O líder do partido, Nikolai Rybakov, à saída do tribunal.
O líder do partido, Nikolai Rybakov, à saída do tribunal.FOTO:EPA/MAXIM SHIPENKOV

Supremo Tribunal russo nega recurso do Yabloko contra exclusão das eleições

Único partido anti-guerra que tinha sido autorizado a concorrer às legislativas de setembro fica de fora das listas. Mas os seus membros podem concorrer a título individual.
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O Supremo Tribunal russo rejeitou esta segunda-feira (17 de agosto) o recurso apresentado pelo Yabloko, o único partido que se opõe à guerra na Ucrânia, contra a sua exclusão das eleições parlamentares de setembro.

Os juízes rejeitaram todos os argumentos apresentados pelo partido, cujo nome significa "maçã", contra as acusações de financiamento estrangeiro e violação de direitos de autor. A exclusão tinha sido decidida há uma semana.

O líder do partido, Nikolai Rybakov, à saída do tribunal.
Uma “maçã” contra o Kremlin: como o Yabloko foi afastado das eleições russas

Um dos argumentos era um relatório sobre donativos milionários desde o estrangeiro para a Rússia Unida, o partido que apoia o presidente Vladimir Putin, além de outras formações que lhe são leais.

O partido pedia que a decisão do Supremo de o afastar das legislativas do próximo mês fosse anulada, ou que o mesmo critério fosse aplicado a todas as outras formações políticas. Algo que o tribunal rejeitou.

“O Yabloko foi efetivamente desqualificado da eleição por defender a paz e a liberdade. Aqueles que nos retiraram do boletim de voto defendem exatamente a direção política oposta”, disse o presidente do partido, Nikolai Rybakov, depois de ser conhecida a decisão.

“No entanto, já conquistámos o mais importante: o mundo inteiro sabe agora quantas pessoas na Rússia querem a paz", acrescentou.

Rybakov disse que o Yabloko, que desde 2007 não tem qualquer representação na Duma, estava a preparar um “plano B” para os russos que apoiam a plataforma pró-paz e indicou que vai também recorrer para o Tribunal Constitucional.

Apesar de o Yabloko desaparecer dos boletins de voto (estava em segundo lugar na lista), os seus candidatos ainda podem candidatar-se a título individual, nos círculos uninominais, segundo o The Moscow Times.

De acordo com a lei eleitoral russa, metade dos 450 lugares da Duma são distribuídos pelos partidos políticos que recebem mais de 5% dos votos. Os restantes 225 lugares são destinados aos vencedores das eleições em distritos uninominais.

No exterior do tribunal, pelo menos 85 apoiantes do partido foram detidos.