Trump ameaça ofensiva final contra o Irão: "Estamos prontos para acabar com o que resta"

Presidente dos EUA retalia ao fim das negociações com bloqueio naval ao Estreito de Ormuz. E ameaça a China com tarifas de 50%. Guarda Revolucionária iraniana reage com retórica de "turbilhão mortal".
Trump ameaça ofensiva final contra o Irão: "Estamos prontos para acabar com o que resta"
BONNIE CASH/EPA

Guarda Revolucionária ameaça inimigos com "turbilhão mortal" no Estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irão afirmou este domingo ter o controlo total do tráfego no Estreito de Ormuz e ameaçou prender os seus inimigos num “turbilhão mortal”, após declarações dos Estados Unidos (EUA).

“O inimigo ver-se-á preso num turbilhão mortal no Estreito se der um passo em falso”, afirmou o comando naval da Guarda Revolucionária do Irão, numa mensagem publicada na rede social X, acompanhada de um vídeo que mostra navios na sua mira, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado um bloqueio de entradas e saídas de navios no Estreito de Ormuz.

“Todo o tráfego […] está completamente sob o controlo das forças armadas”, garantiu o comando naval da Guarda Revolucionária, na mesma mensagem.

Trump ameaça ofensiva final contra o Irão: "Estamos prontos para acabar com o que resta"

Além do bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, o presidente dos EUA afirma que as forças armadas norte-americanas estão em alerta máximo após o fracasso de 20 horas de negociações no Paquistão.

As declarações surgem numa longa publicação na rede social de Donald Trump, Truth Social:

Segundo Trump, as forças armadas dos Estados Unidos estão "preparadas e carregadas" (locked and loaded) para uma ofensiva final contra o território iraniano. A declaração surge na sequência do colapso das conversações diplomáticas em Islamabad, onde a recusa de Teerão em abandonar as suas ambições nucleares terá sido o ponto de rutura definitivo.

Na sua rede social, Trump descreve um cenário em que a infraestrutura militar do Irão se encontra praticamente desmantelada — com a marinha e força aérea alegadamente neutralizadas e as defesas antiaéreas que diz já serem "inúteis" — e posiciona os EUA para o que descreve como o encerramento do conflito.

"A um momento apropriado, estamos totalmente 'preparados e carregados', e os nossos militares vão acabar com o pouco que resta do Irão!", afirma categoricamente, justificando a medida como a única resposta possível à "extorsão mundial" praticada pelo regime de Teerão.

Bloqueio total ao estreito de Ormuz

Como medida imediata e punitiva, a Marinha dos EUA recebeu ordens para iniciar um bloqueio total ao Estreito de Ormuz. Trump instruiu as forças navais a intercetar qualquer embarcação em águas internacionais que tenha pago taxas de passagem ao Irão, classificando tais pagamentos como "portagens ilegais".

E avisa: "Qualquer iraniano que dispare contra nós (...) será mandado para o inferno!", escreve o presidente.

A decisão de avançar para a via militar direta ocorre após uma reunião de quase 20 horas mediada pelo Paquistão. Segundo Trump, os seus representantes — JD Vance, Steve Witkoff e Jared Kushner — terão estabelecido uma relação de respeito com os negociadores iranianos Mohammad-Bagher Ghalibaf, Abbas Araghchi e Ali Bagheri, chegando a acordos em vários pontos secundários.

Contudo, a intransigência de Teerão em manter o seu programa nuclear inviabilizou qualquer solução diplomática. Para Trump, a segurança global não pode permitir que "pessoas voláteis e imprevisíveis" detenham poder nuclear, reiterando a sua promessa de longa data: "O Irão nunca terá uma arma nuclear".

Trump ameaça impor tarifas de 50% à China caso preste apoio militar a Teerão

O Presidente norte-americano ameaçou este domingo impor tarifas de 50% sobre os produtos provenientes da China, caso Pequim preste ajuda militar ao Irão na guerra no Médio Oriente.

"Se forem apanhados a fazer isso, serão alvo de direitos aduaneiros de 50%, o que é exorbitante", disse Donald Trump na televisão norte-americana Fox News, após a estação CNN ter avançado a possibilidade de Pequim dotar Teerão de defesas antiaéreas.

Trump deverá deslocar-se a Pequim de 14 a 15 de maio, onde se reunirá com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, após ter adiado uma cimeira anterior devido à guerra com o Irão.

