Uma ambulância junto ao bar onde ocorreu a tragédia.
Uma ambulância junto ao bar onde ocorreu a tragédia.EPA/ALESSANDRO DELLA VALLE

Suíça abre investigação criminal contra donos de bar onde se deu tragédia de Ano Novo

Casal francês é suspeito de homicídio, ofensas corporais e incêndio, todos por negligência. Primeiras vítimas mortais oficialmente identificadas são quatro jovens suíços.
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As autoridades suíças abriram uma investigação criminal contra o casal de proprietários do bar Le Constellation, em Crans-Montana, onde um incêndio durante a passagem de ano provocou a morte de cerca de 40 pessoas e deixou mais de uma centena de feridos.

Segundo a polícia e o Ministério Público do cantão do Valais, o processo foi instaurado contra os dois donos do bar, um casal francês, que são suspeitos de homicídio, ofensas corporais e incêndio, todos por negligência.

 “Foi aberta, na noite passada, uma investigação criminal contra os dois responsáveis do bar”, referiram a polícia e o Ministério Público do cantão suíço do Valais, em comunicado. “As autoridades recordaram que “o princípio da presunção de inocência se aplica até ser proferida uma condenação definitiva”.

 O incêndio deflagrou cerca da 1h30 da madrugada de quinta-feira, 1 de janeiro, durante uma festa de Ano Novo que reunia centenas de jovens no bar, situado numa estância de esqui de luxo nos Alpes suíços. De acordo com o balanço mais recente, pelo menos 40 pessoas terão morrido e 119 ficaram feridas, muitas delas em estado grave. A maioria das vítimas são adolescentes e jovens adultos.

A investigação incide sobre o respeito pelas normas de segurança. Um dos proprietários garantiu à imprensa suíça que todas as regras foram cumpridas e que o espaço tinha capacidade legal para cerca de 300 pessoas, além de 40 lugares na esplanada. No entanto, a procuradora-chefe do Valais, Béatrice Pilloud, afirmou que a segurança do bar está no centro da investigação.

As autoridades admitem como hipótese principal que faíscas ou velas tipo “Bengala” colocadas em garrafas de champanhe tenham sido erguidas demasiado perto do teto, feito de madeira e revestido com uma espuma insonorizante que poderá não cumprir os requisitos legais. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o teto a incendiar-se rapidamente, enquanto algumas pessoas continuavam a dançar, sem se aperceberem da gravidade da situação.

 Algumas testemunhas relataram ainda que o incêndio começou na cave do estabelecimento, ligada ao piso térreo apenas por uma escada descrita como estreita, o que poderá ter dificultado a evacuação.

As autoridades alertam que o número de vítimas mortais pode ainda aumentar, enquanto prossegue o trabalho de identificação dos corpos.

As primeiras quatro vítimas mortais já foram oficialmente identificadas, segundo a polícia local: duas jovens suíças, de 21 e 16 anos, e dois jovens suíços, de 18 e 16 anos, cujos corpos foram entretanto entregues às respetivas famílias.

Permanece desaparecida uma cidadã portuguesa, originária de Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, mas ainda não foi confirmado se o seu desaparecimento está ou não relacionado com o incêndio na estação de esqui.

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