O presidente Donald Trump e o chefe da diplomacia norte-americana levantaram, na quinta-feira (21 de maio), o espetro de uma intervenção militar dos EUA em Cuba, ameaça que ganha peso após Washington anunciar acusações criminais contra Raúl Castro."Outros presidentes têm vindo a analisar esta questão há 50, 60 anos, pensando em fazer alguma coisa", disse Trump aos jornalistas quando questionado sobre Cuba durante um evento na Sala Oval."E parece que serei eu a fazê-lo. Por isso, ficaria feliz por fazê-lo", rematou o presidente dos Estados Unidos.Também o secretário de Estado, Marco Rubio, disse aos jornalistas num outro evento que Cuba tem sido uma ameaça à segurança nacional desde há anos, devido às ligações com adversários dos Estados Unidos, e que Donald Trump está decidido a resolver a questão.O chefe da diplomacia norte-americana afirmou que os EUA preferem um acordo negociado com Cuba, mas duvidam que consigam chegar a uma resolução diplomática com o atual Governo da ilha."A preferência de Trump é sempre um acordo negociado que seja pacífico. Essa é sempre a nossa preferência. Continua a ser a nossa preferência em relação a Cuba", afirmou Rubio em Miami, antes de embarcar num avião para participar numa reunião da NATO na Suécia e, posteriormente, visitar a Índia."Estou apenas a ser sincero, sabem, a probabilidade de isso acontecer, tendo em conta com quem estamos a lidar neste momento, não é grande", afirmou.Os principais assessores de Trump — incluindo Rubio, o diretor da CIA, John Ratcliffe, e outros altos responsáveis pela segurança dos EUA — reuniram-se com autoridades cubanas nos últimos meses para explorar possíveis melhorias nas relações bilaterais, mas a parte norte-americana saiu pouco impressionada das conversações, o que levou à imposição de ainda mais sanções ao Governo cubano na semana passada.Ao longo dos anos, Cuba habituou-se a "ganhar tempo e a esperar que desistamos", disse Rubio. "Não vão conseguir que desistamos nem vão ganhar tempo. Estamos muito empenhados, estamos muito concentrados", afirmou Rubio.Quando questionado sobre se os Estados Unidos usariam a força em Cuba para mudar o sistema político da ilha, Rubio repetiu que Washington prefere uma solução diplomática, mas observou que "o presidente tem sempre a opção de fazer o que for preciso para apoiar e proteger o interesse nacional".As novas ameaças surgem após o anúncio dos EUA esta quarta-feira de acusações contra o antigo Presidente cubano, irmão de Fidel, Raul Castro, que faz 95 anos em junho.Os procuradores federais revelaram uma acusação que imputa a Castro a ordem do abate, em 1996, de aviões civis pilotados por exilados sediados em Miami. As acusações, que foram secretamente apresentadas por um grande júri em abril, incluem homicídio e destruição de um avião.O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, condenou a acusação, considerando-a uma manobra política que visa "justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba".A acusação contra Castro sugere que a Administração Trump está a seguir o mesmo guião que utilizou quando capturou o então presidente venezuelano Nicolás Maduro numa operação militar no início de janeiro. Maduro, que se encontra detido nos EUA desde a captura, enfrenta acusações federais de tráfico de droga e declarou-se inocente.As forças armadas dos EUA anunciaram a chegada do porta-aviões USS Nimitz e dos navios que o acompanham ao mar das Caraíbas no mesmo dia em que foram anunciadas as acusações contra Castro.O Comando Sul dos EUA afirmou que os navios estão a participar em exercícios marítimos com parceiros da América Latina, que tiveram início em março..EUA apertam o cerco a Cuba que recebe apoio de China e Rússia .Rubio oferece "uma nova relação entre EUA e Cuba" e diz que o único obstáculo é quem governa a ilha