Trump afirma que Irão "concordou com tudo", mas Teerão nega entrega de urânio

O Presidente dos EUA antecipa um acordo histórico para este fim de semana, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano classifica o seu stock de urânio como "sagrado" e intransferível.
Trânsito no Estreito de Ormuz (imagem de arquivo)
Trânsito no Estreito de Ormuz (imagem de arquivo)HALDEN KROG/EPA

Trump afirma que Irão "concordou com tudo", mas Teerão nega entrega de urânio

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou já esta sexta-feira ao fim do dia que o Irão aceitou todas as condições impostas nas conversações com os Estados Unidos. Segundo o líder norte-americano, o compromisso inclui a colaboração conjunta para a remoção do urânio enriquecido do território iraniano, com o objetivo de o transportar para os EUA.

Em resposta, as autoridades iranianas desmentiram qualquer intenção de abdicar do seu stock de urânio. Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, afirmou à estação estatal IRIB que essa transferência nunca esteve em cima da mesa. "O urânio enriquecido do Irão é tão sagrado para nós como o próprio solo do país", sublinhou o responsável, garantindo que a posição de Teerão nas negociações é clara e sem ambiguidades.

Numa entrevista telefónica concedida à CBS, Trump esclareceu que a operação de remoção do material não exigirá o destacamento de forças militares norte-americanas para o terreno.

"Não. Nada de tropas", garantiu o presidente dos EUA. "Iremos lá buscá-lo com eles e depois levamo-lo. Faremos isto juntos porque, nessa altura, já teremos um acordo e não há necessidade de lutar quando existe um entendimento. É bom, não é? É melhor assim."

Trump acrescentou ainda que, embora prefira esta via diplomática, os EUA estariam preparados para agir "de outra forma" se fosse necessário.

Quanto ao calendário, o presidente norte-americano disse esperar que as delegações se reúnam já este fim de semana, mantendo a confiança de que o acordo final será selado num prazo de "um ou dois dias". No entanto, deixou um aviso: o bloqueio naval aos portos iranianos manter-se-á em vigor até que o processo esteja concluído.

Além da questão nuclear, Trump revelou à CBS que o Irão terá concordado em cessar o apoio financeiro e logístico a grupos considerados terroristas por Washington, nomeadamente o Hezbollah e o Hamas.

Líbano procura "acordo permanente" com Israel

O Líbano está a trabalhar para um "acordo permanente" com Israel após o cessar-fogo que entrou em vigor na última madrugada, afirmou o Presidente libanês, afastando qualquer "sinal de fraqueza" nas negociações com Telavive.

"Encontramo-nos numa nova fase", declarou Joseph Aoun no seu primeiro discurso à nação desde o começo da trégua com Israel, que assinalou como uma etapa de transição “para trabalhar no sentido de um acordo permanente que salvaguarde os direitos do povo libanês” e a unidade e soberania nacional.

Para Aoun, as primeiras negociações diretas entre os dois países, que não têm relações diplomáticas, não devem ser vistas como “um sinal de fraqueza ou uma concessão", nem de cedência de território nacional, apesar da atual ocupação israelita no sul do país.

“Estamos confiantes de que vamos salvar o Líbano, (...) recuperámos o Líbano e o poder de decisão do Líbano pela primeira vez em quase meio século”, prosseguiu o chefe de Estado, acrescentando que o seu país não é nem voltará a ser “o teatro de guerra de ninguém”.

Nesse sentido, avisou que não permitirá que “um único libanês morra”, nem a continuação do derramamento de sangue do seu povo “devido à influência de terceiros ou aos cálculos de potências próximas ou distantes".

O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.

No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar o grupo xiita, que, no entanto, recusa entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel e não cessou os seus ataques aéreos contra o país vizinho.

Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país no conflito anterior.

No mais recente balanço, as autoridades de Beirute registaram 2294 mortos nos últimos 45 dias, incluindo 274 mulheres, 177 crianças e 100 profissionais de saúde e socorristas, 7544 feridos e acima de um milhão de descolados.

No seu discurso à nação, o Presidente libanês agradeceu “a todos os que contribuíram para alcançar o cessar-fogo”, apontando em concreto o Presidente norte-americano, Donald Trump, que identificou como seu amigo, bem como a Arábia Saudita.

