Tragédia na Suíça. Dono do bar Le Constellation em prisão preventiva e mulher pede desculpa
FOTO: JEAN-CHRISTOPHE BOTT

Tragédia na Suíça. Dono do bar Le Constellation em prisão preventiva e mulher pede desculpa

O incêndio no bar de Crans-Montana, na noite da passagem de ano, fez 40 mortos e mais de 100 feridos. Foi aberta uma investigação criminal contra Jacques e Jessica Moretti, os donos do estabelecimento
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Jacques Moretti, dono do bar de Crans-Montana, na Suíça, onde ocorreu o trágico incêndio que fez 40 mortos e mais de 100 feridos, ficou em prisão preventiva, avançou esta sexta-feira, 9 de janeiro, a BFMTV. A mulher, Jessica Moretti, também proprietária do estabelecimento, ficou em liberdade.

O casal de cidadãos franceses foi interrogado esta sexta-feira, em Sion, pelo Ministério Público francês, tendo sido aplicada a prisão preventiva devido a um "risco concreto de fuga", disse a procuradora-Geral do Cantão de Valais, Béatrice Pilloud, citada pela emissora francesa.

Sobre Jessica Moretti, "o Ministério Público determinou que havia risco de fuga, mas que esse risco poderia ser mitigado por medidas alternativas", disseram as suas advogadas à BFMTV. "Todas as garantias solicitadas serão apresentadas para demonstrar que nenhuma das partes pretende esquivar-se ao processo", asseguraram.

Ainda assim, Jessica Moretti pediu desculpa àqueles que eram próximos das vítimas. "Os meus pensamentos estão constantemente com as vítimas e com aqueles que hoje lutam pela justiça. É uma tragédia inimaginável. Nunca poderíamos ter imaginado isto. Aconteceu no nosso estabelecimento e quero pedir desculpa", declarou.

Os dois são alvo de uma investigação criminal pela suspeita dos crimes de homicídio, ofensas corporais e incêndio, todos por negligência.

De acordo com a imprensa francesa, Jacques Moretti tem antecedentes criminais, tendo sido condenado por crimes relacionados com lenocínio em 2008.

Está a decorrer uma investigação para apurar o que esteve na origem do incêndio, mas as autoridades suíças apontam como possível causa as velas de faísca, também conhecidas como sinalizadores, que foram colocadas em garrafas de champanhe, e que se terão aproximado do teto do bar.

Numa declaração divulgada na terça-feira (6 de janeiro), os proprietários do estabelecimento garantiram "total colaboração" com a investigação.

De referir que o presidente da Câmara de Crans-Montana,  Nicolas Féraud, afirmou, em conferência de imprensa, também na terça-feira, que o Le Constellation não era alvo de inspeções de segurança há cinco anos. O autarca indicou que a câmara assumiria responsabilidades, mas recusou demitir-se do cargo.

A detenção de Jacques Moretti acontece no dia em que a Suíça prestou homenagem às vítimas, a maioria jovens, do incêndio que deflagrou no bar durante a celebração da passagem de ano.

Entre as vítimas mortais está uma cidadã de nacionalidade portuguesa, Fany Pinheiro Magalhães, de 22 anos, confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Suíça presta homenagem às vítimas com apelos à justiça

A Suíça prestou homenagem às vítimas do incêndio, com vários apelos para que se faça justiça.

Uma semana depois da tragédia no bar Le Constellation foi realizada uma cerimónia comemorativa em Martigny, na qual participaram familiares das vítimas e chefes de Estado dos países mais atingidos pela tragédia, entre os quais os presidentes da Suíça, Guy Parmelin, de França, Emmanuel Macron, e de Itália, Sergio Mattarella, assim como a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.

Emmanuel Macron e Sergio Mattarellam presidentes de França e Itália, prestaram homenagem às vítimas.
Emmanuel Macron e Sergio Mattarellam presidentes de França e Itália, prestaram homenagem às vítimas.FOTO: EPA/FABRICE COFFRINI / POOL

Às 14h00 (13h00 em Lisboa), a população suíça observou, em toda a confederação, um minuto de silêncio em memória das vítimas, enquanto os sinos das igrejas tocaram em todo o país alpino.

Na estância de Crans-Montana, cujos acessos estavam parcialmente bloqueados devido aos fortes nevões que se têm feito sentir nos últimos dias, foram montados ecrãs gigantes, para que os locais fossem acompanhando a cerimónia de Martigny.

Durante a cerimónia de homenagem, o presidente da confederação suíça afirmou que o país continua consternado com a tragédia e apelou às autoridades judiciais para que “mostrem as falhas e as sancionem”.

“O nosso país está consternado com esta tragédia, curva-se diante da memória daqueles que não estão mais entre nós e está ao lado daqueles que se preparam para iniciar um longo caminho de reconstrução”, disse.

Guy Parmelin acrescentou que a esperança repousa agora na capacidade do sistema judicial helvético de “trazer à luz, sem demora nem complacência, as falhas e de as punir”.

“É uma responsabilidade moral, além de ser um dever do Estado”, afirmou.

De acordo com a imprensa italiana, Sergio Mattarella, escreveu no livro de condolências: "a cerimónia de hoje pela imensa tragédia que se consumou impõe poucas palavras: angústia na memória das vítimas, total solidariedade com os familiares, afetuosa e constante proximidade aos jovens que no hospital lutam para recuperar as suas vidas e justiça pelo que aconteceu".

*Com Lusa

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