Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou que as forças norte-americanas vão atacar com "muita força" o Irão nas próximas duas a três semanas.A promessa surgiu na madrugada (em Portugal) desta quinta-feira, 2 de abril, num discurso ao país, após 33 dias do conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram uma campanha de bombardeamentos contra território iraniano."Vamos atacá-los com extrema dureza nas próximas duas a três semanas. Vamos mandá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem. Entretanto, as negociações continuam", afirmou o presidente norte-americano."Se não houver acordo, vamos atacar cada uma das suas centrais elétricas com muita dureza e, provavelmente, em simultâneo", acrescentou, num discurso dirigido aos norte-americanos a partir da Casa Branca.Trump manifestou-se também convicto de que, assim que a guerra contra o Irão terminar, o estreito de Ormuz "abrir-se-á naturalmente", porque a República Islâmica precisa da venda de petróleo para se reconstruir e, por isso, os preços do petróleo irão baixar e as bolsas voltarão a registar ganhos.Por outro lado, o inquilino da Casa Branca pediu aos países que dependem do petróleo escoado do Golfo através do estreito de Ormuz que "cuidem" da passagem estratégica, por onde transita 20% do petróleo mundial em condições normais, porque os Estados Unidos "não precisam" desse petróleo e gás."Vão para o estreito, tomem-no, protejam-no, utilizem-no", declarou o presidente norte-americano, que vem a criticar há semanas vários países aliados da NATO e outros países em todo o mundo por não terem auxiliado os Estados Unidos e Israel na campanha militar contra o Irão.Trump reiterou vários argumentos justificativos dos ataques ao Irão produzidos desde o início da campanha em 28 de fevereiro, nomeadamente o de que a República Islâmica estava a tentar "reconstruir o seu programa nuclear num local totalmente diferente", dos locais bombardeados na operação 'Midnight Hammer', em 22 de junho, e que, por isso, tiveram de "acabar com eles" antes de adquirirem a capacidade de atingir os Estados Unidos e a Europa, algo que especialistas internacionais contestam."O regime procurou reconstruir o seu programa nuclear num local totalmente diferente, deixando claro que não tencionava abandonar a sua intenção de obter armas nucleares. Estava também a construir rapidamente os seus arsenais de mísseis balísticos convencionais e poderia em breve dispor de mísseis capazes de atingir o território norte-americano, a Europa e praticamente qualquer lugar do mundo", disse Trump."Que estes terroristas tivessem uma arma nuclear teria sido uma ameaça intolerável", disse Trump para justificar a operação militar 'Fúria Épica', iniciada em conjunto com Israel em 28 de fevereiro e que, após mais de um mês, colocou a economia mundial no limiar de uma crise económica.O presidente insistiu nas mesmas mensagens que tem vindo a transmitir através das redes sociais, intervenções públicas ou entrevistas nos últimos dias e que não deixam claro quando é que Washington pretende pôr fim à operação e se haverá um destacamento de tropas norte-americanas no Irão, depois de o Pentágono ter enviado milhares de militares para o Médio Oriente.Trump também não fez qualquer referência ao estado da relação entre os Estados Unidos e a NATO, depois de afirmar no início da semana que essa aliança deve ser questionada, atendendo à falta de apoio dos aliados nesta guerra."Nenhuma tropa inimiga deve sobreviver", avisa IrãoNa sequência do discurso de Trump, o Irão fez um aviso claro aos Estados Unidos através do seu chefe do Exército, Amir Hatami, que disse se as forças norte-americanas decidirem avançar para uma operação terrestre em território iraniano, não haverá sobreviventes entre os que considera serem os invasores."Nenhuma tropa inimiga deve sobreviver caso os adversários tentem uma operação terrestre", afirmou, citado pela Associated Press.“A sombra da guerra deve ser dissipada do nosso país e deve haver segurança para todos, porque não é possível que os lugares sejam seguros e o nosso povo esteja inseguro”, disse na televisão iraniana.Após as novas ameaças de Trump contra o Irão, a embaixada dos Estados Unidos em Bagdade emitiu um novo aviso e pediu aos seus cidadãos que deixem o país "agora""Grupos de milícias terroristas iraquianas alinhadas com o Irão podem ter a intenção de realizar ataques no centro de Bagdade nas próximas 24 a 48 horas", indicou a embaixada dos Estados Unidos na capital iraquiana.No novo aviso, a representação diplomática norte-americana refere que "o Irão e as milícias terroristas alinhadas com o Irão têm levado a cabo ataques generalizados contra cidadãos norte-americanos e alvos associados aos EUA em todo o Iraque". Ataques "podem visar cidadãos americanos, empresas, universidades, instalações diplomáticas, infraestruturas energéticas, hotéis, aeroportos e outros locais considerados associados aos Estados Unidos, bem como instituições iraquianas e alvos civis. Milícias terroristas têm sequestrado americanos. Os cidadãos americanos devem deixar o Iraque agora", lê-se no aviso..Macron diz que opção militar para reabrir estreito de Ormuz é "irrealista".Ana Santos Pinto: “O risco do Irão optar por um programa nuclear militar é maior hoje”