Após anunciar na quinta-feira o início da trégua, Trump indicou que Joseph Aoun e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deverão encontrar-se na Casa Branca, em Washington, “nos próximos quatro ou cinco dias”.

Irão diz que o Estreito de Ormuz mantém-se fechado a navios de guerra

O Irão avisou hoje que os movimentos de navios militares continuam proibidos no estreito de Ormuz, depois de ter anunciado a reabertura da via estratégica a navios comerciais.

“As passagens de navios militares através do estreito de Ormuz continuam proibidas”, declarou um alto responsável militar iraniano, citado pela televisão pública IRIB.

O militar insistiu que “apenas os navios civis” podem atravessar o estreito.

Têm de o fazer “pelas passagens designadas e com a permissão da marinha dos Guardas da Revolução”, afirmou, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).

Lusa

Preços de ouro e prata recuperam níveis de há um mês após reabertura do estreito de Ormuz

Os preços do ouro e da prata retomaram hoje a sua tendência de alta e recuperaram os níveis de há um mês, após o Irão ter garantido a abertura do estreito de Ormuz durante o cessar-fogo com os EUA.

O preço da onça de ouro subia 1,71% para 4.888 dólares (4.134 euros à taxa de câmbio atual) às 14:40 de Lisboa, minutos após a divulgação da notícia, enquanto a prata ultrapassava os 82,11 dólares (69,44 euros), numa subida de 4,37%.

Desde os ataques de Israel e Estados Unidos da América (EUA) ao Irão, ambos os metais preciosos perderam valor (6,75% no ouro e 11,75% na prata), apesar de manterem aumentos homólogos face há um ano (de 46% e 149%, respetivamente).

No caso do ouro, o seu preço máximo foi registado em 29 de janeiro deste ano quando atingiu 5.626,80 dólares, enquanto o ponto mais alto da prata foi de 121,78 dólares no mesmo dia.

Lusa

Netanyahu insiste que Israel “ainda não terminou o trabalho” contra Hezbollah

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, insistiu hoje que Israel “ainda não terminou o trabalho” contra o Hezbollah e referiu que o objetivo de desmantelar o movimento islamista libanês pró-iraniano “não será alcançado amanhã”.

No primeiro dia de uma trégua de 10 dias com o Líbano, anunciada quinta-feira pelo presidente norte-americano Donald Trump e numa mensagem em vídeo, Netanyahu indicou que a guerra contra o movimento xiita aliado de Teerão, retomada a 02 de março, permitiu afastar “duas ameaças provenientes do Líbano”.

Uma “ameaça próxima”, de “infiltração de milhares de terroristas” em solo israelita e de “disparos de mísseis anticarro contra as localidades”, e uma “ameaça distante”, a dos “mísseis e foguetes destinados a destruir as cidades de Israel”.

“O Hezbollah de hoje já não passa de uma sombra do que era [...] mas digo-o com franqueza: ainda não terminámos o trabalho. Repito-o com toda a franqueza [...] o desmantelamento não será alcançado amanhã”, acrescentou, dirigindo-se aos israelitas.

Hora antes, o ministro da Defesa israelita também afirmou que a operação militar de Israel no Líbano “ainda não terminou” e insistiu no objetivo final de desarmar o Hezbollah.

“As manobras no terreno no Líbano e os ataques contra o Hezbollah permitiram atingir muitos objetivos”, mas a operação não está “concluída”, declarou Israel Katz, que frisou que o exército israelita manterá as suas posições em “todas as zonas que desocupou e conquistou” no Líbano.

“O Exército israelita mantém e continuará a manter todas as zonas que desocupou e conquistou. A manobra terrestre dentro do Líbano e os ataques contra o Hezbollah em todo o país alcançaram numerosos progressos, mas ainda não foram concluídos”, indicou.

Lusa

Trump garante que o Irão nunca mais fechará o Estreito de Ormuz

Donald Trump, em mais uma publicação no Truth Social, garantiu que "o Irão concordou em nunca mais fechar o Estreito de Ormuz".

O presidente dos EUA acrescentou que o estreito "nunca mais será usado como arma contra o mundo!"

