícia publicada no jornal britânico, Zelensky referiu-se também ao bloqueio do acesso do Exército ucraniano a informações recolhidas por meios tecnológicos norte-americanos, o que privou o país de sistemas de alerta contra ataques com mísseis balísticos.
Segundo Zelensky, as autoridades militares norte-americanas disseram abertamente aos homólogos ucranianos que os ataques contra instalações russas tinham de ser suspensos.
"Se não pararem os ataques, vamos bloquear o acesso aos serviços de informação", revelou Zelensky referindo-se aos Estados Unidos.
Zelensky salientou que a empresa norte-americana Starlink, do magnata Elon Musk — aliado de Trump —, reduziu o ritmo dos serviços na Ucrânia, afetando diretamente as operações na linha da frente e os ataques de médio alcance contra alvos russos.
Para Zelensky, a redução do funcionamento do sistema não se deveu a um problema técnico, como a Starlink deu a entender, mas sim a uma decisão deliberada da empresa.
Por outro lado, Zelensky considerou que a divisão entre a Europa e os Estados Unidos em relação à guerra na Ucrânia é o fator que mais tem ajudado Putin no contexto interno russo.
A Rússia invadiu a Ucrânia em 2014, anexando a Península da Crimeia, e lançou uma campanha militar de grande escala contra todo o território ucraniano em 2022.

