Nicolas Féraud, presidente da Câmara de Crans-Montana.
Nicolas Féraud, presidente da Câmara de Crans-Montana.FOTO: EPA/CYRIL ZINGARO

Tragédia na Suíça: Bar estava sem inspeções de segurança há cinco anos. Autarca recusa demitir-se

Incêndio no bar de uma estância de esqui em Crans-Montana, na noite da passagem de ano, fez 40 vítimas mortais, entre as quais uma jovem de nacionalidade portuguesa.
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O presidente da Câmara de Crans-Montana, na Suíça, afirmou esta terça-feira, 6 de janeiro, que o bar Le Constellation, onde ocorreu o incêndio que provocou a morte a 40 pessoas e feriu mais de 100, não era alvo de inspeções de segurança há cinco anos.

“Não foram realizadas inspeções periódicas entre 2020 e 2025. Lamentamos profundamente e sei o quanto isto é difícil para as famílias ”, disse Nicolas Féraud, em conferência de imprensa, sobre o trágico incêndio no bar no cantão de Valais, na noite da passagem de ano.

O autarca não conseguiu apontar, para já, uma explicação para a ausência de inspeções de segurança, tendo afirmado que a câmara assumiria responsabilidades, mas recusou demitir-se.

"Não me vou demitir, não, e não quero", assegurou. Féraud adiantou que tanto ele como os elementos da restante equipa camarária foram “eleitos pelo povo de Crans-Montana”, pelo que não “abandonariam o barco agora”.

Nicolas Féraud, presidente da Câmara de Crans-Montana.
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As inspeções de segurança devem ser realizadas anualmente, sendo que a última, em 2019, foi positiva, informou o autarca, dando conta que, na altura, a espuma à prova de som que revestia o teto do bar foi considerada aceitável.

"Nunca houve qualquer verificação dessa espuma de isolamento acústico. Os nossos agentes de segurança não consideraram necessário", disse Féraud, acrescentando que um alarme de incêndio não foi considerado necessário devido ao tamanho do bar, que foi alvo de obras de ampliação em 2015.

Na conferência de imprensa, o presidente da autarquia afirmou que as autoridades teriam "agido imediatamente" caso tivessem sido informadas em relação a quaisquer problemas de segurança.

De referir que as autoridades apontam como possível causa do incêndio as velas de faísca, também conhecidas como sinalizadores, que foram colocadas no gargalo de garrafas de champanhe, e que se terão aproximado do teto do estabelecimento, o que "levou ao chamado de flashover, com o fogo a espalhar-se muito rapidamente".

Nesse sentido, este tipo de velas de faíscas foram proibidas nos espaços de diversão noturna na região, informou o autarca de Crans-Montana.

O casal francês proprietário do Le Constellation está a ser alvo de uma investigação criminal por parte das autoridades suíças. Segundo a polícia e o Ministério Público do cantão de Valais, o processo foi instaurado contra os dois donos do bar, que são suspeitos de homicídio, ofensas corporais e incêndio, todos por negligência.

O casal não foi detido, esclareceu o autarca de Crans-Montana, revelando, no entanto, que um segundo estabelecimento gerido pelos donos do Le Constellation foi encerrado. Nicolas Féraud disse ainda que a Câmara está a colaborar com as autoridades e que cabe à justiça o apuramento de responsabilidades.

O incêndio às primeiras horas de 1 de janeiro provocou a morte a 40 pessoas, a maioria jovens, e entre as vítimas mortais está Fany Pinheiro Magalhães, de 22 anos, de nacionalidade portuguesa, confirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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