Trânsito no Estreito de Ormuz (imagem de arquivo)
Minas no Estreito de Ormuz mantêm perigo apesar da reabertura

Trump diz à NATO para "ficar longe" e garante que Israel vai parar de bombardear o Líbano

Donald Trump continua muito ativo na rede social Truth Social e, depois de Keir Starmer e Emmanuel Macron terem dito que Reino Unido e França vão liderar uma missão militar defensiva e neutra para proteger a navegação no Estreito de Ormiz, o presidente apressou-se a rejeitar essa proposta de ajuda dos aliados da NATO.

"Agora que a situação no Estreito de Ormuz está resolvida, recebi um telefonema da NATO a perguntar se precisamos de alguma ajuda", escreveu Trump, acrescentando: "Disse-lhes para ficarem longe, a menos que queiram apenas carregar os seus navios com petróleo."

"Eles eram inúteis quando necessários, um Tigre de Papel!"

Noutra publicação, Trump disse ainda que está "proibido" de bombardear o Líbano.

O presidente norte-americano assumiu que os EUA vão "ficar com toda a poeira nuclear", referindo-se aos eventuais detritos dos ataques às instalações nucleares iranianas no ano passado.

"Nenhum dinheiro mudará de mãos", disse, prometendo que os Estados Unidos "vão trabalhar com o Líbano" e vão lidar "com a situação do Hezbollah da maneira mais apropriada"

Além de chamar aos EUA o processo envolvendo o Hezbollah, Trump garante que Israel "não bombardeará mais o Líbano". "Já chega", escreveu.

Preços do petróleo caem mais de 10% com abertura do estreito de Ormuz

Os preços do petróleo caíram hoje mais de 10%, após o Irão ter anunciado que o estreito de Ormuz está totalmente aberto durante o período restante do cessar-fogo com os Estados Unidos.

Por volta das 14h10 (hora de Lisboa), o preço do barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em junho, caía 10,42%, para 89,03 dólares.

Já o seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate, para entrega em maio, caía 11,11%, para 84,17 dólares.

Lusa

Trump diz que EUA mantém bloqueio até que as negociações estejam "100% concluídas"

Numa outra publicação na rede social Truth Social, Donald Trump garante que o bloqueio dos EUA aos navios e portos iranianos "permanecerá em vigor", apesar do anúncio do Irão, assegurando ainda que a medida vai continuar até que as negociações com os iranianos estejam "100% concluídas".

O presidente dos EUA diz esperar que o processo "decorra muito rapidamente", uma vez que "a maioria dos pontos já foi negociada".

Trump agradece ao Irão a abertura do estreito de Ormuz

Donald Trump já reagiu à decisão do Irão de abrir o Estreito de Ormuz durante o restante do cessar-fogo com o o Líbano, tendo na sua conta da rede social Truth Social agradecido a decisão.

"O Irão acaba de anunciar que o Estreito do Irão está totalmente aberto e pronto para a passagem livre. Obrigado!" 

Ministro do Irão anuncia abertura do Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo no Líbano

Seyed Abbas Aragchi, ministro dos Negócios Estranhgeiros do Irão, declarou o Estreito de Ormuz "completamente aberto" durante o "período restante do cessar-fogo" enquanto durar o cessar-fogo no Líbano, garantindo, numa publicação na rede social X, que a medida inclui a passagem de "todos os navios comerciais".

"Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz fica aberta durante o restante do período de cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irão", pode ler-se na publicação.

A declaração de Aragchi surge no momento em que Keir Starmer e Emmanuel Macron irão coorganizar uma reunião virtual com a presença esperada de 40 líderes para discutir a reabertura do estreito.

Teerão rejeita acordo para cessar-fogo com EUA

O Governo iraniano rejeitou hoje um acordo para um cessar-fogo temporário com os Estados Unidos, anunciou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Saeed Khatibzadeh.

Segundo disse o mesmo responsável hoje, na Turquia, Teerão exige o fim definitivo da guerra em toda a região, incluindo o Líbano e o Mar Vermelho.

Lusa

Presidente libanês considera “cruciais” conversações diretas com Israel

O Presidente libanês, Joseph Aoun, considerou hoje “cruciais” as conversações diretas previstas para Washington com representantes israelitas, um dia após o anúncio de cessar-fogo entre as partes protagonizado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

"As negociações diretas são cruciais... e um cessar-fogo representa o início de um processo de negociação, um caminho apoiado tanto local como internacionalmente", lê-se em comunicado oficial.