Trump diz que vai demorar algum tempo até os EUA bloquearem o Estreito de Ormuz

Pouco depois das publicações na rede social Truth Social, em que anunciou que os EUA iriam bloquear o Estreito de Ormuz e que já tinha dado ordens à Marinha para o fazer, Donald Trump deu uma entrevista em que referiu que isso vai demorar algum tempo, diz a Reuters.

No programa Sunday Morning Futures with Maria Bartiromo, da FOX News, o presidente dos Estados Unidos defendeu que o Irão não pode controlar quais os navios que passam pelo Estreito de Ormuz e afirmou que ou todos os navios devem ter passagem segura ou nenhum terá.

"Não vamos deixar o Irão lucrar vendendo petróleo a quem eles querem", disse. "Será tudo ou nada, e é assim que será", afirmou o presidente, segundo avança a agência Associated Press.

Nesta entrevista, Trump Trump declarou-se ainda estar “bem” com a sua anterior ameaça de destruir a civilização do Irão, uma declaração polémica feita durante a semana na sua rede social. Segundo ele, o Irão fez declarações piores e que foi essa frase que fez os iranianos aceitarem reunir-se para negociar.

Donald Trump reiterou ainda que irá impor tarifas de 50% a qualquer país que preste assistência militar ao Irão, incluind a China.

Trump anuncia que EUA vão iniciar processo de bloqueio de todos os navios no Estreito de Ormuz

Donald Trump anunciou há pouco da rede Truth Social que os EUA vão dar início ao processo de bloqueio de todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz.

"A Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de bloqueio de todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz", escreveu, considerando que a reunião que decorreu no Paquistão para tentar chegar a um acordo para o conflito no Irão "correu bem", exceto no "unico ponto que importava", o da energia nuclear.

O presidente dos Estados Unidos avisou também que deu instruções à Marinha para "procurar e intercetar todas as embarcações em águas internacionais que tenham pago portagem ao Irão".

"Ninguém que pague uma portagem ilegal terá passagem segura em alto-mar", disse.

"Começaremos também a destruir as minas que os iranianos colocaram no Estreito. Qualquer iraniano que dispare contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será explodido", garantiu, dizendo que o Irão "sabe, melhor do que ninguém, como acabar com esta situação que já devastou o país".

"O bloqueio começará em breve", avisou, acrescentando que "outros países participarão neste bloqueio".

Trump considerou que o Irão não poderá lucrar com aquilo a que chama "extorsão". "Querem dinheiro e, mais importante, querem armas nucleares", disse, assegurando que os EUA estão "prontos para a ação". "As nossas Forças Armadas darão o golpe final no pouco que resta do Irão", ameaçou, defendendo que o melhor é o Irão iniciar o processo para reabrir o Estreito de Ormuz o mais rapidamente possível. "Todas as leis estão a ser violadas por eles", realçou.

O presidente dos EUA disse ainda que os negociadores iranianos "foram inflexíveis quanto à questão mais importante". "Como sempre disse desde o início, há muitos anos, o Irão nunca terá uma arma nuclear!", garantiu.

Ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos diz que Estreito de Ormuz não é do Irão

O ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos e CEO da petrolífera estatal ADNOC afirmou hoje que o Estreito de Ormuz nunca pertenceu ao Irão e que este país não tem o poder de o fechar ou restringir a sua navegação.

O sultão Al Jaber alertou que qualquer interrupção ameaçaria a segurança energética, alimentar e sanitária mundial, acrescentando que estabelecer tal precedente seria "perigoso e inaceitável". "O mundo simplesmente não pode suportar isto e não deve permitir que aconteça", defendeu.

Putin disponível para participar na mediação

O presidente da Rússia manifetsou-se disponível para participar na mediação do conflito no Irão, numa conversa telefónica tida com o presidente iraniano, anunciou o Kremlin, segundo avança a televisão francesa BFM.

Durante a conversa telefónica, Vladimir Putin "sublinhou que estava pronto para continuar a facilitar a procura de uma solução política e diplomática para o conflito e para servir de mediador nos esforços para alcançar uma paz justa e duradoura no Médio Oriente", avançou a mesma fonte.

Papa diz estar "mais próximo do que nunca" do povo libanês

O Papa Leão XIV afirmou hoje estar “mais próximo do que nunca” do povo libanês, defendendo ser uma “obrigação moral” proteger a população civil afetada pelo conflito e pelos bombardeamentos israelitas.

