A Ucrânia vai comprar 20 novos caças Gripen à Suécia e Estocolmo, por seu turno, irá doar a Kiev 16 unidades de um modelo mais antigo desta aeronave fabricada pela Saab no próximo ano, anunciaram esta quinta-feira, 28 de maio, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson. A Ucrânia atribuiu 2,5 mil milhões de euros do empréstimo de 90 mil milhões da União Europeia para as aeronaves, sendo que as entregas do novo modelo deverão começar a partir de 2030.“O Gripen é a melhor e mais adequada escolha para a Ucrânia. Por isso, hoje, damos o próximo passo importante nesta viagem conjunta”, disse Kristersson numa conferência de imprensa na base aérea de Uppsala, na Suécia. “Precisamos destes caças e, para nós, este é realmente um novo capítulo na história da Ucrânia”, disse, por sua vez, Zelensky, acrescentando que Kiev pretende comprar todos os 150 caças estipulados na carta de intenções original, assinada pelos dois no ano passado. “Deus nos abençoe, teremos financiamento suficiente para isso”.De acordo com o primeiro-ministro sueco, as negociações para a aquisição do Gripen E estão em curso, com estas aeronaves mais modernas a começarem dentro de quatro anos. Após a Ucrânia finalizar o acordo de compra e a Suécia obter as aprovações de exportação necessárias, prosseguiu Kristersson, Estocolmo irá transferir 16 aeronaves Gripen C/D atualmente usadas pela Força Aérea Sueca, estando as entregas previstas para o início do próximo ano. Zelensky confirmou este calendário, adiantando que os pilotos ucranianos já iniciaram os treinos relacionados com os Gripen “há algum tempo”. Um comunicado conjunto nota que este é “o maior pacote de apoio militar até à data” da Suécia, pois, além da doação dos Gripen C/D, “inclui capacidades de longo alcance, munições, capacidades de guerra eletrónica e apoio à inovação”.Este acordo com a Suécia vai permitir à Ucrânia ampliar a sua frota de aviões de combate fornecidos pelo Ocidente, que já inclui F-16 norte-americanos e Mirage 2000 franceses, com Kiev a ressalvar que continuará a precisar de mais aeronaves para defender as suas cidades e infraestruturas dos ataques diários de mísseis e drones russos.Kristersson foi questionado se esperava uma reação hostil da Rússia a este acordo, respondendo que tal era “bastante óbvio”. “Sabemos muito bem o que a Rússia pensa dos países que prestam ajuda à Ucrânia, por isso não nos surpreenderia”, afirmou o líder sueco. “Acho que todos os países da nossa região estão muito bem preparados para diferentes reações russas, para ameaças híbridas e todas essas coisas que estão a acontecer, por isso, nesse sentido, isso não muda nada.”Já Zelensky foi questionado sobre a carta que enviou ao presidente Donald Trump e ao Congresso dos Estados Unidos, na qual pede ajuda com a defesa aérea. “Neste momento, a diplomacia não pode deter a Rússia. Estamos a detê-los com os nossos mísseis de longo alcance e pedimos veementemente aos nossos parceiros americanos que nos ajudem a alocar um maior número de mísseis antibalísticos ou que concedam à Ucrânia licenças para que possa aumentar essa capacidade por si própria.”Possibilidade que justifica com a guerra no Irão, que complicou o fornecimento de mísseis Patriot, dizendo que a Europa “precisa de ter aqui, neste continente, todas as capacidades necessárias para proteção”..Aumenta a pressão para a Ucrânia se juntar à NATO e à União Europeia