Aoun reiterou os objetivos de Beirute de "consolidar o cessar-fogo, garantir a retirada das forças israelitas dos territórios ocupados a sul, resgatar prisioneiros e resolver as disputas de fronteira" entre os dois países.

Entretanto, pelo menos 13 pessoas foram mortas em ataques israelitas poucos minutos antes da entrada em vigor do cessar-fogo na noite de quinta-feira, segundo um responsável de um município do sul do Líbano, que solicitou anonimato.

A mesma fonte adiantou que outras 35 pessoas ficaram feridas e que as equipas de socorro continuam trabalhos entre escombros à procura de 15 desaparecidos.

Lusa

Comissão Europeia prepara-se para eventuais falhas de combustível para aviação na UE

A Comissão Europeia garantiu hoje que não existe escassez de combustíveis na União Europeia (UE), apesar das perturbações no abastecimento criadas pela guerra do Irão, mas disse estar a preparar-se para possíveis falhas no combustível para aviação.

“O grupo de coordenação do petróleo reuniu-se ontem [quinta-feira] e concluiu que, neste momento, não existe escassez de combustível na UE. No entanto, estamos a preparar-nos para possíveis falhas de abastecimento de combustível para aviação, que continua a ser a principal preocupação”, disse a porta-voz do executivo comunitário para a área da Energia, Anna-Kaisa Itkonen.

“A razão dessa preocupação é que as nossas refinarias cobrem cerca de 70% do consumo da UE, sendo o restante dependente de importações e, se a situação [de bloqueio] no Estreito de Ormuz persistir, a UE estará preparada para lançar uma possível ação coordenada no que diz respeito ao combustível de aviação”, explicou a responsável, falando na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas.

Anna-Kaisa Itkonen apontou que Bruxelas está “plenamente ciente de que o mercado de combustível de aviação está sob pressão e a ser monitorizado de perto” e lembrou que “a UE mantém reservas de emergência em conformidade com a legislação europeia e [que] estas podem ser libertadas se o mercado assim o exigir”.

“Até ao momento, porém, o mercado tem conseguido gerir esta pressão sem que se verifique qualquer escassez. É este o ponto em que nos encontramos neste momento: coordenação em tempo real e consciência situacional completa e constante da evolução dos acontecimentos ajuda-nos a determinar os próximos passos”, adiantou.

Anna-Kaisa Itkonen disse ainda que, apesar dos alertas do setor, “isso não significa que [a UE] vai ficar completamente sem combustível de aviação”, já que este “faz parte de um mercado global com abastecimento contínuo, sustentado por produção constante, importações e reservas” e “existe também uma capacidade considerável de redirecionamento e reajuste do abastecimento de combustível de aviação dentro da própria Europa”.

Depois de o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, tre traçado ontem um cenário preocupante, dizendo que a Europa tinha "talvez seis semanas de combustível para aviões", Anna-Kaisa Itkonen reforçou: “Não existe qualquer indicação de escassez sistémica de combustível que possa levar a cancelamentos generalizados de voos e isto é algo que acompanhamos de perto”.

As leis da UE obrigam os Estados-membros a manter reservas estratégicas para 90 dias, tanto de petróleo como de gás.

No que diz respeito ao petróleo, cabe aos Estados-membros decidir que parte dessas reservas de 90 dias corresponde a petróleo bruto e que parte corresponde a produtos refinados, incluindo querosene e combustível de aviação.

Lusa

Rangel diz que cessar-fogo no Líbano facilita negociações sobre Irão

O ministro dos Negócios Estrangeiros português destacou hoje que o cessar-fogo no Líbano permite estabilizar este país mas também facilita as negociações sobre o conflito entre Irão, Israel e Estados Unidos.

“O cessar-fogo tem um duplo sentido: um que é óbvio, é claramente pacificar, estabilizar a situação no Líbano e garantir que o governo tem o apoio internacional necessário para exercer as suas funções”, disse à Lusa Paulo Rangel, que hoje de manhã foi recebido pelo homólogo libanês, Youssef Raggi, em Beirute, a quem transmitiu uma mensagem de apoio e solidariedade do Governo português.

Por outro lado, o ministro destacou o papel deste acordo nas negociações que estão a ser mediadas pelo Paquistão, relativas ao conflito entre os Estados Unidos e Israel e o Irão.

"Evidentemente que havendo uma cessação de hostilidades no Líbano, também fica facilitada a negociação que está a correr para um conflito também de enorme escala e que tem tido consequências verdadeiramente globais para todos os países do mundo”, comentou Rangel.

