“Essa decisão vai causar problemas de toda a ordem ao Brasil e não traz nenhum benefício prático”, reagiu Lincoln Gakiya, promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga há décadas a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Em causa a decisão dos EUA de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital), e também o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.Na prática, com essa decisão, tomada por Donald Trump após recomendação do senador e pré-candidato à presidência brasileira Flávio Bolsonaro, que foi recebido pelo presidente dos EUA na terça-feira, as investigações e operações americanas contra PCC e CV saem da tutela do FBI e da agência federal de combate ao tráfico de drogas (DEA) e passam a estar a cargo da CIA e das forças militares. “Nesse caso, as informações passam a secretas, ultrassecretas e confidenciais, isso vai gerar um prejuízo na troca de informações entre países”, prosseguiu Gakiya, em declarações à Globonews. No limite, portanto, a decisão pode levar a intervenções dos EUA no Brasil, como sucedeu recentemente na Venezuela, porque PCC e CV estão agora na mesma categoria do Cartel de los Soles, ligado, segundo a CIA, ao regime de Nicolás Maduro, deposto e preso pelo governo americano. Existe, no entanto, uma diferença essencial: Washington não reconhecia Maduro como líder legítimo venezuelano ao contrário do que sucede com Lula da Silva, presidente brasileiro com quem Trump mantém relação amigável e vem assinando acordos de cooperação.“A classificação, entretanto, cria a possibilidade de que as Forças Armadas dos EUA atuem abatendo aviões ou afundando navios suspeitos, por exemplo, como fizeram no litoral venezuelano”, adverte Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, no G1.Ao jornal Metrópoles, o mestre em relações internacionais Tanguy Baghdadi lembra que a medida ainda cria entraves burocráticos ao Brasil “porque empresas e cidadãos brasileiros terão um escrutínio muito mais rigoroso para atuar nos EUA”.O caso entrará seguramente na campanha eleitoral para a presidência da República, uma vez que o campo de Flávio, como esperado, aplaudiu a atitude, e o governo de Lula, candidato à reeleição, é contra. Para o presidente da República do Brasil, “a Lei Antifacção recentemente aprovada no Congresso já vai permitir uma atuação muito mais poderosa para tentar destruir essas organizações”. “Essa guerra é nossa, não é dos EUA”, disse Lula, em abril.Já no ano passado, outro filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o deputado suspenso por faltas Eduardo, moveu influências na administração Trump para irritação do Planalto. Na ocasião, trabalhou para o aumento de tarifas comerciais entre os países e a limitação de vistos para autoridades brasileiras como retaliação à condenação de Bolsonaro no caso da tentativa de golpe de estado..Tribunal rejeita culpas no caso “Hulk” e aponta lacuna na lei de asilo e extradição. Caso está no Constitucional.Oito mortos, incluindo o chefe do Comando Vermelho, durante operação policial no Rio de Janeiro