“Do amado povo libanês, estou mais próximo do que nunca nestes dias de dor, medo e esperança inabalável em Deus”, afirmou o Papa da janela do Palácio Apostólico, após a oração do “Regina Caeli”, que substitui o Angelus no período pascal.

Para o pontífice, “o princípio da humanidade inscrito na consciência de cada pessoa e reconhecido pelas leis internacionais implica a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra".

O Papa norte-americano apelou a um cessar-fogo imediato no Líbano, um país bombardeado pelo seu vizinho Israel e para onde viajou em novembro passado.

"Apelo às partes em conflito para que cessem fogo e procurem urgentemente uma solução pacífica", pediu Leão XIV.

Na véspera, o Papa tinha convocado uma vigília de oração pela paz na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e hoje reiterou os apelos para pôr fim à guerra em diferentes partes do mundo, nomeadamente na Ucrânia, no Sudão e no Líbano.

Em primeiro lugar, recordou o "amado povo ucraniano", ao felicitar as igrejas orientais que celebram a Páscoa este fim de semana e apelou à comunidade internacional para que “não diminua a atenção para o drama desta guerra”.

“Que a luz de Cristo console os corações aflitos e reforce a esperança de paz”, declarou, a respeito da Ucrânia.

Por fim, o Papa recordou que na segunda-feira se completam três anos do “sangrento” conflito no Sudão.

“Quanto sofre o povo sudanês, vítima inocente deste drama desumano. Renovo o meu apelo às partes beligerantes para que silenciem as armas e iniciem, sem condições prévias, um diálogo sincero para pôr fim, o mais rapidamente possível, a esta guerra fratricida”, instou.

Lusa

Arábia Saudita repara oleoduto e normaliza fornecimento de crude

A Arábia Saudita anunciou hoje o restabelecimento total da capacidade de funcionamento do oleoduto que atravessa o país de leste a oeste, rota de abastecimento de petróleo bruto aos mercados globais, após reparação dos danos causados por ataques iranianos.

“As infraestruturas energéticas e o oleoduto este-oeste danificados pelos ataques estão novamente em condições de funcionamento, melhorando a fiabilidade do abastecimento”, afirmou o ministério da Energia saudita, citado pela agência oficial SPA.

Este oleoduto é a principal rota de abastecimento de petróleo bruto aos mercados globais em caso de bloqueio do Estreito de Ormuz, transportando aproximadamente sete milhões de barris de crude por dia.

Os volumes perdidos no campo de Manifa, que ascendem a aproximadamente 300.000 barris por dia, foram recuperados, acrescentou o ministério.

Quanto ao campo de Khurais, os trabalhos para restabelecer a sua plena capacidade de produção continuam, e a sua conclusão será anunciada assim que estiverem concluídos.

Lusa

Presidente do Parlamento iraniano diz que EUA não conseguiram conquistar a confiança da delegação do Irão

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou hoje numa série de publicações na rede social X, que o Irão deixou clara a sua posição e que agora os Estados Unidos têm de decidir se podem ou não merecer a confiança do Irão.

"Os meus colegas da delegação iraniana apresentaram iniciativas promissoras, mas o lado oposto acabou por não conseguir conquistar a confiança da delegação iraniana nesta ronda de negociações", escreveu.

"Os Estados Unidos compreenderam a nossa lógica e os nossos princípios, e agora é tempo de decidirem se podem ou não merecer a nossa confiança", acrescentou, garantindo que o Irão não cessará os esforços "para consolidar as conquistas dos quarenta dias da defesa nacional do Irão"

Turquia acusa Netanyahu de sabotar negociações

O Governo turco acusou hoje o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de sabotar as negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão para evitar ser julgado por corrupção no seu país.

“O objetivo atual de Netanyahu é sabotar as negociações de paz em curso e prosseguir com as suas políticas expansionistas na região, porque, caso contrário, será julgado no seu país e provavelmente enviado para a prisão”, assinalou o Ministério dos Negócios Estrangeiros turco.

Netanyahu tem vários julgamentos por corrupção pendentes em Israel, mas o primeiro-ministro solicitou o adiamento das sessões por estar ocupado com a guerra iniciada pelo seu país e pelos Estados Unidos contra o Irão.