A visita do chefe da diplomacia portuguesa coincidiu com o início de uma trégua de dez dias entre Israel e o Líbano, e que foi anunciada na quinta-feira pelo Presidente dos EUA, Donald Trump.

Lusa

Quilómetros de filas com deslocados que regressam a casa

Um grande número de deslocados internos começou a regressar a casa nos subúrbios de Beirute e sul do Líbano após o acordo de cessar-fogo com Israel, causando congestionamentos significativos na principal autoestrada costeira do país.

WAEL HAMZEH/EPA

Enviado dos EUA à Síria defende autocracia como único modelo viável na região

O enviado especial dos Estados Unidos (EUA) à Síria e embaixador norte-americano na Turquia, Tom Barrack, defendeu hoje que as autocracias são os únicos modelos políticos viáveis na região do Médio Oriente.

"Vão criticar-me por dizer isto porque é antidemocrático, mas os únicos que têm funcionado, os únicos, são os regimes com liderança poderosa: ou uma monarquia benevolente ou uma república monárquica”, disse, durante um fórum diplomático em Antália, na Turquia.

Para Barrack, o movimento de protesto e tentativa de revolução democrática naquela zona do globo, no início da década passada, “evaporou-se”.

“Tudo o resto, aquela Primavera Árabe, desvaneceu-se e evaporou-se e os países que se vestiram com esse disfarce de democracia falharam", continuou, acrescentando que aquela parte do mundo “só respeita uma coisa: o poder. Porque, sem poder, é-se apanhado desprevenido e a Síria é um excelente exemplo disso".

O embaixador dos EUA em Ancara elogiou o presidente sírio, Ahmed al-Shara, que, no final de 2014, liderou a ofensiva final do grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que fez ‘cair’ o então presidente, Bashar al-Assad, acabando com meio século de controlo do país pela sua família.

"A nova Síria funciona porque há um líder poderoso, forte e corajoso, com quem as pessoas podem discordar, mas que veem que está conduzir o país numa determinada direção", afirmou Barrack.

O diplomata norte-americano desvalorizou o conflito entre Israel e o governo de al-Shara, desde que o exército israelita começou a ocupar territórios sírios além da linha de separação estabelecida pelas Nações Unidas, em 1974, dadas as incursões do HTS.

Desde aí, Israel atacou a Síria várias vezes, alegando que células pertencentes às milícias palestinianas do movimentos islamistas radicais Hamas e Jihad Islâmica continuam a operar naquele país.

Lusa

Petroleiro com pavilhão de Hong Kong passa em Ormuz

Um petroleiro com pavilhão de Hong Kong cruzou hoje o estreito de Ormuz, apesar do anúncio do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, de que aquela importante passagem marítima estava bloqueada.

Segundo o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, o navio 'AVA 6', de propriedade da empresa Standwill Shipping, partiu de um porto nos Emirados Árabes Unidos na quarta-feira e já estava no golfo de Omã, do outro lado do estreito de Ormuz, hoje.

Para a plataforma local de rastreamento marítimo Mingkun Technology não é claro que o petroleiro tenha passado pelo bloqueio norte-americano, uma vez que a zona controlada pelos EUA está longe do ponto mais sensível de Ormuz para evitar exposição a mísseis ou drones iranianos.

Aquela empresa detetou três navios a sair pelo estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, mas o "AVA 6" era a única embarcação com uma bandeira ligada à China, um dos principais aliados diplomáticos e económicos do Irão, tendo os outros dois navios pavilhões de Bahamas e das ilhas Comores.

O referido navio não é o primeiro com ligações à China a navegar naquela região desde o anúncio de bloqueio de Trump, mas terá sido o primeiro a atravessar o estreito de Ormuz com sucesso, já que o petroleiro 'Rich Starry', também sujeito a sanções americanas, dirigiu-se para o golfo de Omã, terça-feira, mas acabou por voltar para trás e está no golfo Pérsico.

Ainda hoje, o Comando Central dos EUA (Centcom) declarou que as forças armadas norte-americanas "não estão a bloquear o estreito de Ormuz", mas só a impedir que navios saiam ou entrem em portos iranianos, com pelo menos 14 desviados nos últimos três dias por uma força de mais de 10 mil militares, 12 navios e 100 aeronaves.

