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"Sim" no referendo sobre adesão à UE é do interesse dos islandeses

A Islândia realiza um referendo em agosto para decidir sobre a reabertura das negociações com a UE, depois de ter suspendido o processo em 2013.
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A chefe da diplomacia da Islândia considerou esta segunda-feira, 23 de março, “do interesse dos islandeses” a vitória do “Sim” no referendo sobre a reabertura de negociações para a eventual adesão à União Europeia, apontando pesca e agricultura como os dossiês mais complexos.

“É do interesse para o povo da Islândia dizer que sim no início e ver que tipo de acordo conseguimos alcançar com a União Europeia (UE)”, afirmou a ministra dos Negócios Estrangeiros e da Defesa islandesa, Porgerdur Katrín Gunnarsdóttir, numa conferência de imprensa no Palácio das Necessidades, em Lisboa, após um encontro com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel.

A Islândia, país fundador da NATO e membro do Espaço Económico Europeu, realiza em 29 de agosto um referendo para decidir sobre a reabertura das negociações com a UE, depois de ter suspendido o processo em 2013, retirando a candidatura dois anos depois.

A eventual adesão da Islândia à UE “é realmente importante para as famílias comuns e para as pequenas e médias empresas na Islândia, mas também, no contexto geopolítico atual, é muito importante ver a força da Europa”, defendeu a ministra islandesa, depois de apontar as “declarações peculiares” dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca.

“Foi muito importante ver como a Europa pode unir-se e ser uma espinha dorsal, por exemplo, do Reino da Dinamarca e da Gronelândia no que toca à integridade territorial e ao direito da nação à autodeterminação”, sustentou.

A responsável defendeu ainda a importância de “estar entre países com ideias semelhantes que partilham os mesmos valores no que toca à democracia, à liberdade, aos direitos humanos, nações com ideias semelhantes que ainda têm coragem de erguer a voz perante ameaças e violações dos direitos humanos em todo o mundo”.

Questionada pela Lusa sobre quais poderão ser as principais dificuldades nas eventuais negociações de adesão, Porgerdur Katrín identificou as pescas e a agricultura.

“Devemos começar pelos maiores obstáculos, e são obviamente as nossas pescas, como vamos manter o nosso magnífico e sustentável sistema de pesca na Islândia (…). É muito vital para nós que a União Europeia compreenda que não somos como nenhuma outra nação, somos uma ilha no meio do Atlântico que vive da pesca sustentável há séculos. Outro obstáculo que diria que pode ser difícil é a agricultura”, comentou.

A ministra ressalvou que o referendo de agosto será apenas o primeiro momento para os islandeses se pronunciarem.

“Se e quando houver um acordo, faremos outro referendo” sobre a adesão, disse, sublinhando que “nada foi decidido”.

O Governo português “vê com muitos bons olhos que as negociações possam ser reabertas, que haja uma segunda oportunidade para haver um acordo com a Islândia”, disse, por seu lado, o ministro Paulo Rangel.

“A Islândia, tal como Portugal, é um país atlântico e nós precisamos de reforçar a dimensão atlântica da União Europeia”, justificou.

O governante antecipou que as eventuais negociações serão complexas, mas a velocidade depende de Reiquiavique e Bruxelas: “Há muitos setores, há muitas exceções que é preciso abrir para proteger este e aquele ponto e, portanto, normalmente isso toma algum tempo”.

Rangel, que foi eurodeputado durante 15 anos, instou o Governo islandês a “ser forte” e a “defender os seus interesses” nas negociações.

“A União Europeia está familiarizada com isso”, referiu.

O ministro português destacou ainda que pertencer ao bloco europeu não ameaça de forma alguma a soberania nacional, um assunto que divide a opinião pública islandesa.

“Nenhuma pertença a qualquer organização internacional prejudicará a nossa independência, o que nunca aceitaríamos”, sublinhou.

“Às vezes as pessoas pensam que aderir à União Europeia significa perder a nossa identidade, a nossa soberania, a nossa independência. Isso não é de todo o caso, muito pelo contrário”, insistiu.

A ministra islandesa prossegue hoje a sua visita a Lisboa com um almoço com Paulo Rangel, seguindo-se depois um encontro com o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo.

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