O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reiterou esta quinta-feira (21 de maio) que a “preferência” dos EUA em relação a Cuba é “sempre um acordo negociado que seja pacífico”. Contudo, disse não estar otimista de que isso seja possível, deixando aberta a porta a uma ação militar contra a ilha (há relatos de que o porta-aviões USS Nimitz está próximo). Isto um dia depois de o Departamento de Justiça ter acusado o ex-líder cubano Raúl Castro no caso do abate de dois aviões, que fez quatro mortos, há 30 anos. Os EUA apertam o cerco, mas Rússia e China voltaram a reafirmar o seu apoio à ilha.“A preferência do presidente [Donald Trump] é sempre um acordo negociado e pacífico”, disse Rubio aos jornalistas antes de partir de Miami para a Suécia, onde assistirá a uma reunião dos chefes da diplomacia da NATO, antes de seguir para a Índia. “Essa continua a ser a nossa preferência com Cuba”, acrescentou, dizendo que “a probabilidade de isso acontecer, tendo em conta com quem estamos a lidar agora, não é elevada”.Mais tarde, o próprio Trump falou sobre Cuba. “Outros presidentes analisaram isto durante 50, 60 anos, tomando algumas medidas”, disse Trump aos jornalistas na Sala oval, quando questionado sobre uma possível intervenção na ilha. “E parece que serei eu a fazê-lo. Por isso, terei todo o prazer em fazê-lo”, acrescentou.Na véspera, Rubio tinha enviado uma mensagem em vídeo aos cubanos (ele próprio é de origem cubana) a propor uma “nova relação” e a dizer que o único obstáculo era a liderança da ilha. .Rubio oferece "uma nova relação entre EUA e Cuba" e diz que o único obstáculo é quem governa a ilha.Horas depois, o Departamento de Justiça confirmava a acusação formal contra Raúl Castro, de 94 anos, pelo abate de dois aviões civis da organização Hermanos al Rescate, em 1996, quando era ministro da Defesa..EUA acusam Raúl Castro de conspiração para matar pelo papel no derrube de dois aviões há 30 anos.O governo cubano criticou esta decisão que apelidou de “política”, acusando os EUA de cinismo. “É extremamente cínico que esta acusação seja feita pelo mesmo governo que assassinou quase 200 pessoas e destruiu 57 embarcações em águas internacionais das Caraíbas e do Pacífico, longe do território dos Estados Unidos, com o uso desproporcional da força militar, por alegadas ligações a operações de tráfico de droga que nunca foram provadas, o que qualifica como crimes de execuções extrajudiciais, de acordo com o Direito Internacional, e assassinatos, segundo as próprias leis dos EUA”, indicou Havana em comunicado.Cuba recebeu entretanto o apoio dos aliados: China e Rússia. “Os EUA devem cessar o uso de sanções e do aparelho judicial como ferramentas de opressão contra Cuba e abster-se de fazer ameaças de uso da força em qualquer momento”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Guo Jiakun. “Reafirmamos a nossa total solidariedade para com Cuba e condenamos veementemente qualquer tentativa de interferência grosseira nos assuntos internos de um Estado soberano, a intimidação e o uso de medidas restritivas unilaterais ilegais, ameaças e chantagem”, indicou, por seu lado, o Kremlin.