Lusa

Rangel em Beirute para se reunir com MNE libanês

O ministro dos Negócios Estrangeiros português reúne-se hoje de manhã com o homólogo libanês, Youssef Raggi, em Beirute, para expressar solidariedade com o Líbano e anunciar apoio financeiro para a educação de crianças deslocadas, disse fonte oficial.

Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) adiantou à Lusa que a visita de Paulo Rangel estava a ser preparada há vários dias e coincide com o início do cessar-fogo entre o Líbano e Israel.

Durante o encontro com o chefe da diplomacia libanesa, o governante português irá anunciar um apoio financeiro de 150 mil euros, no âmbito da UNESCO, destinado a apoiar a educação de dezenas de milhares de crianças afetadas pelo conflito, que já fez mais de um milhão de deslocados no Líbano.

Lusa

Exército do Líbano acusa Israel de violar cessar-fogo

O Exército do Líbano denunciou hoje ataques israelitas, poucas horas após o início do cessar-fogo acordado entre Beirute e Telavive, que entrou em vigor à meia-noite (22:00 de quinta-feira em Lisboa).

As forças armadas libanesas afirmaram, em comunicado, ter registado "vários ataques israelitas, além de bombardeamentos intermitentes que afetaram uma série de aldeias", classificando-os como "violações do acordo".

Na sequência destes ataques, o Exército pediu à população para não regressar às localidades do sul do país.

Um acordo de cessar-fogo de dez dias entre o Líbano e Israel entrou em vigor à meia-noite local, após negociações mediadas pelos Estados Unidos.

A trégua foi anunciada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após conversas telefónicas com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o Presidente libanês, Joseph Aoun, em discussões que não incluíram o grupo xiita Hezbollah, responsável pelos ataques ao norte de Israel a partir do Líbano.

A tensão entre Israel e o Líbano ameaçava abalar o frágil cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão, que terminará no dia 22, enquanto se espera que as conversações de paz sejam retomadas no Paquistão.

O serviço de alertas de Israel registou um possível ataque no norte do país, muito perto da fronteira com o Líbano, uma hora após a entrada em vigor da trégua temporária, apesar de o Hezbollah não ter reivindicado qualquer bombardeamento e de o exército israelita não se ter pronunciado sobre o assunto.

Lusa

Secretário Geral da ONU apela a "todos os atores" que respeitem cessar-fogo entre Israel e Líbano

secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou quinta-feira o cessar-fogo entre o Líbano e Israel e apelou a "todos os atores" para o respeitarem "plenamente", indicou o seu porta-voz num comunicado.

"O secretário-geral saúda o anúncio de um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano" assim como o papel dos Estados Unidos para o alcançar, e "espera que este cessar-fogo abra caminho a negociações", declarou Stéphane Dujarric num comunicado.

O responsável da ONU "apela a todos os atores para respeitarem plenamente o cessar-fogo e para cumprirem as suas obrigações nos termos do direito internacional", acrescentou, uma formulação que pode visar Israel e o Líbano, mas também o Hezbollah.

Lusa

EUA impedem navios com destino ao Irão mas rejeitam bloqueio do estreito de Ormuz

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) assegurou hoje que as forças norte-americanas não estão a bloquear o estreito de Ormuz, mas apenas navios com origem ou destino a portos iranianos, no âmbito de uma operação militar em curso.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o Centcom explicou que o porta-aviões USS Abraham Lincoln se encontra no mar Arábico, integrado num dispositivo que visa impedir a circulação de embarcações ligadas ao comércio iraniano.

Segundo a mesma fonte, estão empenhados nesta operação 10.000 militares, apoiados por 12 navios e cerca de 100 aeronaves, com intuito de garantir o cumprimento de uma ordem do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O comando militar adiantou que, nas últimas 72 horas, pelo menos 14 navios inverteram o rumo para cumprir o bloqueio imposto pelas forças norte-americanas.

Horas antes, o representante permanente dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, afirmou na Assembleia Geral que o estreito de Ormuz é demasiado "valioso" para ser encerrado, apesar das tensões com o Irão.

Lusa

Acompanhe aqui as incidências sobre a guerra no Médio Oriente

Bom dia!

Acompanhe aqui as incidências desta sexta-feira, 17 de abril, sobre a guerra no Médio Oriente.

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