O comunicado turco é a resposta a um ‘tweet’ do primeiro-ministro israelita, no qual este assegurava que iria continuar a guerra “contra o regime terrorista do Irão e os seus aliados, ao contrário de Erdogan, que se dá bem com eles e massacra os seus próprios cidadãos curdos”.

Uma das disputas entre os Estados Unidos e o Irão nas negociações de paz, que terminaram hoje sem resultados no Paquistão, é a insistência de Teerão em incluir o Líbano no acordo de cessar-fogo, enquanto Israel se recusa a pôr fim aos seus ataques a este país.

O comunicado turco recorda que Netanyahu tem um mandado de detenção do Tribunal Internacional de Haia para ser julgado por crimes de guerra e que Israel foi denunciado por genocídio devido à guerra em Gaza.

O gabinete de imprensa de Erdogan escreveu na rede social X que Netanyahu é “um criminoso que já não tem amigos” e que tenta “arrastar a região para a guerra e o caos como estratégia para a sua sobrevivência política”.

Lusa

EUA e Irão terminam negociações de cessar-fogo sem acordo e culpando-se mutuamente

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, deu na madrugada deste domingo, 12 de abril, por terminadas as negociações entre Washington e Teerão, sem acordo de paz, depois de os iranianos se recusarem a aceitar as condições americanas de não desenvolverem uma arma nuclear.

As conversações de alto nível terminaram após 21 horas, afirmou Vance, que se manteve em comunicação constante com o Presidente norte-americano, Donald Trump, e outros membros da Administração.

"Mas a verdade é que precisamos de ver um compromisso afirmativo de que não irão procurar obter uma arma nuclear, nem irão procurar as ferramentas que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear", disse Vance aos jornalistas, numa breve conferência de imprensa em Islamad.

"Esse é o objetivo central do Presidente dos Estados Unidos. E é isso que tentámos alcançar através destas negociações", acrescentou.

"E partimos daqui, e partimos daqui com uma proposta muito simples, um método de entendimento, que é a nossa oferta final e melhor. Veremos se os iranianos a aceitam", anunciou.

A referência a um "método de entendimento" com a melhor oferta final, deixado em cima da mesa pelos Estados Unidos, está a ser recebida por vários órgãos de comunicação social norte-americanos e no Médio Oriente como um sinal de que as negociações irão prosseguir e que a hipótese de um acordo de cessar-fogo permanente não foi descartada.

Isso mesmo parece indicar o lado iraniano. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão considerou que "ninguém estava à espera" que os Estados Unidos e o Irão chegassem a um acordo logo na primeira ronda de negociações.

"Era evidente desde o início que não devíamos esperar chegar a um acordo numa única sessão [de negociações]. Ninguém estava à espera disso", declarou Esmaeil Baqaei em declarações à televisão estatal iraniana.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou estar "certo de que os contactos com o Paquistão, bem como com os outros amigos na região, irão prosseguir".

Antes disso, a televisão estatal iraniana referiu que as "exigências irracionais" dos Estados Unidos levaram ao fracasso das negociações em Islamabad para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

"A delegação iraniana negociou incansavelmente e de forma intensiva durante 21 horas para defender os interesses nacionais do povo iraniano. Apesar de várias iniciativas da parte [iraniana], as exigências irrazoáveis da parte americana impediram que as negociações avançassem. As negociações chegaram, portanto, ao fim", anunciou a Irib na rede de mensagens Telegram.

Um fonte do Irão não identificada que participou nas negociações, citada pela agência iraniana Meher, avançou entretanto que a situação no Estreito de Ormuz não irá mudar a menos que os Estados Unidos aceitem um "acordo razoável".

"O Irão não tem pressa e, a menos que os Estados Unidos aceitem um acordo razoável, não haverá alterações na situação do Estreito de Ormuz", afirmou, acrescentando que, até ao momento, "não foi fixada data nem local para uma possível próxima ronda de conversações".

"O Irão apresentou iniciativas e propostas razoáveis durante as conversações. Cabe agora aos Estados Unidos abordar os temas com realismo. Tal como o Governo norte-americano falhou nos seus cálculos bélicos, até agora também se tem enganado nas negociações", acrescentou a fonte.

"As conversações não conduziram a um acordo", concluiu sobre o contacto presencial de mais alto nível entre os Estados Unidos e o Irão desde que ambos os países romperam relações devido à revolução islâmica de 1979.

Ambas as delegações abandonaram Islamabad.

DN/Lusa

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