A Ucrânia e a Noruega vão iniciar a produção conjunta de drones de ataque de médio alcance concebidos por Kiev, estando previstas vários milhares de unidades para as Forças Armadas da Ucrânia, informou esta segunda-feira, 27 de abril, o Ministério da Defesa ucraniano. Esta segunda-feira também, o primeiro-ministro Donald Tusk anunciou que a Polónia pretende “construir uma frota de drones” com o apoio da experiência técnica e prática ucraniana.“Em apenas quatro anos, a Ucrânia construiu uma indústria nacional de drones capaz de produzir milhões de unidades anualmente, além de a modernizar e inovar diariamente”, referem Maksym Beznosiuk e William Dixon numa análise para o Atlantic Council. “Isto está a criar oportunidades diplomáticas que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, está a explorar com habilidade”.Estes dois analistas apontam as recentes visitas de Zelensky a países do Golfo - como a Arábia Saudita ou o Qatar - como um exemplo “da diplomacia militar, ou, no caso da Ucrânia, da diplomacia com drones”. E que também já se começa a notar na Europa - este mês, Kiev assinou acordos de cooperação com a Alemanha e a Noruega, com foco na perícia ucraniana com drones. Ao mesmo tempo, as empresas ucranianas de drones estão a estabelecer produção conjunta em países como a Dinamarca, o Reino Unido e a Alemanha. E agora a Noruega. “Projetos como a produção conjunta e o fornecimento garantido de drones fortalecem diretamente as nossas forças no campo de batalha”, afirmou ontem o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, explicando que esta parceria permite a Oslo, que financiará o projeto, produzir tecnologias já comprovadas em combate e Kiev recebe equipamento para usar na linha da frente - os primeiros deverão ser entregues no verão. “A diplomacia ucraniana com drones estende-se também ao fornecimento de formação aos aliados. A Alemanha tornou-se no mais recente país a assinar um acordo com Kiev para que os instrutores ucranianos ensinem os militares alemães sobre as realidades da guerra moderna com drones”, lembram ainda Maksym Beznosiuk e William Dixon.Agora foi a vez da Polónia anunciar também que pretende criar em conjunto com a Ucrânia uma “frota de drones”, aproveitando a experiência militar de Kiev para reforçar a segurança do espaço aéreo europeu contra a agressão russa. Projeto que será financiado com fundos polacos e da União Europeia, conforme explicou Donald Tusk. Para o primeiro-ministro polaco, o plano pretende alcançar “um salto tecnológico sem precedentes” no desenvolvimento de drones de combate, graças ao “conhecimento técnico e à experiência em drones” das forças ucranianas, sublinhando que Kiev “provou ser um parceiro para os países que desejam defender-se contra ataques aéreos”. “Trata-se de uma notável inversão de papéis. Até recentemente, as tropas ucranianas recebiam treino de rotina dos seus homólogos da NATO, enquanto os planeadores militares ucranianos se concentravam em adotar e incorporar as normas da NATO. Devido às mudanças drásticas dos últimos quatro anos, Kiev está agora em condições de se tornar indispensável para a segurança futura da Europa”, notam os dois analistas do Atlantic Council, que deixam um alerta: “O mundo começa a reconhecer que a Ucrânia é um parceiro potencialmente valioso, e não um problema geopolítico. Mas este reconhecimento não garante a segurança futura. A menos que a Ucrânia consiga ir além da transferência de tecnologia e caminhar para a integração institucional, corre o risco de se tornar um laboratório para que outros se preparem para as guerras do futuro”. .Berlim dá sinal de apoio a Kiev com a celebração de parceria estratégica.Londres e Kiev criam parceria para fabricar e vender drones