O Presidente da República, António José Seguro, no encerramento do Foro La Toja, em Lisboa.
O Presidente da República, António José Seguro, no encerramento do Foro La Toja, em Lisboa.FOTO: Leonardo Negrão

Seguro: "A Europa é uma causa que vale a pena defender e, quando necessário, reformar com coragem"

O Presidente da República encerrou a quarta edição do Foro La Toja em Lisboa, defendendo que "ou a Europa escolhe ser sujeito da História ou resigna-se a ser objeto da escolha de outros".
Publicado a
Atualizado a

O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta quarta-feira (29 de abril) no encerramento do Foro La Toja, em Lisboa, que "a Europa é uma causa que vale a pena defender, aprofundar e, quando necessário, reformar com coragem".

Num dos primeiros discursos sobre política internacional, o Presidente defendeu que Portugal e Espanha "partilham uma convicção fundadora de que o projeto europeu não foi apenas uma resposta à guerra, mas uma escolha civilizacional".

E partilham "a crença visceral que a Europa é uma causa que vale a pena defender, aprofundar e, quando necessário, reformar com coragem".

Mas Seguro avisou que "defender a Europa não pode significar conservá-la tal como ela está".

"Vivemos num tempo de transição e de inquietação. As certezas da pós-guerra fria dissiparam-se. O multilateralismo é posto à prova. O direito internacional, que julgávamos consolidado, enfrenta ameaças constantes", explicou, falando no regresso da guerra ao continente europeu. "A ameaça russa é uma constante."

E, insistiu o Presidente, "a Europa que hesita é a Europa que perde", dizendo ser difícil compreender como o relatório Draghi, por exemplo, que foi apresentado há mais de um ano e meio, ainda "não conheça a luz do dia, quando a Europa precisa tanto, mas tanto, de aumentar a sua competitividade". 

Seguro defendeu que é preciso "o aprofundamento político da União Europeia. Não num contexto burocrático, mas como um acto de vontade coletiva".

"A Europa do século XXI não pode ser governada, não deve ser governada, com instrumentos do século XX", afirmou o Presidente, explicando que "a defesa europeia não pode continuar a ser uma caminhada lenta, baseada apenas em obrigações de vontade, que se formam e desfazem conforme as conjunturas e as conveniências".

"A segurança da Europa exige mais coordenação, melhores investimentos e uma resolução verdadeiramente comum. Exige economias de escala, exige comprar europeu, exige melhor investimento", explicando que "não podemos depender de terceiros para defender os nossos interesses. Temos de impulsionar a autonomia tecnológica europeia", referindo também a energia ou a tecnologia como outro domínio crítico.

"A Europa precisa de liderar as grandes transformações digitais e não apenas regulá-las", resumiu.

O Presidente da Republica explicou ainda que a autonomia estratégica que defende "passa também por uma Europa mais próxima dos seus cidadãos, capaz de responder às desigualdades, de promover coesão social e territorial, de garantir que ninguém fica para trás nas transições que estamos a viver".

E deixou claro que "a autonomia estratégica da Europa não é um slogan, é uma necessidade. É a capacidade de definir os nossos interesses, de os proteger com instrumentos próprios e de não depender exclusivamente de decisões tomadas noutras capitais, por muitos aliadas que essas capitais sejam".

"Uma Europa autónoma não é uma Europa fechada. É uma Europa que pode escolher os seus parceiros, em liberdade e não por falta de alternativa", explicou, defendendo que a relação com os EUA "é e deverá continuar a ser um dos eixos estruturantes da política europeia".

"Mas as relações transatlânticas não podem ser apenas uma herança que administramos. Tem de ser uma parceria que renovamos. Uma parceria entre iguais, em que a Europa afirma os seus interesses, contribui com o seu peso e não abdica dos seus valores", mesmo quando estes nos colocam em choque com Washington.

"A amizade verdadeira não exige concordância permanente. Exige lealdade, reciprocidade e respeito pela soberania de todos os Estados", insistiu.

Seguro defendeu ainda que "a relação transatlântica do século XXI não é um eixo bilateral, é uma rede", falando da importância do Canadá, mas também da América Latina.

Para terminar, Seguro disse que o que está em jogo é simples. "Ou a Europa escolhe ser sujeito da História ou resigna-se a ser objeto da escolha de outros. Estou certo que Portugal e Espanha escolheram e escolheram ser sujeitos".

O Presidente da República, António José Seguro, no encerramento do Foro La Toja, em Lisboa.
Rajoy defende uma Europa alinhada com as democracias e não com as ditaduras
O Presidente da República, António José Seguro, no encerramento do Foro La Toja, em Lisboa.
Pedro Sánchez "está a fazer política" com a NATO e a guerra no Irão
Diário de Notícias
www.dn.pt